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Colheita Amarga, de George Mendeluk (romance + um pouco de História)



Na Ucrânia dos anos de 1930, diante da coletivização de propriedades stalinista, o jovem Yuri (Max Irons) se vê diante do grande dilema de permanecer no campo ao lado da amada Natalka (Samantha Barks) ou ir para Kiev com os amigos cheios de ideais comunistas para tentar o reconhecimento como artista. O avanço do Exército Vermelho em sua cidadezinha natal obriga Yuri a tomar uma atitude.

O filme começa em 1917, com a queda do czar russo pelos bolcheviques, o que significou a libertação da Ucrânia das garras do imperador da Rússia. Tal fato é celebrado na pequena cidade rural de Smila, onde as pessoas parecem viver em paz num ambiente bucólico, com suas tradições e sua religiosidade preservadas. Ivan (Terence Stamp) e Yaroslav (Barry Pepper), respectivamente avô e pai de Yuri, são guerreiros e, apesar de se decepcionarem por Yuri preferir os pincéis à espada, permitem que o jovem faça suas escolhas.


Só que as decisões que Yuri toma no final das contas têm menos a ver com o que ele queria e mais com o que ele precisava fazer para garantir que sua família sobrevivesse ao Holodomor, a política de genocídio por inanição imposta por Stalin aos ucranianos, obrigando os camponeses a entregarem toda a safra para sustentar o regime socialista com a intenção de anexar a Ucrânia à União Soviética.

O filme tem pontos positivos e negativos. Dos aspectos positivos, destaco primeiramente a importância de mostrar ao mundo esse evento nefasto que teve o número de mortos estimado entre 7 e 10 milhões pelas Nações Unidas em 1950 (estimativa citada no filme), e que passou a ser oficialmente reconhecido pela Ucrânia só em 2006, embora o contingente de vidas ceifadas varie, dependendo da fonte, entre 3 e 20 milhões. Contar a história desse povo silenciado é reconhecer e validar tal acontecimento. Outro aspecto que me agradou foi o belo visual de cores vibrantes do início do filme que vai ficando cada vez mais escuro conforme as atrocidades vão desfilando na tela.


Nos pontos negativos incluo o tom blockbuster da história, que transforma uma narrativa de horrores com base histórica em um filme acelerado que vai emendando um pico de ação no outro sem nem dar ao espectador tempo de sentir o peso do que é mostrado na tela, de se importar com todas aquelas vidas devastadas ou de se envolver com os personagens – parece um daqueles filmes em que a filha/esposa do herói é morta e ele sai arrasando tudo e matando quem cruzar seu caminho para se vingar. De um personagem simplesmente humano que tenta encontrar um rumo na vida, sobreviver e proteger sua família, Yuri passa a ser uma espécie de Bruce Willis/Charles Bronson ou qualquer outro ícone de filmes de testosterona.

O melodrama também não ajudou. Nada contra ter o romance de Yuri e Natalka como foco e o Holodomor como pano de fundo, mas acho que nem isso funcionou direito, e acabei me irritando com o tanto de música inserida em toda cena para forçar umas lagriminhas (não deu certo).

Em suma, é um filme mediano que vale mais como reconhecimento de um período terrível da história ucraniana que foi ocultado durante muito tempo – e que merecia um registro melhor na ficção.

Nota: 3 imagens de São Jorge (essa só assistindo para saber de onde veio)
Estreia: 24 de maio

Trailer legendado:
  

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