Resenha da HQ O bestiário particular de Parzifal, de Hiro Kawahara (Editora SESI-SP)


Resenha por Dhuane Monteiro

Hoje vamos falar de um gibi nacional! "O Bestiário Particular de Parzifal", de Hiro Kawahara, foi uma HQ que já fazia sucesso antes mesmo de ser lançada no mercado. O combo arte maravilhosa + a história emocionante foi um grande chamariz para o público, fazendo a obra bombar no Catarse e passar muito mais do que a meta estabelecida.

"O Bestiário Particular de Parzifal" conta a história de Parzifal, uma garota que foi criada na floresta porque uma cartomante disse que a vida dela seria uma tragédia grega. Logo, a mãe de Parzifal levou a garota para ser criada na floresta, para que ela fosse protegida de tudo.

Enquanto vivia na floresta, Parzifal acaba por criar uma gama de amigos imaginários e um mundo para eles viverem. Estes amigos cuidam de Parzifal após a morte da mãe dela. Só que Parzifal tem que sair da floresta aos 24 anos para poder ter sua filha; seus amigos imaginários dão de presente para ela a independência e pedem apenas para que ela se lembre deles.


Já com a sua primeira filha, Olívia, um pouco mais velha Parzifal volta à floresta para mostrar seus amigos a ela. Só que ocorreu um problema: ela já tinha se esquecido um pouco deles e acaba saindo  de lá mais brigada ainda com eles!!!

Logo, em um futuro não tão distante, com sua segunda filha, Zizi, super doente e não respondendo ao tratamento, Parzifal volta para a floresta buscando a ajuda de seus velhos amigos.

Essa HQ é uma coisa que mexe muito com temas sensíveis, quando fui convidada a escrever essa resenha, nem sabia por onde começar.

Ela trata de assuntos como não esquecer, ou acabar esquecendo, de nós mesmos ou do lugar de onde viemos. Como o amadurecimento, isso pode nos mudar completamente e nem sempre para algo melhor.

Trata também do amadurecimento precoce, no caso de Olívia, que teve que amadurecer antes do tempo para cuidar de uma mãe inocente que tinha vivido quase a vida toda na floresta.

Além disso, vemos também o tema do perdão. O quão difícil é perdoar alguém ou mesmo se perdoar,  o que pode ser uma das coisas mais penosas que podemos realizar.

A esperança é outra constante nessa história. Como ela nos leva a cometer loucuras e como nos apegamos a ela até o final.

Solidão. Cada personagem, mesmo estando junto de outros, sofre com algum tipo de solidão. E mesmo tendo amigos imaginários, estes apenas suavizam esse estado de espírito.

Temáticas centrais: doenças, vida e morte.

E o tema mais importante: imaginação. Como a imaginação pode nos proteger em momentos difíceis, como ela pode ser um refúgio em tempos tempestuosos. Como ela nos leva para lugares melhores. Como o real pode ser cruel.

Ou seja, essa é uma HQ super recomendada. Por ser sensível. Por nos deixar refletindo.

Por lançar a realidade na nossa cara.

E por nos estender a mão e levar  para um mundo de imaginação.

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Quando pedi que a Dhuane fizesse a resenha, acabei achando tão perfeita que nem sinto a necessidade de acrescentar mais alguma coisa. Apreciem, é uma obra bela e incrivelmente catártica! - Ana Death 

Algumas imagens internas para vocês ;)







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