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Acertando o Passo, de Richard Loncraine (ou aproveite as segundas chances)



Em plena festa em que o marido recebe o título de Sir, Sandra Abbott (Imelda Staunton) o pega aos beijos com sua melhor amiga. Magoada pela traição que arruinou seu casamento de 40 anos, ela vai procurar abrigo na casa de sua irmã Bif (Celia Imrie). Mas as duas são totalmente diferentes: enquanto Sandra é toda formal e preocupada com as aparências, Bif só faz o que quer e leva uma vida mais simples. Em uma tentativa de animar a desconsolada Sandra, Bif arrasta a irmã mais nova para sua aula de dança, e é então que tudo começa a mudar na vida da caçula.

O início do filme me fez lembrar de “Blue Jasmine”, com a irmã esnobe chegando de supetão na casa da irmã mais pobre e criticando o estilo de vida da anfitriã. Obviamente há julgamentos e conflitos entre Sandra e Bif nos primeiros momentos, mas a convivência forçada e o resgate de lembranças da infância fazem as irmãs recuperarem, aos poucos, a cumplicidade há muito perdida. A cada dia fica mais evidente que voltaram a confiar uma na outra e que a admiração mútua só cresceu.


A aula de dança abre as portas do passado e faz Sandra se reconectar com sua versão criança, quando participava de concursos de dança e era feliz em sua simplicidade. A aula também lhe dá a chance de viver um novo amor: Charlie (Timothy Spall), um dos alunos da classe, que usa o sarcasmo para se proteger do mundo e esconder sua dor. Também é a dança que faz o grupo predominantemente da terceira idade se manter ativo, estabelecer laços de amizade e, ainda, se mobilizar para ajudar uma instituição que cuida de idosos – e a performance do grupo na Piccadilly Circus os transforma em sensação da internet e os leva para outras cidades para participarem de apresentações.

Embora a dança seja primordial e os personagens principais sejam mais velhos, é um filme para todas as idades, pois trata de assuntos caros a todos nós: relacionamento entre irmãos, amizade, amor romântico, sonhos e segundas chances. Sandra, apesar de sua decepção no casamento, é agraciada com uma nova possibilidade de se reaproximar da irmã, com quem não falava havia anos por causa de divergências de opinião, com uma nova oportunidade de amar, e, sobretudo, com uma nova chance de levar a vida como quiser e de fazer o que gosta sem anular suas vontades, como sempre fizera enquanto esposa e mãe.


Um filme delicioso que equilibra bem cenas engraçadas e momentos tristes e que tem uma mensagem final positiva. Daqueles que aquecem o coração.

Nota: 3,5 valsas pelo salão
Estreia: 10 de maio

Curiosidade:
A história foi inspirada em um grupo de teatro da Grã-Bretanha, que na tela se transformou em uma turma de dança formada por alunos da terceira idade.

Trailer:

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