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Desencavei: Dissecando Kill Bill 1 & 2





O que se esconde por trás da matança e há alguém que deve pagar a conta (Bill)... em nome da vingança??

Lema do filme: “A vingança é um prato melhor servido frio.” 

Meu foco aqui é exatamente sobre o dilema moral criado não quando Bill tenta matar Beatrix Kiddo... Mas sim no dilema moral que ocorre quando a verdade é estilhaçada e exposta nua e crua, de ambos os corações cruéis e sensíveis ao mesmo tempo, não importando o quão absurdo possam a maioria das pessoas achar do meu ponto de vista. Não pretendo agradar à maioria... Quero mostrar o que penso do outro lado do abismo. 

Para realizar tal intento, usarei citações dos mais importantes diálogos no que eu considero o longo clímax de ambos os filmes: as sequências do final de Kill Bill II. 

Como está implícito do filme em si: sempre há uma escolha, e quem pode dizer qual é a certa? Então, leitor... continue a ler e desfrute a leitura, ou pare neste ponto e faça alguma outra coisa que lhe agrade. Caso você “pré-assuma” (presuma) que terá desgosto causado pelas seguintes inferências... Pego minha espada e cortarei a película que cobre a primeira impressão... Você pode parar agora, foi avisado. 

Contém spoilers dos dois filmes! 

Quando Bill (Snake Charmer – Encantador de Cobras) e B. B. (filha de Beatrix) comentam sobre o peixe morto. 


Bill: [sobre o peixe de estimação de B. B. ] Ela disse-me, posteriormente, que da segunda vez que levantou seu “pé” [do peixe] e viu que ele não estava se debatendo, ela sabia que estava morto. Um peixe debatendo-se no carpete e um peixe não se debatendo no carpete. Tão poderosa que até mesmo uma criança de cinco anos de idade sem nenhum conceito de vida nem de morte sabia o que isso queria dizer. Não somente sabia ela como Emilio estava morto, ela sabia que o havia matado. Assim, ele vem correndo e adentra meu quarto, segurando Emilio em ambas suas pequeninas mãos – foi tão fofo – e queria que eu fizesse com que Emilio ficasse melhor. E perguntei a ela, por que havia pisado em Emilio? E ela disse, ela não sabia. Mas eu sabia o porquê. Você não queria ferir Emilio; queria apenas ver o que acontecia se pisasse nele, certo? 

B. B. : Hum-hum.

Bill: E o que acontece quando você pisa com força no Emilio é que você o mata. E você descobriu isso, não?
B. B. : Hum-hum.
Bill: Então, nos dirigimos à praia, fizemos e dedicamos a ele um pequeno funeral, além de darmos a Emilio um enterro no mar. E agora mesmo, tenho certeza de que ele está feliz como pode estar, nadando ao redor de peixinhos no céu. Mas o ponto é que nossa filha aprendeu duas importantes lições. Uma, sobre a vida e a morte. A outra, sobre as coisas; uma vez que você as faça, elas não podem ser desfeitas. Sei exatamente como ela se sentiu. 


Bill tenta fazer uma comparação simples de como o ser humano pode agir com base em um instinto repentino, seja movido pela raiva, pela curiosidade, ou por algo que nem mesmo a psique humana pode sequer sonhar ou imaginar enquanto filosofa fumando seus cachimbos... E uma ação não rotula uma pessoa como sendo puramente má (pois, em minha opinião, mal puro e bem puro são irreais). Há luz e existe dia, sol e lua, vida e morte... Os opostos são necessários para que se alcance um equilíbrio na balança no mundo. E a balança da Justiça, às vezes, falha em ponderar quando realiza um julgamento de um caso, colocando todas as emoções de lado; pois as emoções são forças motrizes que fazem as engrenagens de nossos corações se movimentarem, senão, seríamos mais robôs do que seres humanos. 

