Tartarugas até lá embaixo: o melhor livro do John Green?

Primeira foto cheia de expectativa sobre o livro com amuletinho especial da felicidade

Tartarugas até lá embaixo: o melhor livro do John Green? - por Dhuane Monteiro 

Meu primeiro livro do John Green, super animada para ler, ganhei de presente de uma amiga muito querida que me deu uma sacola de livros (me invejem); expectativas lá em cima, todo mundo falando que era o melhor livro.

Pois bem, vamos para minha opinião sobre este livro de capa fofinha.

(Como sempre, quero destacar que a opinião é da autora do post e não da Sra. Death, diva e dona do Blog)

Primeiramente, vamos falar do TOC- Transtorno Obsessivo-Compulsivo- (por que vamos falar de TOC? Porque sou da área da saúde e adoro falar dessas coisas).

O TOC é um Transtorno se caracteriza por momentos de Obsessão, em que aparecem aqueles pensamentos intrusivos e involuntários que se repetem e acabam causando ansiedade e desconforto para a pessoa e, para se livrar disso ela acaba entrando na Compulsão, que é o ato físico ou mental para o alivio dos pensamentos causados pela Obsessão. Isso pode fazer com que a pessoa se afaste de outras pessoas, tenha um grande medo de germes, verifique várias vezes se desligou o gás ou fechou a porta.

O TOC é bem comum na sociedade, podendo alguns indivíduos tê-lo de forma leve, como também de forma acentuada, fazendo com que eles não consigam atuar na sociedade.

Seu tratamento pode ser por ansiolíticos, antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental.




Mais fotinha fofa e cheia de esperança

Agora vamos começar a falar sobre o livro: Aza Holmes tem TOC e vive em um mundo em que ela não controla os próprios pensamentos. Ela tem uma melhor amiga, Daisy, que é fanática por Star Wars. As duas se embrenham em uma aventura para encontrar um bilionário que está foragido da polícia e há uma recompensada de 100 mil dólares para qualquer pista dele. Por isso elas começam procurando pela propriedade deste milionário e se aproximam do filho dele, Davis, por meio da amizade antiga dele com Aza.

Que história lindinha. Já imaginamos um amor lindinho, uma amizade lindinha, um caso solucionado e a Aza melhorando da doença.

Não, não, não, não, e vários outros não. Vamos começar a falar do mistério em cima do desaparecimento do bilionário. Sem graça e sem o mínimo de desafio que um livro com esses tipos de mistérios oferece; quando tudo é resolvido você não fica nem aí.


Sobre Davis, o filho. Ele é um riquinho que se sente a pessoa menos compreendida do mundo. Ele nasceu sem o amor do pai e acha que qualquer ser humano que se ocupa com dinheiro, viagens, ou qualquer outra coisa é uma pessoa vazia. Porque ele um adolescente que teve tudo menos um pai presente, ele sabe julgar se uma pessoa é vazia ou não com as filosofias baratas que temos que aturar dele durante o livro. Ele, que tem um irmão menor que está depressivo e que vira as costas direto para essa criança, com desculpas esfarrapadas de que não é o pai, mas não consegue nem ser amigo. Sim, temos que aturar este tipo de adolescente.

Daisy é uma fã de Star Wars que escreve fanfics shipando a Rey com o Chewbacca e cujo filme preferido da saga, se não me engano é um dos Episódios II ou III (não me lembro agora). Só por esse pequeno resumo já descobrimos que ela não é realmente uma fã de Star Wars e parece mais um embuste ou uma forma do John Green ridicularizar os fãs de verdade. 

- Por que a garrafinha de vinho está vazia?
- Porque só bebendo para aguentar este livro!

Por fim, Aza. Ela me deu raiva. A doença dela é complicada? Sim, é complicada. Contudo, ficamos com ela o livro inteiro se recusando a tomar remédio. Ela fica presa direto pelas obsessões e compulsões, mas o que dá muita raiva é porque ela é egoísta. Ela não liga para ninguém a não ser os germes dentro dela, não sabe nada da vida da melhor amiga e fica julgando-a direto (tanto que tem uma briga entre as duas nos livro que foi a única coisa boa). Não liga para opinião da mãe e a acha irritante mesmo esta querendo apenas o bem da menina. Não vamos falar do relacionamento dela com Davis para não dar spoiler. E, principalmente, ela fica julgando a psiquiatra e não faz nada para melhorar, exceto pelo final por causa de um negócio que acontece lá...

E isso é o que me deixou mordida no livro. A Aza não melhora nesse egoísmo. Todos são obrigados a aceitá-la do jeito dela e dane-se.

Então, amiguinhos, deixe-me contar um segredo: pacientes psiquiátricos não precisam ser egoístas, irritantes e chatos e no fim compreendidos só por causa da doença deles. Na verdade, eles são seres de personalidades como qualquer um e podem se obrigar a serem suportáveis aos mais próximos, mas, a mensagem que o John Green passa é: seja egoísta, o importante é que você seja feliz e que se danem os outros a sua volta. Não seria um mundo maravilhoso se todos pensassem assim?

Claro que este é um pensamento da autora do post, mas se nota que ninguém toma jeito neste livro. Outro exemplo é o irmão mais novo de Davis, Noah. O moleque é um mini delinquente, porém e daí?,  o importante é que ele vai ter amor no final.

John Green também é cheio de clichês e referências utilizadas de forma muito porca. A leitura é cansativa e ele não apresenta nada de novo. E se esse for o melhor livro dele, eu só agradeço por nunca ter lido os outros!

Nota: 0,5


P.S.: estou com pena das tartarugas por terem o nome estampado em tal livro.

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