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Porque você precisa ler o livro Simon e a agenda homo sapiens, de Becky Albertalli, e depois ver o filme Com amor, Simon



Simon e a agenda homo sapiens. Com amor, Simon. Leia o livro. Assista ao filme. Você precisa, você deve fazer isso! Nessa ordem… de preferência. Este é um livro que nossa época talvez não mereça… porque, sim, por mais que tenhamos pessoas pró-igualdade, pró-direitos das mulheres, LGBT, de minorias, ainda temos muita gente retrógrada que quer manter o (decadente) status quo do século XX em vigor… mas é um livro do qual ela muito precisa! E o filme é um amorzinho bônus que complementa a leitura e que, embora mude algumas coisinhas, também é puro amor (gente, são duas mídias diferentes e tem que ser diferente e tal, certo? Ok.) 




Sabe aquele livro que você não consegue parar de ler? Que, se não precisasse trabalhar, comer, dormir, você se trancaria no quarto (ou… insira aqui seu local de leitura ideal ou idílico, nossa, eu fiquei assim tipo “eu quero o quarto do Simon e aquela cama que delícia”, mas já estou divagando…) e não pararia de ler? Pois é, para mim “Simon e a agenda homo sapiens” é um desses livros. Uma pérola rara em meio a um mar de mesmice e lugar-comum, o livro que foi bela e singelamente transposto esse ano para as telas conquistou um lugar querido no meu coração. 

“Às vezes, sinto como se minha cama fosse um bote salva-vidas.”

Já parou para pensar e ver e rever seus preconceitos? Porque, sim, todos nós temos preconceitos. Sim, NÓS. Ideias pré-concebidas ou o preconceito em seu sentido como mais usamos a palavra atualmente. Às vezes você nem sabe, e ele está lá. Preconceito literário, por exemplo: quanta gente reclama que “está cheio de livros para jovens, essas coisas de YouTubers, jogos e bom mesmo é Gabriel García Marquez, Guimarães Rosa e Shakespeare". Bem, isso renderia um artigo em si, mas o caso é que novos tempos pedem novos livros. E a qualidade independe de se o livro foi escrito e publicado em 1600 ou hoje, mas algo que os livros atuais, escritos atualmente (parece redundante, mas foi proposital) tratam de temáticas… adivinhem? ATUAIS. Porque a visão do autor, quer ele fale sobre o passado, o presente ou o futuro, acaba, sendo intrinsecamente, a visão DE HOJE. 

Por mais que Philip K. Dick, por exemplo, para citar um autor que eu adoro,  ainda seja atual, seus escritos não têm a mesma abordagem de autores mais contemporâneos (porque o Zeitgeist era totalmente diferente) que têm livros como essa belezinha, essa joia rara da literatura Young Adult LGBT (pretendo escrever algo mais para a frente especificamente sobre literatura LGBT e queer, mas o foco agora é o livro em si - e sua adaptação cinematográfica) que não pode e nem deve ficar só no nicho: acima de ser um livro sobre sair do armário e tudo que isso envolve na nossa sociedade atual, é um livro sobre experiências, amizade, amor… enfim, vida. Sobre ser jovem (e adulto também, pois uma das partes mais emocionantes é a do pai, na minha opinião, muito bem transcrita no filme), ser adequado ou não, crescer, amadurecer, viver. É um livro que celebra a diversidade, de cor, raça, orientação sexual, que lida com os temas difíceis com uma leveza bem-vinda, com personagens carismáticos e que nos conquistam. Que têm qualidades e defeitos, sim, pois o ser humano não é perfeito e a perfeição pode ser assustadora e chata. Sobre ser você mesmo, acabar sem querer magoando os outros, até mesmo aqueles que você ama: amigos, pais, filhos, mas mudar, se superar e consertar seus erros. Porque errar pode ser humano, mas persistir no erro é idiotice! 




Com uma escrita deliciosa, personagens carismáticos, um “vilão” que, ao contrário de muitos vilões das histórias em quadrinhos (e seus filmes…), apesar de “torto”, também é humano… e protagonista e secundários que também erram e acertam e evoluem, “Simon versus a agenda homo sapiens” (relançado com a capa do filme como “Com amor, Simon”) é uma joia bela e rara que deveria produzir mais filhotinhos, por favor! 

