Meu Querido Filho: Sobre Choque de Gerações, Expectativas e Sonhos


Riadh (Mohammed Dhrif) e Nazli (Mouna Mejri) formam um casal de classe média tunisiano. Ele trabalha no porto e está prestes a se aposentar, enquanto ela dá aulas. A vida de ambos gira em torno do único filho, Sami (Zakaria Ben Ayed), que se prepara para prestar os exames de admissão no Ensino Superior. Quando o moço desenvolve um quadro de enxaquecas frequentes, os pais se preocupam e o submetem a uma bateria de exames. Entre diagnósticos imprecisos e palpites de leigos, o rapaz segue estudando. Mas quando as coisas parecem estar entrando nos eixos, Sami some.

Riadh e Nazli são pais amorosos que se esforçam para dar do melhor ao filho. Embora ambos trabalhem e não enfrentem grandes dificuldades financeiras, fica claro que o dinheiro deles é contado, que muitas vezes eles abrem mão de pequenos luxos para pagar os estudos de Sami. E ter o filho aceito em uma universidade significa, para eles, um sonho realizado, provavelmente aquele que eles mesmos não tiveram condições de viver. Portanto, não é de se estranhar que cobrem comprometimento do rapaz.


O problema é que Riadh, que obviamente quer que o filho tenha um bom futuro, é extremamente invasivo, não escuta o que o garoto diz e age como se Sami tivesse 5 anos de idade. Ele não consegue enxergar que a criança que ele costumava conduzir já não existe mais, que Sami agora tem suas próprias opiniões e quer trilhar seu próprio caminho, ainda que suas escolhas sejam questionáveis. E então a divergência de ideias e a falta de comunicação acabam por separar pai e filho.

Durante toda a peregrinação de Riadh atrás de Sami, fica claro que o pai não estava de fato interessado em saber os motivos que fizeram com que o filho fosse embora; o tempo todo só o que Riadh queria era encontrar o filho e arrastá-lo de volta para casa, para que ele não estragasse os planos detalhadamente traçados para ele (por outras pessoas). Riadh se torna tão obsessivo que, na ânsia de evitar que o futuro ideal que ele imaginava para o filho fosse arruinado, ele esfacela o próprio casamento e o único elo que o mantinha conectado com a realidade.


“Meu querido filho” é um drama sobre choque de gerações, sobre expectativas e sonhos dos pais, sobre a incomunicabilidade nas famílias. Apesar de tratar de temas interessantes, acompanhar a busca insana de Riadh pelo filho em terra estrangeira se torna cansativa a certa altura, justamente porque sua urgência é exagerada – Sami não é um menino perdido ou sequestrado, e sim um jovem que resolve desaparecer para poder viver de acordo com suas convicções.

Nota: 3 ligações perdidas (3/5)
Estreia prevista: 3 de janeiro


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