Paris 8. O que está acontecendo com o cinema atual? Um filme de Jean-Paul Civeyrac


Jean Paul Civeyrac faz sua estreia no Brasil com o longa Paris 8, de forma pedante e apática. Etienne (Andranic Manet) é um jovem francês apaixonado por filosofia e cinema, que abre mão a vida no interior, sua namorada e família a fim de ir estudar a sétima arte na cidade luz, mais precisamente na prestigiada universidade Paris 8.
O filme levanta a questão do esgotamento de criatividade sofrido pelos aspirantes a diretores e critica a industrialização do cinema francês, porém se entrega ao próprio clichê, com o uso de personagens jovens, bonitos e descolados, vivendo a vida como grandes entendedores de filosofia, lamentando a vida e toda essa baboseira. Há de se dar valor as lamentações do protagonista, de fato suas angústias de jovem, que tem medo do futuro, são pertinentes, mas a narrativa usada por Civeyrac torna o filme pedante, por meio de referências filosóficas e literárias chochas, buscando dar um ar intelectual ao filme.


Mathias (Corentin Fila) é o intelectual chatão, que acha todo filme ruim, apenas critica, mas por fim não faz suas próprias produções. Sinceramente é difícil entender se Civeyrac pretende com a narrativa e seus personagens fazer uma sátira, produzindo algo próximo daquilo que critica, ou não percebeu que só fez mais do mesmo (se referindo ao cinema industrial francês).
Talvez o filme se torne tão maçante devido ao seu foco, assumindo a aura do protagonista, um personagem sem sal, meio morto. Isso torna o longa, realmente muito longo (permita-me o trocadilho), já que Etienne demora a tomar suas atitudes. Mas nem tudo é ruim no protagonista, ele esbanja charme, algo que seduz o público e os outros personagens, isso desperta nele um certo narcisismo, que foi muito bem explorado pelo diretor. Neste ponto, cabe o elogio, já que de fato essa crítica é muito bem vinda, deve ser escancarada a maneira pretensiosa como os jovens artistas vivem.


Deixando de lado toda a narrativa de Paris 8, devemos aplaudir a arte do longa. Achei excelente a fotografia de Pierre-Hubert Martin, que ao usar o preto e branco aumenta a aura pesada que o filme busca. As locações parisienses são sempre de tirar o fôlego.
Civeyrac, enfim, consegue passar sua insatisfação com a industrialização do cinema, também evidencia as angústias de um jovem estudante cheio de ambições que se vê imerso nessas discussões. Porém, repete aquilo que critica e não deixa claro se isso era proposital ou realmente não conseguiu fugir do que é mais simples.


Nota: 3 livros de filosofia


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