Pular para o conteúdo principal

Belo e onírico, "Quase Memória" é o novo filme autoral de Ruy Guerra que eu recomendo até mesmo para quem (ainda) não é fã do diretor.




"A ficção é apenas uma realidade que ainda não aconteceu."
"A lógica de uma boa história só se revela no final."

Memórias. O que são as memórias? Elas nos definem? Se sim, o que acontece quando as perdemos, seja por alguma doença ou simplesmente porque as memórias foram feitas para se esvanecerem? (Eu li ou ouvi isso que destaquei, e não me lembro de onde >.<)

“Quase memória” é um filme lindo. Confesso que a premissa do filme me encantou, assim, logo na sinopse. Por algum motivo desconhecido, uma dobra no tempo, um capricho misterioso da vida, seja o que for, não sabemos, faz com que Carlos do presente, desprovido de memória, se encontre com Carlos do passado - e toda a história gira em torno das memórias que eles têm do pai, de suas aventuras pitorescas, de sua relação com a mãe dele(s), com amigos, conhecidos, com seu trabalho. O filme é poético, as atuações são quase teatrais (em um sentido positivo, não no sentido de forçadas) e eu me encantei com essa história que adapta, com sua singularidade, o livro “Quase Memória” de Carlos Heitor Cony. (Apesar das diferenças de abordagem, creio que se você também é fã do escritor e deste livro especificamente, vai muito se encantar com o filme.)

Confesso também que fiquei um pouco entristecida por saber que esse lance do encontro dos dois Carlos não tem no livro - porque eu me encantei demais com isso antes, durante e depois de ver o filme. Na coletiva que aconteceu depois da cabine de imprensa, Tony Ramos e Ruy Guerra falaram sobre o filme e Ruy disse que essa criatividade veio para se encaixar no orçamento. Algo que, para mim, acabou dotando o filme de algo tão único e belo, pois o desenvolvimento da relação e das lembranças dos dois Carlos e aquele final tão singelo foram tão encantadores que, embora eu não tenha lido o livro, acabaram tornando o filme tão especial para mim. 



A simplicidade da narrativa, a beleza da fotografia, a naturalidade dos atores… tudo muito lindo e incrível.Não somos apenas definidos e/ou marcados por nossas memórias (ou falta delas), mas sim também pela forma como os outros se lembram de nós. Quando partimos, seja mudança de lugar mesmo ou quando morremos, o que se sabe de nós é totalmente moldado pelo prisma da memória dos outros. 



Um filme reflexivo e belo e poético que me encantou profundamente, “Quase memória” é um dos filmes na nova safra do cinema nacional que conquistou meu coração. Super recomendo, com insistência até, se você, como eu, curte esse estilo de filme com um ar mais onírico e até mesmo meio fantástico, que usa a moldura e a estrutura desse estilo de narrativa para comunicar-se com o espectador, e se sua opção do menu cinematográfico do dia for em busca de algo belo e intimista que o leve a reflexões sobre a vida, a morte, a(s) memória(s), tudo isso envolvido em um papel delicado e com uma fita de cetim macio, um encanto, um deleite em forma de filme. 

Nota: 5 pacotes misteriosos (quem vir o filme, entenderá a referência :P)



Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

La Boya, um filme de Fernando Spiner

Projeto Gemini traz a nova tecnologia 3D+, apela ao público gamer e proporciona uma intensa imersão

Dirigido pelo Hollywoodiano vencedor do Oscar®, Ang Lee, e produzido pelos renomados produtores Jerry Bruckheimer, David Ellison, Dana Goldberg e Don Granger, o novo filme de Will Smith, “Projeto Gemini” traz a inovadora tecnologia 3D+, High Frame Rate, em que o filme é gravado em 124fps (os filmes normalmente são gravados em 24 fps), o que nos dá uma visão ultra dimensionada de detalhes e uma sensação de total imersão nas cenas do filme.

No longa de ação, Will Smith vive o papel de um misto de agente/assassino, “Henry Brogan” que, ao decidir se aposentar, é surpreendido sendo perseguido por um agente mais novo de seu próprio bureau. No elenco também estão Mary Elizabeth WinsteadClive Owen e Benedict Wong.


Com a temática científica da possibilidade da clonagem humana para fins bélicos, lembra outras abordagens tais como O Soldado Universal e O Exterminador do Futuro.

Em suas cenas de ação, claramente podemos sentir referências a Missão Impossível com algumas pegadas ao bom estilo John …