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Resenha de Batman - Criaturas da Noite, de Marie Lu (Editora Arqueiro)


“Aquela, no entanto, era a casa de Bruce. A casa dos pais dele. Eles agora estavam em seu território.

E, em seu território, ele era o predador.”

Bruce Wayne acaba de completar 18 anos e herda a fortuna da família e as indústrias Wayne. Também acaba realizando seu primeiro ato heróico que não foi bem visto pela polícia e com isso acaba no Asilo Arkham, realizando trabalho comunitário.

No Asilo, ele conhece Madeleine, integrante das Criaturas da Noite, uma organização que caça a elite de Gotham e pega o dinheiro para si. Madeleine não fala nada para ninguém, até uma hora em que Bruce está limpando o corredor da cela de Madeleine e ela começa a conversar com ele.

E assim, Bruce entra no caso das Criaturas da Noite e em meio a jogos psicológicos, tenta fazer com que Madeleine revele os planos da organização criminosa. Mas quem está usando quem nesses jogos?

“Bruce ajeitou o blazer e puxou o capuz do moletom. Os morcegos de Gotham voavam à noite; ao parar e olhar para cima, ele viu uma colônia circundando o horizonte, ávida para dar início à caçada noturna. Ele apertou o passo sob o céu cada vez mais escuro, até chegar a ruas iluminadas por débeis poças de luz.”

A escrita do livro é muito fluída, tanto que acabei rapidinho de lê-lo. As tiradas sarcásticas são ótimas e a premissa é super interessante. Pena que não foi tão bem desenvolvido.

Infelizmente nesse livro nos é apresentado muito o Brucie (o lado playboy cabeça oca do Bruce Wayne). Claro que eu não esperava o Batman em um adolescente, mas um garoto que comete tantos erros idiotas me irritou completamente.

Ele se apaixonar pela Madeleine (isso nem conta como spoiler, vai por mim), cometer vários erros, não ter o mínimo de inteligência que se espera do futuro Batman e quando faz algo é tão previsível que você sente vontade de dar na cara dos vilões que caíram no truque.

“-Nos primeiros meses, é uma torrente de empatia. Então pouco a pouco a coisa vai esfriando, e um dia você se encontra sozinho diante do túmulo, se perguntando por que todo mundo seguiu adiante, passou a se preocupar com outras coisas, e você ainda está ali, carregando em silêncio a mesma dor. As pessoas se entediam com o seu luto. Querem falar de coisas novas. Então você para de tocar no assunto, para não entediar ninguém.”

Em resumo, um fã dos quadrinhos do Morcegão pode se decepcionar profundamente, ainda mais porque a história tinha tudo para ser um ótimo romance policial com tiradas sarcásticas maravilhosas e com até uma história interessante do começo do herói. Contudo, temos mais um YA (Young Adult, que eu adoro pronunciar como IÁ na caruda mesmo).

“-Bom, pelo menos você vai poder dizer que cruzou com os criminosos mais perigosos da cidade- acrescentou Dianne, dando uma mordida no hambúrguer.- Tipo, quando é que você vai ter a chance de fazer isso de novo?”

E como a maioria dos YAs, temos mais do mesmo, um jovem adulto fazendo besteiras por causa do amor e mesmo metido no caso de vida ou morte, pensa mais nos lábios da criminosa do que nos crimes que ela cometeu. 

Isso por acaso te lembra do Batman? Claro que não.

Pelo menos temos a grata surpresa de visualizarmos as amizades da adolescência de Bruce, como Dianne e o Harvey Dent. E isso é muito legal, porque acabamos vendo um lado mais humano do milionário (ou bilionário? Sei lá, vamos definir como rico como a maioria de nós nunca vai ser).

O vilão é o tipo de vilão que já saturou, não se importa com nada e com ninguém. Está fazendo tudo aquilo por um motivo vazio e é seguido por pessoas que são mais idiotas ainda por seguí-lo. A luta final foi decepcionante porque foca  no relacionamento da Madeleine e do Bruce.

“O medo clareia a mente. O pânico a obscurece.”

Bem, o livro segue a mesma linha do da Mulher-Maravilha, só que bem mais superficial. Por ser uma fã do Batman, não me encantei tanto com a história e odiei o romance mamão com açúcar. Tinha altas expectativas e nem metade delas foi alcançada. Assim, indicaria apenas para uma leitura sem pretensão e com poucas expectativas.

E para os fãs do Morcego, vocês conseguem notar um toque do Bruce e do Batman, mas é tão pequeno que não vai fazer muita diferença no final. Não leiam esperando o Batman, nem leiam esperando o Bruce. Leiam sem esperar nada.

“-[...] Só porque o cidadão pode, não quer dizer que deva.”

Nota: 3 Robins,  porque um foi espancado com uma barra de ferro por uma autora que focou demais no romance.

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