Crítica do filme Jogador número um, um filme de Steven Spielberg




Como funciona a nostalgia? Bem, a gente se lembra de uma forma geralmente endeusada de um lugar, de uma pessoa, de uma época. É assim que funciona a memória na nostalgia: uns curtem mais o século XIX, deixando de lado os problemas sociais, as curtas expectativas de vida, etc., em nome de tudo que a pessoa gosta dessa época. É a mesma coisa com essa onda retrô que temos visto em livros e filmes das décadas de 1980 e 1990. Stranger Things, Everything Sucks, A fortaleza impossível.. e aí temos O jogador número um. 

Gente, eu DE-TES-TEI esse livro. O bom é que eu já havia começado a fazer a coisa libertadora de abandonar livros ruins. Sim, é libertador! Temos dias contados na face da Terra (não é ser dramática, é ser realista) e perder tempo lendo coisa ruim é triste. Pois é um tempo em que poderíamos ter desfrutado coisas boas e belas em vez de ficar lá lendo a coisa ruim. Então, eu me lembro de que Jogador número um é um livro ruim, mas na verdade, é péssimo. E o filme? Confesso que eu tinha esperanças em relação a ele. De que as coisas ruins do livro fossem ser modificadas. E, parabéns, Sr. Spielberg, você conseguiu essa façanha! 



O que é chatíssimo no livro - as “referências”, na verdade, são só descrições entediantes que tornam um livro ruim ainda pior -, no filme aparecem em outro formato, o visual, e ficou simplesmente incrível. A animação (maior parte no filme, porque, né? Duh, mundo virtual) é bela, ahhh, o amado Gigante de Ferro desempenha um papel importantíssimo no clímax (eu preciso rever esse filme, gente, quem não viu, veja, talvez eu fale sobre ele aqui depois de rever). E, sim, como vários notaram, as referências são mais de filmes do que de jogos (embora as referências de jogos estejam lá, só que não são totalmente gratuitas só para constar e tornar o filme (como o livro tenta, e fracassa) deixar o filme mais nerd. 

Bem, é um filme para a família. Não é muito profundo no lance distópico, não mostra os personagens acima do peso, como é no livro, mas tem mais méritos do que o livro, já que Art3mis não é simplesmente um prêmio que Wade ganha no final. As motivações dela são reais e válidas e aquela misoginia latente, para não dizer, explícita, no livro, não grita nas telas. Sim, ainda é forçada uma coisa aqui, outra ali, não é perfeito, o romance é meio corrido, mas não chega a ser péssimo como em Valerian e Baby Driver. 

Embora o foco (quase) todo seja em Wade, na verdade os personagens crescem, se envolvem e se desenvolvem, e o filme é bem isso: uma aventura com algumas pinceladas de fundo pessoal e social envolventes, em um ritmo alucinado que até se reflete no filme, com a metalinguagem: sim, a vida real é mais lenta do que a virtual. Nossas vidas reais são mais lentas do que os filmes (bem, nem todos, rs, tem uns que pelamor, mas isso não vem ao caso, lol)… 

Enfim, de uma pessoa que odiou o livro profundamente, eu dou nota 5 para o filme. Por ser um bom filme, bem feito, bem dirigido, com boas atuações, com vilões toscos, sim, mas bem menos toscos do que no livro, fala sério! E também, por aquele momento daora em que a Art3mis faz com Parzival o que muitos meninos nerds fazem com as meninas na vida real: questiona se ele é realmente nerd e seus conhecimentos. Uau, mesmo que virtual, é uma boa vingancinha ;)



Tem problemas? Sim, não é perfeito. Nem todos os filmes são um Jurassic Park, que eu já vi e revi e permanece impecável com a passagem do tempo, mas alguns, como Jogador Número Um, conseguem captar aquela nostalgia que temos dos típicos "filmes de aventura da Sessão da Tarde". 

Ps.: Ainda acho chocante ver as pessoas na rua "brincando" na realidade virtual e o mundo aquele... lixo =/ Tenso. Mesmo que de leve, tocou bem nesse ponto, e muitos usam outros tipos de escapismo... é para se pensar, certo?

Pps.: Essa crítica do livro resume bem o que eu também achei dele... só que eu parei de ler em vez de me torturar desse jeito... 

Comentários

  1. Concordo, eu acho chocante também a história que está por trás de toda a ação e aventura do filme. Eu gostei bastante tanto do filme quanto do livro, é bem distópico. Adoro ler livros, cada um é diferente na narrativa e nos personagens, é bom que cada vez mais diretores e atores se aventurem a realizar filmes ficção científica . Adorei Jogador n1,, porque tem toda a essência do livro mais uma produção audiovisual incrível. Este livro conta uma história extraordinária. Outro fator que fez deste um grande filme foi a direção do Spielberg, seu talento é impressionante. PS: Ótima critica.

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