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Alguma Coisa Assim, um filme de Esmir Filho e Mariana Bastos, considerado o Boyhood brasileiro


Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras) são dois amigos que gostam de se divertir nas noites de São Paulo, e ao longo dos anos, a amizade deles muda a cada vez em que eles vão se conhecendo, em todas as vezes que eles se reencontram nesse tempo.

Pode-se dizer que o longa, que é baseado no curta homônimo, dirigido também pela dupla Esmir Filho, é uma versão estendida do curta, continuando a contar a história  dos dois jovens anos depois. O curioso é que os diretores utilizaram material do curta original nesse filme, em vez de recriarem toda a cena, o que o deixou mais interessante, mostrando a atmosfera da cidade de São Paulo da época. Sendo assim, junto com a qualidade da imagem que foi gravada em película, o cenário passa uma nostalgia para o público que viveu na São Paulo de 12 anos atrás. Assim como Boywood (2015), o elenco original se manteve ao longo desse tempo, fazendo com que a amizade dos personagens parecesse mais autêntica.
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A montagem não cronológica funciona, e o filme apresenta três períodos de tempo, mostrando sempre os reencontros dos dois amigos, com exceção da linha do meio. A  linha mais antiga e a atual têm mais a dizer sobre os personagens, sobre o que eles pensam em certos assuntos em uma época, e de como eles pensam em outra, tenha a opinião deles mudado ou não. A linha temporal do segundo reencontro é a mais problemática, ela tem um dialogo sobre um assunto que mesmo hoje ainda é uma coisa bem atual, mas apresenta um elemento que é totalmente descartável para o filme.



Os diálogos do filme são muito bem construídos, as conversas são bem introduzidas, sempre com assuntos atuais, não importando a época, com destaque para uma discussão durante o terceiro ato entre os dois. A narrativa não apresenta muita coisa durante o primeiro ato, e somente na metade do segundo ato  é apresentado um elemento que faz engatar a história do filme.

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Os protagonistas, embora sejam amigos de longa data, têm medo de expressar tudo o que sentem. Mari é uma mulher extrovertida, que gosta de curtir a noite em baladas, mas que esconde sentimentos profundos pelo amigo, isso fica claro para o público, mas ela não os revela devido à sexualidade dele. Caio é aparentemente mais inseguro, embora ele assuma sua sexualidade, muitas vezes ele recua, não se sentindo a vontade no ambiente em que eles frequentam, mas ele também é o mais maduro entre os dois, sempre pensando antes de agir.

Alguma coisa assim surpreende nos diálogos, mas é fraco na narrativa.

NOTA: 6 noitadas na Augusta.

Assista ao curta aqui:



Trailer do longa (em cartaz nos cinemas):


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