Becky conseguiu dar vida nas páginas aos personagens mais diversos e que às vezes até mesmo se percebem com preconceitos ou ideias erradas. Como quando Simon nem se toca que os ancestrais de Abby eram escravos. Como quando, no filme, eles brincam com a ideia do estereótipo gay, de músicas excessivamente alegres e cores demais que são associadas a eles. Mas, sim, por que a heteronormatividade é regra? Sempre foi assim? Sempre será? Maioria é sinônimo de normal? 

Minha ideia aqui não é me aprofundar no assunto, mas fazer com que vocês reflitam. E curtam, por favor, curtam e leiam esse livro e vejam a adaptação. Simon e a agenda homo sapiens e o filme Com amor, Simon são dois amorzinhos. Eles se complementam. Amei os atores, o bom humor do livro foi mantido, é ótimo demais! Mas eu sugiro que leia o livro antes de ver o filme. Ah, por vários motivos, mas, entre eles, a surpresa de quem é Blue, o amor de Simon que ele conhece na vida real, mas que acaba conhecendo até mais na internet - porque muitas vezes é mais fácil ser natural e você mesmo com quem, mesmo que em teoria, você não conhece, não é? Porém, se você já viu o filme, leia o livro mesmo assim. Já fiz várias vezes a ordem inversa, e livro bom não deixa de ser bom se você meio que já conhece a história (e fui bem lembrada disso recentemente com Big Little Lies, e olha que o livro/a série têm muitos mistérios que eu já conhecia!) 

“- O que é um dementador?
Ah, não dá.
- Nora, você não é mais minha irmã.
- Então é alguma coisa de Harry Potter - deduz ela.”

Ah, a Leah, que é uma personagem incrível, tanto no livro quanto no filme (ela gosta de fanfiction slash!!!), vai ganhar um livro só dela, Leah on the offbeat, que já quero ler. Gostei tanto da escrita e da abordagem da Becky que já comprei Os 27 crushes de Molly e agora quero ler tudo que essa mulher escreve, por favor, mais, mais! :)

“O carro de Bram é velho, mas o carro de Leah é uma relíquia dos Flintstones. Tem toca-fitas e janelas de manivela. Tem uma fileira de personagens de anime de pelúcia no painel, e o chão está sempre coberto de papéis e garrafas vazias de Coca-Cola. E tem aquele cheiro floral de avó.”

Simon e a agenda homo sapiens (Com amor, Simon) é um livro que provavelmente o deixará com um sorriso bobo no rosto. E o filme também. E, se você não conseguir se conectar com nenhum personagem, por causa de orientação sexual, cor, raça, status social, etc., talvez seja a hora de rever bem a fundo seus preconceitos e pré-conceitos. 

“Ah, não sei nada sobre a África e não sei se isso me torna racista.” 

“O tempo que ela e a maioria dos alunos negros levam indo e voltando da escola todo dia é maior do que o tempo que eu levo em uma semana inteira. Atlanta é uma cidade tão segregada, mas ninguém nunca fala sobre isso.”

Um bônus, ou melhor, dois: No livro, todo aquele lance de se identificar com cultura nerd/geek, gostar de Harry Potter e/ou Star Wars… e anime!!! Sim, tem tudo isso. Mas não é forçado, como em Jogador Número Um (o livro, gostei do filme), nem como, segundo a Dhuane, é em Tartarugas até lá embaixo (eu me poupei de ler esse livro). Segundo bônus: A cena do pai do Simon dizendo que nunca mudaria nada nele e… bem, vou parar por aqui. Ou não. 

Não o convenci ainda? Sério? {Mas, se você leu o livro, viu ou não o filme e quiser ver - ou rever - a cena em que o pai diz que não mudaria nada em Simon, clique aqui} <333  

“Você tem razão quanto às vozes. Acho que teríamos que um usar um tipo de sintetizador para distorcer o som, como o do Darth Vader. Ou poderíamos fazer outras coisas em vez de falar. Só uma ideia.”

