Coletiva de imprensa de "O Nome da Morte": Resumo da Ópera



O longa brasileiro “O nome da morte”, de Henrique Goldman, entra em cartaz no dia 2 de agosto, e nós do Bagulhos Sinistros estivemos na coletiva de imprensa para entender um pouco melhor as ideias do diretor, saber como os atores Marco Pigossi e Fabíula Nascimento encararam seus personagens e ainda ouvir do autor Klester Cavalcanti um pouco do processo de desenvolvimento do livro homônimo que deu origem ao filme. 


A produção conta a história de Júlio Santana (Marco Pigossi), pistoleiro que registrou em seu caderno a incrível marca de 492 mortes, possibilitando para o espectador a experiência de enxergar a realidade do Brasil profundo. Um país que registra altos índices de violência e onde o acesso à educação ainda é uma coisa rara. O protagonista diz ser difícil defender seu personagem, pois seus atos são de fato condenáveis, porém ele ainda é uma vítima da falta de acesso à cultura e educação, uma das mazelas da população mais carente de nosso país. 

A trama é inspirada na história real de Júlio Santana, que ainda é vivo, mas está foragido. Sua trajetória é contada no livro do jornalista Klester Cavalcanti, que conseguiu autorização para divulgar os nomes reais dos personagens, incluindo as vitimas e mandantes, por contato direto com o matador. Seu objetivo ao descrever os fatos é mostrar o lado humano do personagem. “O Júlio é uma cara carinhoso, respeitoso com a mulher e com a família, adora o filho”, lembra o autor. 



Também é lembrado que, para Júlio, ser pistoleiro não foi uma escolha, mas sim uma condição, “ele não tem prazer em matar, não é um serial killer, ele é profissional”, pontua Klester. Ainda assim não é possível defender as ações do matador, porém Pigossi levanta a questão, “Onde começa a responsabilidade da sociedade e onde acontece a do individuo?”. Será que um garoto do interior do Tocantins se tornaria pistoleiro caso tivesse acesso a educação de qualidade? 

Outro ponto discutido na coletiva foi a banalidade do mal. Ora, não haveriam pistoleiros se não houvesse mandantes. Ainda existem pessoas que colocam a morte como a solução de suas crises, e isso não acontece apenas nos interiores do país. O próprio Júlio realizou trabalhos em grandes capitais como Brasília e São Paulo. Essa realidade está muito próxima de nós, como o caso da vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano, no Rio de Janeiro. A chamada “Indústria da Morte” não se resume aos matadores, ainda existe por trás disso a produção bélica e a construção de discursos altamente violentos na mídia e politica. 


É muito importante que a arte e a cultura brasileira continuem trazendo à tona essa situação tão presente e muitas vezes ignorada que vivemos, principalmente em momentos como o de agora em que discursos de ódio estão crescendo cada vez mais. Se um homem consegue matar quase 500 pessoas em um país que proíbe o porte de armas, imaginem se qualquer um pudesse ter uma. Será que a profissão de pistoleiro seria necessária?

- Bruno Machado Roque (Texto e Fotos)
- Adriana Mônaco (Edição de Fotos)


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