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Colette, uma cinebiografia leve, empoderadora e bem-vinda da famosa escritora francesa da Belle Epoque chega às telonas; um filme do diretor de Para sempre Alice, Wash Westmoreland


Sidonie Gabrielle Colette, aka, Colette, ganha vida nas telas na pele, no corpo e na alma da incrível Keira Knightley em um filme que retrata muito bem não apenas o relacionamento abusivo que ela e seu marido tinham, como também toda a evolução desta, que é uma talentosa escritora que acaba, pelas circunstâncias de seu casamento abusivo e tóxico, servindo como ghostwriter de seu marido, Willy, um homem sem talento que se aproveita do brilhantismo da esposa para ganhar dinheiro - que ele torra, sem nenhuma consideração com ela, várias vezes. O interessante também é que eles já são, a princípio, como casal que faz sexo antes do casamento, só para citar um momento, um casal, digamos, progressista. E, sim, apesar de o relacionamento ser abusivo, há momentos de ternura e até mesmo felicidade, nem tudo é mostrado de uma forma tão maniqueísta que coloque Willy como um vilão. Ainda assim, não consegui simpatizar com ele depois que ele realmente se tornou apenas um macho inseguro e abusador, controlador compulsivo, que ainda tenta guiar sua vida sendo uma sombra invejosa da esposa. 

Não adianta que Willy tenha grandes ideias para peças e contos se ele não as escreve. Como já disse Neil Gaiman, é relativamente fácil ter grandes ideias, um verdadeiro escritor as desenvolve - e isso não é fácil, e, para isso, é preciso ter talento e dedicação. Willy chega ao ponto de trancafiar a esposa para que ela escreva.

A partir do momento em que Gabrielle passa a usar o nome Colette, seu brilho, talento e charme naturais acabam explodindo e ela segue em sua luta para não apenas sair do relacionamento abusivo como para assumir ela mesma a autoria de seus livros de sucesso, em uma trajetória que mostra não apenas o talento de uma grande escritora, como também uma mulher em uma época extremamente machista que se sobressai por seu talento, por sua ousadia, seja vestindo “roupas de homem” - que, segundo Keira, era ilegal na época... -, seja tendo casos com mulheres, seja vivendo sua individualidade ao extremo, afirmando-se como artista e como pessoa. Os envolvimentos amorosos dos dois - sendo que os dele são quase que uma sombra dos da esposa, parece que ele tenta ser ela às vezes, é bem doentio - acabam servindo como pano de fundo para o desenvolvimento de continuações do livro erótico inicial de sucesso que ela escreveu. 


Até que é chegado o derradeiro momento em que Colette exige que Willy lhe dê a coautoria dos livros que, na verdade, ela escreveu. A partir desse embate ela finalmente se desprende dele, já envolvida em um relacionamento com uma socialite que já escandalizava a época por seus modos e suas atitudes, e Colette, por fim separada de Willy, passa a escrever seus livros de sucesso, considerados os melhores livros já escritos por uma francesa.


Um filme de época que consegue, com a intensidade das atuações e da própria história - baseada em fatos reais -, aliado a uma paleta de cores em tons pastéis, mostrar o contraste entre a intensidade da criação literária e de vidas cheia de acontecimentos com a monotonia da alta sociedade e suas hipocrisias e a falsidade de um homem que não passa de uma sombra de uma mulher e que faz de tudo para deixá-la tão apagada quanto esses mesmos tons pastéis escolhidos para grande parte das roupas, dos cenários, cores estas que também simbolizam a própria falta de cor na vida que Willy leva. 

Apesar dos temas sérios, o filme tem um tom leve e divertido na retratação da Belle Epoque e não cai na chatice em momento algum de seus 111 minutos de duração.

A atuação e o charme de Keira são incríveis, e Colette é mais um filme necessário demais em uma época em que as pessoas precisam aprender e se dar conta de que não é de agora que se subjuga as mulheres... na verdade, que ainda agora se subjugam as mulheres, mas antes era quase "normal" fazer isso... =/ ...e que mulheres incríveis já quebraram barreiras daquilo que era considerado “masculino” - são filmes assim que encantam e despertam a esperança de que ainda pode haver um futuro melhor em que a misoginia, o sexismo e a divisão ferrenha entre papéis de gênero não seja tão abusiva quanto o próprio relacionamento de Willy e Gabrielle. 

Nota: 5 best-seller eróticos com sabor de molecagem ;)

Trailer:


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