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Crítica do filme O passageiro, um filme de Jaume Collet-Serra (com Liam Neeson)



Seja você como eu, que curte um bom filme, pura e simplesmente, que lhe traz o prazer causado por um bom entretenimento, ou não, seja você apenas um fã de thrillers, ou mesmo do trabalho de Liam Neesom, ou seja você apenas um fã de bons filmes de modo geral, sem esperar algo extremamente intricado sobre a natureza humana, eu recomendo que assista a "O passageiro". 

A premissa parece simples, mas se coloque no lugar de Michael, o personagem de Liam Neeson, e pense no que você faria no lugar dele: você está praticamente falido e lhe oferecem muito dinheiro para fazer “uma simples coisinha”: identificar alguém em um trem que você vem pegando todos os dias há 10 anos. Sem saber o que vai acontecer com a pessoa. Você faria isso? 

Bem, no caso do filme, como é de se esperar, não há exatamente uma escolha. E obviamente que nada de bom acontecerá também, quer ele decida “ajudar” ou não. 

Uma das coisas legais que o filme mostra é o quão pouco ou nada conhecemos de pessoas com quem dividimos espaços públicos, mesmo que por muitos anos, como é o caso de Michael. O filme lida também com a temática da crise financeira (e sabemos que não é só nos Estados Unidos…). 


Se você é fã de Liam Neesom e/ou desse estilo de thriller que não é extremamente profundo, mas que tem umas sequências de ação ótimas, um twist levemente surpreendente no final (não demais, mas é difícil surpreender demais quando sabemos como a linha do thriller geralmente se desenrola). 

Não é um filme imprescindível, e sim, segue uma série de clichês tanto do gênero quanto dos filmes nesse estilo do próprio Liam, mas não é perda de tempo vê-lo. O clima é frenético, sim, no começo chega a ser “entediante” (o que é um parabéns para a edição!) ver como Michael vem pegando o mesmo trem há 10 anos todos os dias - o que na verdade é uma ótima sacada porque há pessoas que realmente fazem isso, é uma experiência real, e é mostrada no filme de um jeito bem legal. 



Não há como não pensar em "Assassinato no Expresso do Oriente", não por causa da trama, mas pela sensação de estar em um trem em movimento, com um crime (ou crimes) em andamento e não dá para fugir disso, bem, até dá, mas é difícil, não? E as mortes vão se acumulando com tanta rapidez e nem dá tempo de "sofrer" muito pela primeira vítima dessa conspiração sacana... Isso também mostra como a vida é fugaz e como a morte acaba "passando" e sendo esquecida porque precisamos literalmente "seguir vivendo". 

O ritmo do filme, a criatividade de Michael no uso de uma guitarra como arma e o próprio carisma de Liam são elementos que simplesmente nos compelem a pelo menos dar uma chance a O passageiro. Eu não me decepcionei, ao contrário com o que aconteceu com The Square - A arte da discórdia e Jovem mulher, por exemplo, que foram simplesmente frustrantes (e pretensiosos, especialmente o primeiro). Um bom filme que capta bem a nostalgia dos bons filmes de ação dos anos 90 sem ser exemplar, mas cumprindo e muito bem o seu propósito. É um filme da minha lista de filmes "ok", e isso é o mínimo que espero de um filme. :) 

Se você busca uma diversão despretensiosa, "O passageiro" pode ser uma escolha ideal.

Nota: 3 vagões de trem cheios de gente :) 




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