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10 segundos para vencer, ou a história de um grande boxeador, um filme de José Alvarenga Jr.



Baseado na vida do famoso boxeador Eder Jofre, também conhecido como Galinho de Ouro, por ter sido eleito o maior peso galo da história do boxe, ele é considerado um dos maiores boxeadores de todos os tempos.

O diretor usa claramente referências de clássicos do gênero como Touro Indomável (1980), Rocky (1976), mas, ainda sim, ele coloca originalidade devido à história do boxeador que também é composta por grandes momentos durante sua trajetória. Outro mérito do diretor: a tensão entre os personagens, o jeito como os membros da família Jofre tratavam o boxe não só como um meio de ganhar a vida, mas também como um estilo de vida, e isso fica claro no personagem de Osmar Prado, que treinou seus filhos para serem campeões, sendo esse o sonho dele.
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O clima é bem construído para aumentar a dúvida do protagonista Eder entre se tornar artista plástico ou boxeador, principalmente depois de seu irmão adoecer. As cenas de luta são bem enquadradas, sempre em movimento, mas nunca perdendo o foco ou deixando a cena confusa e cansativa. Embora as cenas no ringue sejam bem cinematografadas visualmente, falta emoção durante as lutas, a montagem corta vários momentos, mostrando poucas coisas durante os rounds e o público não sente a dificuldade de Eder, sentimos mais o peso dramático quando são mostrados os treinos pesados e sofridos do personagem para se manter em forma, ou depois do fim da luta, quando vemos o personagem exausto e ferido devido ao ótimo trabalho de maquiagem.
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Daniel de Oliveira surpreende na interpretação, mostrando bem sua dúvida entre seu sonho de tornar um artista de talento, e o sonho de sua família de se tornar um campeão de boxe que honrará o nome de sua família. Seu personagem é bem desenvolvido em camadas e dilemas que várias vezes fazem com que Eder tenha dúvidas e conflitos internos que sua profissão traz para sua vida pessoal.

Osmar Prado, que interpreta Kid Jofre, o pai e treinador de Eder, se empenha e dedica sua vida a fazer com que Eder seja o melhor em sua categoria, mas que deixa dúvidas se ele está fazendo isso pelo seu filho, ou por ele mesmo, embora vemos mais Kid como o treinador de Eder, ele também se mostra um pai orgulhoso pelo sucesso de seu filho.

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O terceiro ato mexe com clichês como do lutador aposentado que tem que retornar, mas que são bem usados, principalmente pelo diálogo que o protagonista tem com seu pai que faz com que ele reflita para quem ele luta.

O filme mostra bem a história de Eder Jofre, principalmente a relação emocionante entre pai e filho que poucos fãs do lutador conhecem.

NOTA: 8 rounds para a vitória. (8/10)



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