Pular para o conteúdo principal

10 motivos para homens e mulheres, sim!, verem Eu não sou um homem fácil, um filme de Elànore Pourriat, original da Netflix


Com essa sinopse, muitos podem fugir do filme "Eu não sou um homem fácil" (Je ne suis pas un homme facile)
Um machista inveterado prova de seu próprio veneno ao acordar em um mundo dominado por mulheres, onde entra em conflito com uma poderosa escritora. 

Mas eu digo, vejam!

1. Não é um filme para se odiar os homens. Sim, é um filme feito por uma mulher. Sem misandria. 

2. Não é uma sátira grotesca dos homens como “Do que as mulheres gostam” é uma sátira grotesca das mulheres disfarçada de romance engraçadinho. 

3. Se você se sentir desconfortável e rir e se alternar entre rir, chorar, ou ficar quase chorando, e rir e pensar, meu, sério, é assim mesmo, o filme já cumpriu um de seus papéis mais importantes. Te fazer pensar. Afinal, é uma inversão de papéis, mas o filme não é simplista. É sátira, mas não é cruel nem desumana. Não desumaniza, não transforma os homens (nem as mulheres) em monstros. Os personagens têm profundidade, não são planos, até os coadjuvantes recebem uma atenção e um desenvolvimento especiais. 



4. Tem (bons) clichês e segue (quase) toda a fórmula da (boa) comédia romântica heteronormativa vigente, ainda com um casal hétero, mas eu quis dizer nesse sentido de regras implícitas das comédias românticas. Eu disse quase porque, não quero dar spoilers, mas, alguns dos clichês que mais me revoltam não estão lá. Pois é, não tem traição (do casal principal; só posso dizer isso para não estragar a história). Pronto, falei. Acho desnecessário ter isso e pensa bem se isso não tem em muuuuitas comédias românticas. Geralmente por parte do homem. E como já mencionei aqui, clichês bem usados são ótimos. Dane-se que a vida pode ser feia às vezes (ou muitas vezes) e os relacionamentos e as pessoas podem ser cruéis e tóxicos. Mostrar que pode sim ser diferente é altamente bem-vindo. Reverte os papéis, e mesmo se servindo de clichês como apperitif, o prato principal e os acompanhamentos são dignos de uma gastronomia, digo, de um cinema de qualidade e entretenimento ao mesmo tempo. Um filme para aquecer corações frios, mas talvez não consiga. Porque tem gente que tem coração frio mesmo que nem o fogo mais intenso será capaz de derreter, infelizmente. O que me leva ao motivo 5. 

5. Ah, vamos testar sua empatia? Como o filme é sério, mesmo quando é engraçado, quero ver se algumas cenas mais fortes vão te fazer rir. Se isso acontecer com algumas cenas realmente perturbadoras, sei lá, faz um reality check e vê se você não precisa de ajuda médica, sério. Como mencionei na crítica de Eu, Tonya, fiquei pasmada com as pessoas gargalhando quando a mãe atira a faca na filha. Violência doméstica NÃO É ENGRAÇADO.



6. Se você, homem ou mulher, ainda não entende o quanto a misoginia está tão enraizada e presente, mesmo com todos os avanços da sociedade (ou nem tantos), o filme pode te dar um tapa na cara e quem sabe, quem sabe, te fazer ver o quanto isso é péssimo. O que alguns chamam de flerte, é sim, assédio. A mulher não tem o simples propósito de servir ao homem. E o filme mostra e desenvolve isso sem ser um panfleto cinematográfico de propaganda feminista radical. Igualdade não é sinônimo de superioridade. Nem para homens nem para mulheres. Tem personagens profundos, humanos, que amam, sofrem, sentem-se bem, mal, e eles são homens e mulheres. E eu já disse que ainda assim é mais que mega divertido? O que me leva ao motivo 7.

7. É fofo. Por ser um filme humano e não uma propaganda de superioridade feminina, o filme mostra que não é típico de mulher ser emotiva, etc., que homem pode sim dançar balé e mulher, ser lutadora de boxe, etc., jogando no lixo tudo isso que a (nossa) sociedade acha “normal” e referente a um ou outro sexo. Se eu for listar aqui todos os comentários do naipe “mulher nasceu para a cozinha, logo cedo a mãe ensina a cozinhar” que ouço com uma frequência absurda, vai ficar chato. Mas é bem por aí…

8. Tem sexo e é mostrado de várias formas, aquela zoação invertida com os clichês de filmes (horrorosos) como American Pie e tem sexo bonito, gentil, entre humanos que se conectam. 

9. Eu já esperava que lá pelo quinto motivo já os tivesse convencido, mas, vamos lá… Aquele final! Acima de todas as mensagens, pode-se dizer que é um filme sobre superação de preconceitos e medos, seja de homens e de mulheres, no mais íntimo nível pessoal, de aprender a se defender e viver, seja em um mundo machista ou em que prevaleça a misandria. As lutas, diárias, são de todos, gente. Todos que de alguma forma ainda respiram. Mas sim, nós mulheres estamos expostas a muitos horrores da sociedade machista. Não há como negar isso. 



10. Precisa mesmo de um décimo motivo? Ok, de alguma forma é o entretenimento leve mesclado com mensagens profundas, nos fazendo ser otimistas e achar que sim, é possível ainda ter fé na humanidade. E que venham mais filmes como esse. 