Além disso, Bill e sua “Kid” (Filhinha), depois de ela ter cometido o ato errado, tentam “consertar” o ocorrido, dando ao peixe um “funeral apropriado”. Esta é a parte de ser honesto(a). Eles poderiam ter apenas jogado o peixe em uma lata de lixo. Não é apenas uma questão de vida e morte – é também, além disso, algo mais importante:honra e respeito. E a segunda lição que ele menciona (a despeito do fato de eu já haver mencionado duas...) é sobre o seguinte:uma vez que algo é feito... não há meios nem caminhos para desculpas. Está feito; não há como ser desfeito. A única coisa que se pode fazer é tentar remediar os fatos, buscar compensações ...e até mesmo, então, lembre-se do seguinte: 

“De boas intenções o inferno está cheio {A estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções}”; “Dois erros não fazem um acerto {Uma coisa certa não anula duas erradas}”; e meu próprio “provérbio” – A mais rara e mais preciosa jóia ou o mero pedaço de papel nunca serão os mesmos até se forem amassados e depois “restaurados” – pois sempre portarão as máculas de terem sido tocados com intenções destruidoras. 

Bill: A Mamãe ainda está com raiva do Papai.

B. B. : Por quê?
Bill: Bem, doçura, eu amo a Mamãe, mas eu fiz com a Mamãe o que você fez com o Emilio. B. B. : Você pisou na Mamãe?
Bill: Pior. Eu atirei na Mamãe. Não um tiro de mentira, como estávamos fazendo. Atirei nela de verdade.
B. B. : Por quê? Você queria saber o que aconteceria?
Bill: Não, eu sabia o que aconteceria com a Mamãe se atirasse nela. O que eu não sabia era, quando atirei em Mamãe, o que aconteceria comigo.
B. B. : O que aconteceu?
Bill: Fiquei muito triste. E então foi que aprendi, sobre as coisas; uma vez que você as faça, elas não podem nunca ser desfeitas. 




Aqui, Bill é revelado não como o vilão, no entanto, mas como um anti-herói. Sim, ele matou sua amante/amada, com a filha dele na barriga... ainda assim, ela não morreu, e ele esteve cuidando da criança desde então... e esperando que Beatrix volte a ele, se não para serem felizes (devido às máculas mencionadas antes), pelo menos “para acertas as coisas” – até mesmo se isso significar a morte para ele... E, uma vez mais, vemos a HONRA – porque ele realmente poderia ter se servido de artifícios para destruí-la, ao passo que em todo o caminho dela de banho de sangue por vingança correndo atrás dele, este teve muitas oportunidades para tal. Ego? Não creio. Para mim, isso é amor – e o amor não tem e não vê razões. 

[uns poucos minutos depois de ter sido atingida pelo dardo da verdade que, supostamente, deveria causar euforia] 
Bill: O que está dentro daquele dardo, apenas começando a fazer seu curso através de suas veias, é um potente e um tanto quanto infalível soro da verdade. Chamo-a de “The Undisputed Truth” [A Verdade Incontestável]. Duas vezes mais forte que o penetol sódico, sem nenhum efeito pós-uso da droga. Oh, exceto por uma leve onda de euforia. Consegue senti-la? 

The Bride: Euforia?

Bill: Sim, sim.
The Bride: Não.
Bill: Péssimo isso.
The Bride: Quanto tempo leva esta merda para fazer efeito?
Bill: Cerca de dois minutos. Apenas o tempo suficiente para que eu termine de expor meu ponto. 


Visto que ambos são duros para falarem a verdade, quando se refere a eles mesmos... Bill, antes de ajustar contas com ela, deseja ouvir a verdade... Mais um ponto ganho por MORAL aqui... E o discurso dele é uma bela e perfeita metáfora sobre o que ela é: “uma assassina nata”. 

Bill: Uma característica essencial da mitologia do super-herói é a de que há o super-herói e de que existe o alter ego. Batman é, na verdade, Bruce Wayne; Spiderman é realmente, Peter Parker. Quando este acorda de manhã, ele é Peter Parker. Ele tem de vestir uma “fantasia” para tornar-se o Spiderman (Homem-Aranha). E é nesta característica que o Superman se distancia dos outros. Superman não se tornou o Superman, Superman nasceu Superman. Quando o Superman acorda de manhã, ele é o Superman. Seu alter ego é Clark Kent. Sua roupa com o grande “S” vermelho, é do cobertor no qual ele estava envolto quando era bebê no momento em que os Kents o encontraram. Aquelas são suas roupas. Quanto Kent usa óculos, o terno de negócios, aquela é a fantasia. Aquela é a fantasia que o Superman veste para se misturar conosco. Clark Kent é como o Superman nos vê. E quais são as características de Clark Kent? Ele é fraco, inseguro de si mesmo. . . ele é um covarde. Clark Kent é a crítica de Superman feita sobre toda a raça humana. Mais ou menos como ocorre com Beatrix Kiddo e a Sra. Tommy Plympton. 

