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A fábrica de nada, um filme de Pedro Pinho


Certa noite, um grupo de trabalhadores percebeu que sua administração organizou o roubo de máquinas de sua fábrica. Ao decidirem organizar-se para proteger os equipamentos e impedir o deslocamento da produção, os trabalhadores permanecem nos seus postos sem nada para fazer enquanto prosseguem as negociações para as demissões. 


O filme é claramente uma critica social da luta entre classes sociais através da revolução industrial. De um lado vemos os funcionários, trabalhadores que lutam pelos seus direitos, e do outro, os ricos e magnatas que comandam a fábrica e que pretendem mudar a tática de funcionamento do negócio deles.

O diretor português Pedro Pinho opta por mostrar a situação de alguns funcionários, mostrando-os como se eles estivessem sendo entrevistados, e embora as informações apresentadas tenham cabimento na trama, o método não combina muito com o estilo que o filme está seguindo.

Resultado de imagem para fabrica de nadaA fotografia acerta em momentos em que a imagem precisa falar mais que os diálogos. Há uma cena, por exemplo, de planos abertos, que mostra a fábrica sendo enquadrada sempre no centro, para mostrar a importância dela para a economia da cidade. Em outros momentos, há planos longos e entediantes, mas isso é proposital, para passar a sensação dos personagens presentes na cena que não têm o que fazer dentro da fábrica desativada. O diretor falha e tentar passar a preocupação dos personagens em movimento, com planos muito fechados, principalmente em uma cena em que um personagem fala sobre um assunto que interessa os outros, e a câmera enquadra a reação dos outros personagens, mas devido aos planos extremamente fechados, eles acabam saindo de cena ou apenas uma parte do rosto deles fica enquadrada.

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O roteiro consegue construir diálogos de assuntos burocráticos que fazem o público entender bastante a situação da fabrica e dos funcionários. Em alguns momentos, a história mostra  as famílias de alguns funcionários que têm uma função emocional de mostrar as consequências, se eles por acaso perdessem o emprego, mas essa função acaba não tendo o peso dramático que o diretor queria passar para o público.

No início do terceiro ato é introduzido um número musical aleatório que mais parece um comercial de loja de itens para reforma e construção, que quebra totalmente o estilo do filme; no final o diretor quebra a quarta parede, e é mostrada uma voz em off de alguém dirigindo os atores.
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A fábrica de nada  acerta na crítica que o filme quer passar, mas o diretor se perde no estilo de transmissão das mensagens quebrando várias vezes o clima do filme.

NOTA: 6  funcionários lutando por seus direitos. (6/10)


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