Então seguem mais algumas citações porque foi quase impossível não querer citar o livro inteiro. {Vejam a foto ao lado. É, eu estou tentando marcar menos os livros, eu juro, hehehe Mas acabo relendo trechos que mais gostei enquanto seleciono as quotes para a resenha, então desperdício propriamente dito não é *risos* - piada interna, referente ao livro. O *risos* Claro!} 
E, ah, sim, a agenda homo sapiens do título… sim, o título é explicado no livro (eu, particularmente amo isso). E, “Com amor, Simon” também tem tudo a ver! Dois acertos. 



Fofura de livro, fofura de filme. Emocionais, deliciosos, um combo pack de acerto que merece cinco ovelhinhas saltitantes de nota! <3




“Nem sei por onde começar a responder. Um hétero que mal me conhece está me aconselhando a sair do armário. Sou praticamente obrigado a revirar os olhos.”

“Conversar com meus pais é mais cansativo do que ter um blog.” {Gente, dá trabalho ter blog lol - Os pais do Simon são legais. Bem legais. Imagina se não fossem hehe}




“Na escola, tem só um ou dois caras assumidos, e as pessoas são muito cruéis com eles. Não chegam a ser violentas, mas a palavra ‘bicha’ é usada algumas vezes. E tem umas garotas lésbicas e bissexuais, mas acho que com garota é diferente. Talvez mais fácil. Se tem uma coisa que o Tumblr me ensinou é que um monte de caras acha o máximo quando uma garota é lésbica.”

E isso me faz lembrar o que comentamos na aula de cinema LGBT de ontem: o male gaze em cenas de sexo lésbico, como é o caso da adaptação cinematográfica de Azul é a cor mais quente. 




“Minha mãe ficou obcecada com a ideia de eu ter uma namorada, já que eu nunca tinha namorado antes. Não sei porque foi uma surpresa tão grande para ela; tenho certeza de que a maioria das pessoas nunca tinha namorado antes de começar a namorar.” {*risos* *muitos risos*}

“Acho que eles se sentem tão seguros quanto à masculinidade que nem ligam.
E eu odeio quando as pessoas me dizem isso. Eu também me sinto seguro quanto à minha masculinidade. Sentir-se seguro quanto à masculinidade não é a mesma coisa que ser hétero.”

“Sério, gente, ele parece um personagem de anime. Quase consigo ver os corações saltando dos olhos dele.” 




Extra bônus: Tem gente que reclama da “agenda gay”, da “agenda feminista”, da “agenda esquerdista”, enfim, de toda e qualquer agenda. Mas, gente, sério? O “tal” do Zeitgeist move as engrenagens do mundo e ajuda na formação dessa agenda, né? E não é lindo e libertador ver como as “agendas em voga” estão nem que seja só um tiquinho… MAIS HUMANAS E LIBERTÁRIAS? <3 


TODO MUNDO MERECE UMA GRANDE HISTÓRIA DE AMOR <3 Com vocês, o trailer de Com amor, Simon :3



Comentários

  1. Adoreiii! Estou terminando de ler, me surpreendi! Faça de suas palavras as minhas. E se me permite corrigir é Sair Do Armário 😅😂.
    Recomendo muito! O texto está ótimo 💜

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    Respostas
    1. Amor demais, né? <3
      Ahhh, nessa citação específica ali do Simon não é não. Com as maiúsculas. Aquela é quando ele fala do chantagista, não de quando ele troca mensagens com o Blue ;)

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    2. Depois de várias explicações ruins, você entendeu a referência!!!
      Mas é isso ai, Sair do Armário, maiúsculo, com mais constrangimento! 😂😂

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  2. Eu amei muito o livro e o filme! Tanto que nem sei dizer de qual dos dois eu gostei mais - gostei na mesmíssima intensidade. <3 Acho que o que mais me inspirou nessa história foi a simplicidade com que a homossexualidade foi tratada, sem grandes dramas, e o Simon se mostra de bem consigo mesmo, ele aceita e não sente vergonha de ser gay.

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