Bill: Você é uma assassina por natureza. 

Como equações matemáticas em uma bela mas clara e filosófica explicação, o que eu considero ser uma das melhores de Kill Bill, além de que isso explica muito a respeito também desse lance de “super-herói”. 

Beatrix Kiddo, chamada de Black Mamba, a Assassina, é quem ela é; a Sra. Tommy, The Bride [A Noiva], The Mommy [A Mamãe] é seu disfarce. Tal como aquele do Superman. Ela não é como Bruce Wayne (Batman) nem Peter Parker (Spiderman) – sua verdadeira natureza é aquela de um assassino, assim como a verdadeira natureza do Superman é aquela de um “herói” [não discutindo aqui se isso é certo ou errado, apenas utilizando o background mencionado por Bill para ilustrar a personalidade dela]. O disfarce dela era The Bride [A Noiva], a Sra. Plympton – tentando levar uma vida completamente nova, mas completamente como um vácuo, além de que ela mesma confessa, sob os efeitos do soro da verdade, que isso no final não daria certo. A natureza nos chama; cedo ou tarde. E, uma vez que a máscara tenha caído, o verdadeiro “eu” é revelado uma vez mais... mais brilhante, mais forte do que as chamas no inferno. . . E, quando ela acorda de manhã, depois de haver feito o que fez, pensando ser a coisa certa se fazer, embora com o coração partido, ela sente o tormento dos efeitos de sua vingança. No entanto, isso é discutido melhor em uma parte à frente deste artigo. 

Bill: Sou um matador. Um bastardo matador, e você sabe disso. E há consequências com as quais se deve arcar ao partir o coração de um bastardo assassino. 

E quem disse quem um matador/assassino não pode amar? Se uma criança, presumivelmente inocente, (B. B.) poderia ser tão fria ao matar seu “amado” peixe? E, por favor, sem hipocrisias aqui – matar um animal de quem você cuida e o qual de você depende não é inferior a matar uma pessoa. É retirar uma vida, dar fim a ela. . . de qualquer forma. E ... o que a maior parte das pessoas não sabia nem se importava em saber era como Bill se sentira após ter sido abandonado por Beatrix... deixado sem saber nada a respeito do paradeiro dela ... e eles eram matadores, ainda sim ... como também eram amantes! 

Bill: Quando você não voltou, eu naturalmente assumi que Lisa Wong ou alguma outra pessoa havia matado você. Ah, e para seu registro, deixar que alguém pense que alguém que ele ama está morto quando não está é um tanto quanto cruel. Fiquei de luto por você durante três meses. E no terceiro mês, rastreei você. Veja, eu não estava tentando rastrear você. Estava tentando caçar os malditos filhos da puta que eu achava que tinham posto fim à sua vida. Então, encontro você. E o que encontro? Não somente você não está morta; está para se casar com algum tolo fodido e você está grávida. Eu. . . tive uma reação exacerbada. 

The Bride: Você teve uma reação exacerbada? 

Nesta posição, talvez a ilusão deixe cair sua bela face – ela deixou- o, a ele, seu presumido amante/amor, mestre e amigo e chefe. Depois de uma missão, sua existência simplesmente desapareceu da terra e o que ele poderia ou deveria pensar? Foi ela morta na missão? Você consegue conceber o que vai por dentro de uma mente de uma pessoa em fúria achando que a pessoa que ama poderia estar morta??? Assim sendo, ele foi atrás dela, não exatamente com a intenção de tirar sua vida (visto que ela fora tomada como morta e até mesmo estava usando um outro nome. . . ) – mas para lidar com aqueles que supostamente teriam tirado a vida dela. . . Suposições, conjeturas, hipóteses! Se as pessoas não fossem tão temerosas de dizerem a verdade, talvez os finais não fossem tão infelizes para sempre! 
[Lembrando-se de seu diálogo com Karen, a qual estava lá para matá-la] 

The Bride: Sou a mulher mais mortal do mundo. Mas exatamente agora, estou me cagando de medo por meu bebê.
[depois que a Noiva convence Karen Kim a não a matar devido ao fato de ela estar grávida, Karen se retira, segurando contra ela uma arma]


Karen Kim: Parabéns. 

