Pular para o conteúdo principal

O super-herói da moda tem nome. Apresento a vocês o Agênero




Cada vez mais o conceito de moda agênero vem crescendo no mundo fashion, o que quebra a divisão de roupas de homem e de mulher, dando a liberdade a cada pessoa para escolher as peças de roupas que acha mais confortável e representativa para si.

Mas isso não deve se prender apenas ao mundo das passarelas, e se for analisado em uma visão mais prática e cotidiana, vemos essa oposição nas roupas mais comuns, como as camisetas de personagens. Você já parou pra pensar o por que de as grandes lojas não disponibilizarem camisetas da Wonder Woman em modelos mais “masculinos”? Ou que, roupas de herói pensadas para as meninas são geralmente blusinhas, batinhas e modelos mais curtos e apertados? É justamente essa separação simplista que é mais percebida e alimenta a segregação de gêneros tanto discutida ultimamente.

A maneira binária de definir o que é roupa de homem ou de mulher, para mim, soa estúpida, tendo em vista que originalmente, lá na época das cavernas, antes mesmo de pensarmos no vestuário como uma forma de civilização, usar uma pele sobre o corpo era uma forma de se proteger, do frio, do sol e até mesmo de outros animais por meio da camuflagem. Não havia diferença, homens não usavam pele de mamute e mulheres de tigre-dente-de-sabre, o objetivo era apenas estar confortável e protegido. É claro que o tempo passou e as percepções de mundo foram se tornando diferentes, mas essa construção dicotômica de moda feminina/masculina foi construída com base numa visão misógina e está mais do que na hora de superá-la.

Esse pensamento que separa as vestimentas como “masculinas” e “femininas” está tão intrínseco que chegou a infectar até a decisão de quais roupas os bebês devem usar. Se for menino, azul, verde, branco e no máximo um amarelo, com estampas de carrinhos, coisinhas de esporte e no máximo um animalzinho (de preferência um leão, é claro). Já pras “princesinhas”, rosa, muito rosa, e no máximo mais um pouco de rosa, com as as princesas da Disney, várias flores, uma casinha, é claro (aquele lugar do qual ela vai cuidar quando crescer) e os animaizinhos (aqui preferimos as borboletas). Assim, desde muito cedo, é aprendido a diferenciar o que um “verdadeiro” homem ou uma “mocinha de bem” deve usar.


A gente cresce, mas as coisas não mudam muito não. Há até um slogan, muito conhecido, “De mulher pra mulher, Marisa.” (leia cantarolando). Quer dizer que depois de crescidas as moças precisam que a tal Marisa defina o que é uma roupa para mulher? Bom, é lá que encontramos o que as mulheres usam, então tecnicamente essas são as roupas certas para uma mulher.
Não pense que eu não tenho noção de que as pessoas têm “liberdade” de escolher o que querem usar. É claro que entendo que se eu quiser usar uma saia no verão, por que é mais refrescante, eu simplesmente vou colocar. Mas, você acha que eu tenho coragem? E não é só pelo lado da segurança, pense nas meninas que crescem vendo que o padrão para elas é usar aquilo que é sexy, até por que essa é a única maneira de conquistar um homem, por que elas têm que conquistar um homem é claro. (doses cavalares de ironia) Isso mostra algo muito mais preocupante, bem além de vestir aquilo que se quer, e sim a escravização das pessoas aos modelos impostos pela sociedade.


Mas, há uma esperança

Nas passarelas de grandes eventos e no mundo fashionista há uma tendência pela produção de modelos agêneros. Algumas marcas, como a PANGEA, fundada em 2015, já trabalham com peças versáteis, que podem ser usadas tanto por homens quanto por mulheres.
Pensando num contexto mais próximo do vestuário do nosso dia-a-dia, as grandes magazines de roupas ainda estão a anos luz de caírem na real e passar a diversificar seus produtos, embora já existem lojas, principalmente on-line, que possibilitam uma escolha mais plural dos produtos. Um exemplo é o site da Tee Now, que disponibiliza uma gama enorme de opções de estampas que podem ser impressas nos mais variados modelos, desde uma batinha até modelos Plus Size. Isso garante a qualquer pessoa, independente de seu gênero, a chance de ter uma peça com seu personagem favorito. Ainda não é um mar de flores, se me permite ser mais chatinho, pois nomear as peças mais justas e as batinhas como femininas, ainda segrega os gêneros e exclui (pelo menos no campo das ideias) a possibilidade de um homem usar um desses modelos.
Antes de qualquer possível ideologia ou posição política que possa estar por trás da moda agênero, existe a busca por liberdade de expressão de seus usuários. A ideia da moda que distingue homens e mulheres foi construída dentro de um padrão sociocultural histórico, e a cada dia temos que buscar destruir esse modelo, como Nova York foi destruída no primeiro filme dos Vingadores (metaforicamente falando, claro).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

La Boya, um filme de Fernando Spiner

Netflix anuncia nova série em mandarim, “A NOIVA FANTASMA”

“Certa noite, meu pai me perguntou se eu gostaria de me tornar uma noiva fantasma...” A nova série original da Netflix “A Noiva Fantasma”, dirigida pelos premiados diretores malaios Quek Shio-Chuan e Ho Yu-Hang, foi produzida na Malásia e conta com uma equipe internacional de roteiristas de Hollywood, Malásia e Taiwan, liderados pela escritora de TV americana-taiwaneesa Kai Yu Wu, conhecida por seu trabalho em sucessos como Hannibal e The Flash.

A produção é uma adaptação de um best-seller homônimo do New York Times, escrito pela malasiana Yangsze Choo e lançado no Brasil, em uma edição belíssima, pela Editora Darkside Books. A série adota uma abordagem de produção refrescante.


A trama se passa em uma colônia da década de 1890, onde a protagonista, Li Lan, uma jovem educada e culta, recebe uma proposta capaz de mudar sua vida para sempre: casar-se com o herdeiro de uma família rica e poderosa. Há apenas um detalhe: seu noivo está morto. A oferta parece irrecusável, já que ajudaria sua fa…