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Crítica do filme The Square - A arte da discórdia, um filme de Ruben Östlund (indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro)


Filme, por que, por quê? Sério, eu tinha tantas esperanças com esse filme, mas confesso que elas foram diminuídas depois que vi Jovem Mulher, também premiado em Cannes. (vide crítica). Duas longas e psicologicamente eternas horas e meia de algo que supostamente era para ser crítico e acabou sendo muito aquilo que o filme se põe a criticar. Uma peça de arte tão vazia quanto os morrinhos de entulho que um funcionário do museu “limpou” sem querer. 

Eu gosto de cinema surrealista. Gente, eu amo os filmes de Luis Buñuel. Mas não, The Square foi aquela xícara de chá quente demais que ficou queimando o esôfago por duas horas e meia. 

Filme, eu entendi suas mensagens. As supostas críticas. O vazio na pseudo-arte moderna, a falta de sentido na arte. O julgamento dos ricos em relação aos pobres. A desconfiança das pessoas. Como as pessoas demoram para agir, imóveis, para deixar que o outro seja a vítima. O egoísmo, repetidas vezes, o egoísmo. O arrependimento tardio. Sim, filme, o problema é que você mesmo foi uma coisinha pseudo-intelectual que me deu nos nervos. Sim, eu entendi a crítica ao supostamente politicamente correto. A falta de confiança das pessoas, de novo. A desconfiança, de novo. 

Mas por que você não deu profundidade a seus personagens? Por que não os deixou críveis? Por que eles parecem tão planos e desprovidos de qualquer conexão emocional entre si e para nós assim? O pseudo-romance? Empurrar uma criança da escada? Ah, sério, o vídeo publicitário de mau gosto era para ser engraçado? Chocante? Achei mais chocante empurrar uma criança da escada. Mesmo assim, saí da sala de cinema indignada por ter perdido mais duas horas e meia da minha vida quando eu poderia ter ficado vendo Westworld ou olhando para o teto ou tomando um chá que não fosse ficar queimando meu esôfago e me dar azia como esse filme me deu. 

Como um louco que pega uma Uzi e atira para toda parte e não acerta em nada, The Square tenta passar mil mensagens e é vazio e fraco em todas as tentativas. E aquelas filhas de Christian que surgiram assim, do nada, deixando até mesmo vários momentos de deus ex-machina de outras obras com vergonha alheia por esse tamanho absurdo! É um absurdo atrás do outro. Toda vez que eu vejo louvores excessivos a obras de arte como essa, eu lamento e me recordo de como as pessoas agem em A roupa nova do imperador. Talvez seja isso mesmo. É triste assim. 



Nota: 1, somente pela atuação de Terry Notary - aquela sequência toda do restaurante, na verdade, é a única que vale no filme, e poderia ser um curta que seria muito mais expressivo e profundo do que essa “obra de arte” que The Square se propõe a ser e em que falha miseravelmente. 

Veja um trecho da cena do restaurante aqui: 



Trailer:



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