The Bride: [Descrevendo sua gravidez a Bill] Antes que aquela faixa mostrasse a cor azul, de positivo para gravidez, eu era uma mulher. Eu era sua mulher. Eu era uma matadora que matava por você. Antes de aquela faixa ficar azul, eu teria pulado de uma motocicleta em um trem em movimento. . . por você. Mas uma vez que a tira ficou azul, eu não mais poderia fazer nada daquelas coisas. Não mais. Porque eu estava para virar uma mãe. Você consegue entender isso? 

Bill: Sim. Mas, por que você não me contou na época, em vez de fazer isso agora?

The Bride: Porque uma vez que eu tivesse lhe contado, você clamaria por ela e eu não queria que isso acontecesse.
Bill: Não era sua a decisão a ser tomada.
The Bride: Sim, mas era a decisão certa e tomei-a pela minha filha. Ela merecia nascer com uma ficha limpa. Mas, com você, ela teria nascido em um mundo em que não deveria. Eu tinha de escolher. . . Optei por ela. 


Decisões, sejam certas ou erradas sempre têm mais de um lado... até mesmo mais de dois deles! Como em um caleidoscópio multifacetado – e, uma vez tomada a decisão, suas conseqüências devem ser encaradas. Ela poderia ter feito as coisas de forma diferente. . . Se ele era seu amante, protetor, guardião, amigo. . . Ele caçou aqueles que provavelmente lhe haviam tirado a vida... e descobriu-a grávida e casando-se com um tolo e tentando ter uma vida normal que ela saberia nunca ser possível. Sim, ele reagiu de forma mais do que exagerada... extrapolou... – você não teria tido nenhuma espécie de reação exagerada? Sim, ele deixou-a viva; em coma, mas viva. E garantiu que ela sobreviveria até que estivesse cara a cara com ele no final da cruzada por sangue e vingança! E sua vingança não foi servida fria... Ela descobriu um pai afetuoso, uma criança meiga. . . e um homem razoável... Ela poderia ter feito tudo de maneira diferente. 1a opção: Dizer que ela estava grávida? Como poderia ela estar certa de que ele roubaria a criança dela? Isso é tão tipicamente humano... Presumir coisas... E realmente terminando fodendo suas próprias vidas e as dos outros... 2a opção:Depois que a merda estiver feita, ou seja, ela foi derrubada por Bill e seu esquadrão... Ela poderia ter tido uma espécie de “olho por olho, dente por dente” – feito com que ele sofresse, mas não o matar. Mas Bill estava certo – ela era realmente uma “assassina nata” e, uma vez que o disfarce caíra por terra, você tem de viver com isso. Ela poderia ter feito com que ele sofresse; eu repito. Feito com que ele pagasse na mesma moeda: ser colocado em coma. Mas não, ela usou um ataque secreto, um ataque mortal – e colocou um ponto final na vida dele. Soa tão terrível, o seguinte? 

The Bride: Ok, Bill. Você extrapolou. Eu menti para você, fiz que acreditasse que eu estava morta. Tentei fugir com nossa filha dentro de mim. Não é que eu merecesse o que você fez... Mas está tudo resolvido, agora. [depois de fazer com ele o mesmo que ele fez com ela, e levá- lo a ficar em coma]. 

Bill: Parece que estamos quites agora... Pode ser que... quando eu acorde... se acordar... Nós possamos perdoar um ao outro por tudo isso... ou não, mas ao menos... é uma tentativa... [sua cabeça cai para o lado e, logo – ou não – ajuda poderia vir]. 

Isso é tão irreal? Para uma pessoa que tenha nascido assassina, talvez. Mas, então... novamente...

Bill: Suponho que o modo tradicional de concluir isso é cruzarmos espadas Hanzo. Bem, simplesmente, acontece que este sítio vem com sua própria praia particular. E esta praia tão oportunamente tem uma bela vista banhada pela luz da lua. E por acaso hoje à noite é lua cheia. Então, duelista, se deseja uma luta de espadas, eis onde sugiro. No entanto, se quiser ser conservadora com relação a isso – e você sabe que sou todo ligado à antiga escola – então, podemos esperar até a aurora – fatiarmos um ao outro ao nascer do sol, como um casal de samurais da vida real, honestos e com bondade. 

