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Resenha do livro Ninfeias negras, de Michel Bussi (Editora Arqueiro)




Giverny é uma cidadezinha conhecida mundialmente e que atrai multidões por causa de Claude Monet e seus quadros das Ninfeias. E é nessa cidadezinha que ocorre um assassinato de um médico respeitado.
Com os investigadores dentro de uma trama que fica cada vez mais complexa, nos vemos em um enredo que se desenvolve a cada capítulo para algo que não esperamos e que, próximo do fim, se mostra uma arte impressionista.
E nessa história acompanhamos três protagonistas ligadas pelo mistério e que desejam sair da cidade. Fanette, uma garota de 11 anos, egoísta. Stéphanie, uma professora, mentirosa. E uma senhora idosa ,má.
Infelizmente só uma poderá sair da cidade.
“Isso durou treze dias. O tempo de uma fuga.
Três mulheres vivendo num vilarejo.
A terceira era a mais talentosa; a segunda, a mais esperta; a primeira, a mais determinada.
Na sua opinião, qual delas conseguiu escapar?
A terceira, a mais novinha, chama-se Fanette Morelle; a segunda era Stéphanie Dupain; a primeira, a mais velha,
era eu.”
Ninfeias Negras foi uma surpresa, pois comecei a ler o livro imaginando que seria um simples mistério como qualquer outro. Um assassinato, um assassino babaca, um policial gostosão, a mocinha em perigo, uma velha fofoqueira. Tudo a que temos direito.
Mas não foi. Ele aborda o abuso de uma forma muito bem posta, abusos que não conseguimos enxergar, nem os espectadores, nem a vítima, porém ele está lá, da forma mais feia e nojenta possível.
“O Crime de sonhar eu consinto que seja instaurado.”
E sim, para a vítima deste livro, o sonho realmente se tornou um crime.
Só que este é um livro cujo final é que o salva (sabe as Aventuras de Pi, que você assiste entediado até ver o final e ficar impressionado? O livro é igual). A leitura é arrastada e os personagens não são muito carismáticos. Eu sinceramente só gostava do assistente do investigador.
A velha, com suas opiniões ácidas e que fica observando tudo de longe por ser curiosa, não encanta, te deixa apenas com aquele tédio interior mandando que ela desembuche logo o que ela sabe.
“Vão ficar impressionados com a quantidade de idosos. É bem provável que eles serão mais numerosos do que os outros. Primeiro, porque é assim, não param de nos repetir: há cada vez mais velhos no mundo. Segundo, porque os velhos não têm mais o que fazer a não ser vagar pelas ruas. Por fim, e principalmente, porque ninguém presta atenção neles; é assim que as coisas são.”
A professora, Stéphanie, cansa com suas mentiras e poses para conquistar o investigador (que só quer ficar correndo atrás dela, em vez de investigar o caso de assassinato), para trair o marido e sair da cidade que a faz se sentir presa.
“Sempre gostou de que ela falasse das crianças da escola. Como se fosse uma evasão que ele tolerasse... Os carcereiros devem mesmo se refestelar quando os prisioneiro lhes falem sobre os pássaros no céu.”
E Fannete é uma garota de 11 anos, talentosa na pintura e que acredita que seu dom a levará para fora da cidade. Era para ela ser egoísta, mas tirando que ela era só um pouco irritante com os amiguinhos, é a personagem pela qual senti mais empatia e cujas ações eu compreendia.
“- De ser egoísta! Minha pequena Fanette, a genialidade incomoda todos os que não a têm, ou seja, quase todo mundo. A genialidade afasta você de quem você ama e provoca inveja nos outros. Você entende isso?”
Como eu disse antes, você nãos e apega a nenhum personagem do livro. Até o final.
O final que te faz entender a ação de cada um, que te faz sentir um amargor na boca por saber que apenas uma delas poderá sair da cidade.
Com o final, você acaba torcendo pela felicidade de cada personagem, mas, como na vida, isso não acontece, e ainda te deixa em dúvida se realmente houve felicidade.
No livro também conhecemos um pouco mais de Claude Monet e de suas Ninfeias, que é cultura gratuita e que vale a pena saber (pelo menos você consegue conquistar um crush com seus conhecimentos sobre um mestre impressionista).
Essa é uma das famosas Ninfeias de Monet. No meu fundamental, na aula de artes, tive que pintar esse quadro. Acabou que meu professor roubou todas as artes dos alunos e eu nunca descobri o nome da obra da qual eu fiz uma releitura. Impressionantemente, oito anos depois eu descobri.
Minhas considerações são que é uma leitura que vale a pena, mesmo sendo arrastada, mesmo os personagens não despertando empatia, o final vale por tudo.
Nota: 3 nenúfares em um laguinho com uma ponte japonesa.
Resenha por: Dhuane Monteiro

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