Comentário final: enquanto estava preparando esse post e pesquisando fotos, me deparei com várias babaquices masculinas na nossa amada e odiada internet, e uma das pérolas foi (gente, tem homens maravilhosos na minha minha vida, com quem trabalho, amigos, etc., não odeio homens, se ainda não ficou claro. Ok? Ok.) Respondendo a uma perguntinha de um babaca enquanto eu pesquisava as fotos, não, esnobar uma mulher não vai deixá-la atraída por você. Eu particularmente, o acharia um babaca. Não vou discorrer sobre a psicologia disso, mas vocês realmente se perguntam isso ainda em pleno 2018? Esnobar  a mulher de quem tu gosta, cara, para fazer joguinho, é pátético. Em teoria, porque também por mil motivos sobre os quais também não vou discorrer aqui, mas se sintam à vontade para comentar, tem menina/mulher que entra em relacionamento tóxico e às vezes sem nem mesmo saber que é tóxico. (E sei que tem homem também, mas a base estatística é de que a maioria é mulher, sim.) Sim, em pleno 2018. Por quê?  Infelizmente, porque, como também menciono na crítica de Eu, Tonya, se a base da ideia de relacionamentos que a pessoa, seja homem ou mulher, tem, tipo, em casa, é tóxica, como disse Tonya, ela vai achar "normal" a toxicidade. Como disse Tonya, mais ou menos assim: Meu marido me bate e me ama, e eu acho normal, porque minha mãe me batia e me amava. É, triste, mas é a realidade. Vamos mudar isso, um pouquinho de cada vez?


Trailer:



Comentários

  1. Vc escreve muito bem e me convenceu a ver um filme que eu NUNCA me interessaria 👍👍👍
    Demais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fui ver esperando gostar, mas com medo de que fosse extremista. Gente, é um filme que eu queria que TODO MUNDO VISSE <3333333 Muito acerto em um filme só! <3 Veja sim, e vc vai rir, e chorar, é como falei hehe :)

      Excluir
  2. Adorei os motivos e fiquei querendo ver o filme, com td certeza! Só preciso confessar uma coisa: fui uma das que riram quando a mãe atira a faca na Tonya...! Rsrs não prla violência doméstica, óbvio, mas enfim, o contexto, as personagens...

    ResponderExcluir
    Respostas



    1. Sério sobre Eu, Tonya? Como te conheço e você é uma fofinha... Tá vendo, não são só as aparências, mas as risadas enganam. Olha eu julgando aqui, heheh, mas eu fiquei assustada mesmo. Sei lá, eles pararam a música, ficou um clima tenso e por ser mãe e filha... PQP! Fiquei assustadíssima... O filme tem mesmo esse tom "engraçado" para mostrar algo sério: fato.

      Que nem esse daí que estou indicando, algumas situações engraçadas demais, mesmo sendo "maldade". Mas violência doméstica e maus tratos a animais são duas coisas (não que eu ache o resto de violência ok, tá? hahahahhaha} com que realmente tenho dificuldade de lidar. Embora ame Happy Tree Friends e O livro dos coelhos suicidas ;) Talvez porque os animais maltratem a si mesmos e, obviamente, são sátiras e/ou comédia de humor mais sombrio que o lado sombrio da Força hahaha

      Excluir
    2. Kkkkkkk é engraçado, as pessoas me acham fofinha, mas qdo me conhecem mais a fundo eu não sou tão fofinha p algumas coisas não rsrsrs. Gosto de tramas meio cruéis e tenho uma ligeira queda para o pessimismo no meu gosto para filmes e livros, gosto de humor negro, enfim. Mas o q eu gostei tanto em Eu, Tonya é q apesar de parecer exagerada a relação mãe-filha, na vida real as coisas não são tão diferentes daquilo. De certa maneira, esse padrão de expectativas, agressões físicas ou psicológicas, destruição da autoestima, isso td acontece o tempo td. Só que o filme brilhantemente trouxe essas cenas com um olhar hilário. =)

      Excluir
    3. Como a gente trocou mais ideias sobre isso, acho q é isso mesmo q vc falou: o fato de ser com base em fatos reais me fez não rir daquilo (li a história dela depois, parece que foi muuuito pior, tanto com a mãe quanto com o ex-marido). Mas eu ri muito em outras cenas. Claro, teve esse lado brilhantemente hilário como vc disse. Eu, Tonya não é só um dos melhores filmes que vi esse ano (e já vi um monte), como é um dos predieltos da vida. E, aaaaah, confesso que rio demais com Hannibal, a série hahahahahahahahah Não dá, não consigo me controlar. Mas eu juro que não sou psicopata :)

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

La Boya, um filme de Fernando Spiner

Maria do Caritó, do tablado para o cinema, diverte ao mesmo tempo em que faz críticas muito necessárias

No dicionário popular, Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. Vitalina, conforme a popularizou a cantiga, é a solteirona, a moça-velha que se enfeita - bota pó e tira pó -, mas não encontra marido. E assim, a vitalina que ficou no caritó é como quem diz que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta.
No gênero comédia romântica e baseado na peça teatral homônima, Maria do Caritó, escrita por Newton Moreno e ambientado no nordeste, e gravado na cidade de Peacatuba, em Minas Gerais, onde a fotografia remete às pequenas cidades do interior, trazendo a poesia e o azul como motes no começo do  longa.



Nessa máxima que segue o enredo de Maria de Caritó, longa protagonizado por Lilian Cabral (Maria), a moça que chega aos seus 50 anos  e ainda virgem, vítima da promessa que seu pai diz ter feito ao santo desconhecido quando ela …