Já está decidido no interior de ambas as cabeças que uma espécie de duelo ocorrerá. Conforme exemplifiquei acima, existiam outras opções... Mas quem sabe o que se passa dentro:

a) do coração e da mente de um(a) matador(a)?
b) do coração e da alma de alguém com um coração partido? 
c) de alguém que se julga certa e ferida e a quem somente a morte do oposto servirá como pagamento pelos 4 anos – e com juros...? 


The Bride: Você e eu temos negócios a acertar. 
Bill: Baby, você não está brincando! 

Decisão tomada. Duelo tem início. Ela faz uso de uma técnica MORTAL e finalmente... Mata Bill... Chorando, mostrando em sua face sua tristeza, seu orgulho, a confusão e o prazer em matar, tudo ao mesmo tempo. . . Mas, novamente... ao mesmo tempo, ela diz que é MÁ. Eu discordo e ele também. Uma pessoa pode AGIR de forma má... Até mesmo os piores serial killers fazem coisas boas. . . e podemos ver um exemplo disso em “Natural Born Killers” (Assassinos por Natureza) [escrito por Q. T. ], quando Mickey salva Mallory, a quem ele mais ama ... até mesmo tendo deixado para trás uma trilha de sangue... 

Bill: Pai Mei ensinou-lhe a técnica de fazer o coração explodir com cinco pontos de ataque com a palma da mão?

The Bride: É claro que sim.
Bill: Por que você não me contou? 


The Bride: Eu não sei. . . porque sou uma pessoa má.

Bill: Não. Você não é uma má pessoa. Você é uma pessoa extraordinária. Você é minha pessoa favorita, mas sempre, de vez em quando, você consegue ser uma pessoa verdadeiramente desprezível. 


Chorando, com uma expressão de alegria, tristeza e orgulho... ela mostra alguns “pedaços” de HONRA – não continua a golpeá-lo nem cortá-lo, alguém que já está em seus últimos minutos de uma vida intensa ... 

Bill: [morrendo] Como pareço? 
The Bride: Você parece pronto. 

Podemos ver, em seguida, Beatrix chorando e rindo histericamente em se banheiro na manhã seguinte... e, então, indo até sua filha, a qual já tem a semente do instinto de matança por dentro... e o lema final é o seguinte: 

Moral final da História: A leoa juntou-se a sua filhote, e tudo está em ordem na floresta. A rainha da selva urbana está de volta com sua cria – e tudo está em ordem (?)... Podemos ver, se esperarmos pelos créditos finais... Beatrix, Black Mamba, The Bride, Kiddo (a qual é uma palavra meiguinha, além de ser um sobrenome, para “kid” [criança]), todos seus lados mesclando-se em uma única pessoa... com uma história de vida triste e que nunca deverá ser esquecida... e quem pode dizer o que vem a seguir? Qual será a próxima “Bill“ [Conta] a ser paga ou morta? Sua própria sanidade? 

Por quanto tempo, como um herói, explanado por Bill, pode ela viver à altura disso tudo, atender às expectativas? 

Superman/Clark Kent encara os problemas sendo um herói/covarde; Bruce Wayne/Batman tem de conquistar seus próprios medos para lutar contra o crime; Peter Parker/Spiderman tem de duelar com seu próprio lado negro salientado pelo Venom.


Está o veneno dela, sua malignidade e sua malevolência dentro de suas veias, apenas esperando um pouquinho para explodir, tal como o coração de seu amante o fez pelas próprias mãos dela? 

A personagem de Uma Thurman foi criada por dois “monstros”: Ela Mesma e Quentin. Mencionam isso, no meio dos créditos: “Created by: Q. & U. ” [“Criada por: Q & U. ] Leia, agora, isso em voz alta, em inglês mesmo: Q. & U. Subliminar, não? Q & U = Kill and You [Mate(Matança) e Você]. 

Tome seu tempo para resolver a questão. . . O dano aqui já está feito!
Em memória a David “Bill” Carradine 

*A tradução para “swordfighter” nas legendas do filme ficou: esgrimista – mas a esgrima é bem diferente da luta com Katana. Preferi manter duelista, já que este era o sentido no diálogo.


** Venom é o ser resultante da simbiose entre uma criatura alienígena e o jornalista Eddie Brock. Apesar de já ter tido mini-séries próprias, a maioria de suas aparições é como inimigo do personagem Homem- Aranha. Assim como pode também, com trocadilho com a frase subsequente, ser traduzido pelas palavras veneno, malignidade, malevolência. . . 


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