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Tully, um retrato sufocante da maternidade, um filme de Jason Reitan



      É, chegou a hora de mostrar que a maternidade não é um mar de flores, na verdade, é um rio com corrente muito forte que pode afogar as mamães facilmente. A roteirista Diablo Cody escracha isso na comédia Tully, que chegou aos cinemas no dia 24, justamente no mês de maio, quando comemoramos o dia das mães. A direção ficou nas mãos de Jason Reitman, que junto com Diablo conquistou a crítica em 2009 com Juno e agora fez, pelo menos eu, sair da sala de cinema querendo compensar as dores de cabeça que causei na minha mãe.

      Então, meus queridos, já estamos acostumados a ver a vida perfeita das mamães nas telonas, mas as vidas delas não são bem assim, de jeito nenhum. Depois de nove meses, não tem uma mulher nesse mundo que fique com a sanidade mental impecável e com o físico dentro dos “padrões”, nem mesmo Charlize Theron, que dá vida à exausta Marlo, que dia após dia vive um crescente turbilhão de emoções após ter seu terceiro filho. Os problemas vão desde conseguir alimentar toda essa galera (inclua o pai na soma) até lidar com as dificuldades de seu filho do meio Jonah (Asher Miles Fallica), que tem problemas de comportamento.

      Marlo ainda tem que conviver com aparente perfeição da família de seu irmão (Mark Duplass), que em um gesto de “preocupação” com a irmã, lhe oferece de presente um babá noturna. De cara, Marlo acha a ideia absurda, onde já se viu passar a responsabilidade de cuidar de seus filhos para uma desconhecida, nem pensar. Com o tempo a ideia é amadurecida e eis que a mamãe aceita ter uma ajudinha, surge Tully (Mackenzie Davis) para aliviar a vida de Marlo.



      O longa também explora outro problema da maternidade, a falta de compartilhamento das tarefas com o pai. Bom, ele até ajuda numas coisinhas, mas nada como passar o dia todo drenando leite da teta pra amamentar a criança, mas calma que que o papai da situação (Ron Livingston) vai ter seu momento de peso na consciência.

      Mas, e a Tully? Tully é uma verdadeira fada, que ajuda em tudo que faz a vida de Marlo ser um saco, e mais alguns pontos das vidas das mamães ficam à mostra. Bom, essa mulher tinha uma vida antes dos filhos, não? E como com uma varinha de condão, a babá vai transformando a vida da mamãe e livrando-a de seu sufocamento.



      Tully é uma comédia que consegue tirar risadas do público, mas nos mantém o tempo todo refletindo sobre as dificuldades da maternidade, e sobre as coisas de que as mulheres têm de abrir mão para cuidar de suas criaturinhas. Acho o filme de extrema importância, além de ser cativante e divertido, uma boa pedida para ir ver com as mamães neste mês de maio.

Nota: 4 mls de leite de peito.












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