Nos vemos no paraíso, um filme de Albert Dupontel

Dois soldados que lutaram na primeira guerra mundial, sendo que um deles, um artista, perdeu o maxilar na guerra, planejam um golpe para lucrar com a família dos soldados da guerra.

O filme, que parece uma obra do escritor Victor Hugo mesclada com O Fantasma da Ópera, é uma obra fantástica. A reconstrução das batalhas é incrível, mostrando bem a dor e o medo dos soldados de que aquele dia fosse o seu último. A reconstrução da cidade daquela época também é bem montada, tanto nos cenários quanto nos figurinos dos personagens, a ponto de parecer até que o filme realmente foi rodado na década de 1920.

A edição mexe bastante com match cuts que são bem executados, e há uma sequência de flashbacks envolvendo a infância de um dos protagonistas, mostrando sua paixão pela arte e o desprezo de seu pai, que faz o espectador entender um pouco os motivos de seus atos futuros.

O ator Nahuel Pétez Biscayart faz um trabalho extraordinário, com seu personagem com o rosto coberto em todo o filme, e consegue se expressar cada sentimento através de suas máscaras que muitas vezes falam mais sobre o que ele sente do que os diálogos de outros personagens.


O filme mexe com alguns clichês que deixam as atitudes dos personagens um pouco previsíveis, mas que são muito bem colocados, o que no início começa com uma atitude que o publico já esperava acontecer, mas depois, levará até um ponto aonde o personagem tinha quer ir.



A fotografia composta por cores frias e deprimentes, passando a expressão da dor e das perdas da guerra para o público, também é  pouco iluminada, e às vezes apenas uma parte do cenário é iluminada, ou parte do rosto de um personagem, mostrando que todas as pessoas usam algum tipo de máscara, que todos temos algo para esconder do resto do mundo.



O antagonista é um homem que não tem nenhum tipo de deformidade, mas que assusta só pelo olhar. Há um personagem que funciona como alívio cômico que é muito engraçado de tão tapado que ele é.



Nós vemos no paraíso é um filme de humor negro fantástico, que chega a ser estranho e bizarro, mas que ao mesmo tempo, é encantador e emocionante.

NOTA: 9 máscaras para cobrir.

Trailer: 






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