Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme Uma espécie de família, um filme de Diego Lerman (agora disponível na Netflix)


“Malena (Bárbara Lennie) é uma médica de classe média que descobre seu bebê nascerá antes do esperado e é orientada por seu obstetra a viajar para o norte do país sem qualquer explicação para tal. Desesperada, ela segue o conselho, mas nem imagina o quão perturbadores serão os obstáculos que encontrará pelo caminho.” 
Sinceramente, esta sinopse apresentada acima foi péssima. Comecei a assistir a este filme esperando uma coisa e me deparei com algo totalmente diferente.
O filme trata de Malena, uma médica que está prestes a adotar uma criança. Contudo, para essa criança nascer, a família exige da médica 10 mil dólares (com um adendo de que o filme se passa na Argentina, onde a moeda é o peso) e várias outras estipulações absurdas. E o pior? As instituições que deveriam prezar pelo correto fazem parte do esquema.
O gosto que fica em nossas bocas depois de assistir a esse filme é amargo. Ele consegue  fazer com que você fique revoltado com todos e um pouco depois, sentir pena.

Você sente raiva da Malena por causa das ações que ela toma ao longo do filme, mas a compreende também, afinal, ela é uma mãe que quer o seu bebê custe o que custar.
Você sente raiva da mãe biológica e da família a que ela pertence, mas compreende o porquê de ela estar dando o bebê e o seu sofrimento ao ter que dá-lo a outra pessoa.
Você sente raiva das instituições que fazem parte deste esquema de vender a adoção a pais desesperados e você continua sentindo raiva deles. Sério, para eles não há compreensão ou perdão.

E no final de tudo fica aquele aperto no coração. Em que você fica desamparado com o como a vida pode ser injusta e triste.
O estilo de filmagem me incomodou um pouco. Foi apostado muito em sons ambientes, então não tem nada de espetacular na trilha sonora.
O diretor apostou em cenas em que observamos as personagens por longos segundos ou minutos para que possamos nos inserir em seus sentimentos, mas achei isso desnecessário. O filme se desenvolveria muito bem sem essas longas cenas e talvez fosse mais confortável de se assistir com a história apresentada diretamente.
Não que esse filme seja confortável. Que nem dito antes, ele foi feito para você pensar no assunto.
E por último:
 “La gran tragedia con que convivimos doctora, es con la miseria. Acá, hay e en todos los lados.”
Achei essa frase do Doutor Costas ótima. Afinal estamos acostumados a conviver com a tragédia que é a miséria, a da pobreza e, principalmente, a da alma humana.
Nota: 3

Texto por: Dhuane Monteiro


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

La Boya, um filme de Fernando Spiner

Maria do Caritó, do tablado para o cinema, diverte ao mesmo tempo em que faz críticas muito necessárias

No dicionário popular, Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. Vitalina, conforme a popularizou a cantiga, é a solteirona, a moça-velha que se enfeita - bota pó e tira pó -, mas não encontra marido. E assim, a vitalina que ficou no caritó é como quem diz que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta.
No gênero comédia romântica e baseado na peça teatral homônima, Maria do Caritó, escrita por Newton Moreno e ambientado no nordeste, e gravado na cidade de Peacatuba, em Minas Gerais, onde a fotografia remete às pequenas cidades do interior, trazendo a poesia e o azul como motes no começo do  longa.



Nessa máxima que segue o enredo de Maria de Caritó, longa protagonizado por Lilian Cabral (Maria), a moça que chega aos seus 50 anos  e ainda virgem, vítima da promessa que seu pai diz ter feito ao santo desconhecido quando ela …