Documentário: Bergman – 100 anos – A trajetória de um dos maiores artistas do século XX



Em 2018, o brilhante diretor sueco Ingmar Bergman (1918 – 2007) completaria 100 anos, por isso, no mês de julho, foram realizadas muitas exposições, mostras e homenagens a esse artista considerado um dos mais importantes e influentes do século passado.  Entre os tributos ao diretor está o documentário Bergman – 100 anos, da diretora Jane Magnusson, que trabalha de forma habilidosa, não poupando o expectador das contradições do diretor, que embora glorioso em seus trabalhos, mantinha uma vida pessoal agitada. 


O filme se dedica a explorar o ano de 1957, algo que achei incrível. Esse foi o ano em que Bergman conquistou total liberdade para realizar seus trabalhos, sem a interferência de produtores, tornando-se o ano mais produtivo do diretor. Porém, sua vida pessoal estava em um ritmo frenético. Já nesse ano, o diretor tinha seis filhos, com três mulheres diferentes. Jane não nos poupa de saber que, embora engenhoso, Bergman também era um homem transtornado e mulherengo, herança de sua infância quando vivia com um pai extremamente autoritário e religioso. Tal fato foi o principal influenciador do filme Fanny e Alexander (1982), principal exemplo de sua obra “autobiográfica”, que retrata a vida de um casal de irmãos, filhos de um pai muito religioso.



Embora Bergman tenha usado suas experiências para desenvolver sua obra, ainda há muita dúvida sobre a veracidade de seus relatos, tanto em seus filmes quanto em seus textos, já que o diretor confessou ser criativo quanto a descrever sua biografia. 

Jane demonstra o sucesso do ano de 1957 de maneira excelente, sem esconder que a receita para tal exigiu um nível enorme de dedicação e stress do diretor. O resultado foram algumas de suas mais conhecidas obras: O sétimo Selo e Morangos Silvestres, além da produção de quatro peças. No documentário, além dos tradicionais depoimentos de amigos e familiares, há um incrível acervo de vídeos de Bergman nos sets de filmagem e uma coleção de entrevistas do diretor, o que o torna excelente na construção de sua imagem. 



Não tem como não admirar a trajetória de Bergman, mesmo após saber de seus transtornos e até mesmo descobrir que ele flertou com o nazismo. Sua obra é autêntica e genial, fazendo dele o cineasta mais premiado até hoje, incluindo a exclusividade de ganhar a palma das palmas, o maior prêmio de Cannes. O documentário de Jane Magnusson é engenhoso e acerta em explorar o melhor ano na carreira do diretor. 

Nota: 5 Bolachas Maria * (5 de 5)

Por: Bruno Machado Roque



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