Pular para o conteúdo principal

O retorno de Mary Poppins, a revisitação de um clássico



Mary Poppins volta ao cinema depois de 54 anos: o novo filme da personagem é uma sequência do clássico lançado em 1964, baseado no livro escrito por P. L. Travers, “Mary Poppins Comes Back”.

O filme, que é dirigido por Rob Marshall (“Chicago” e “Caminhos da Floresta”) se empenha bem nas cenas musicais, que é no que ele tem experiência, criando números divertidos que causam nostalgia no público, principalmente para os fãs do primeiro filme. No entanto, mesmo com esses acertos, as cenas não são nada renovadoras nem têm canções marcantes que ficarão nas cabeças do público. 

Resultado de imagem para o retorno de mary poppins

As cenas nostálgicas são bem dosadas e contagiantes, especialmente a introdução, que acompanha Jack (Lin-Manuel Miranda), que percorre Londres nos apresentando e relembrando os antigos cenários do primeiro filme.

A estrutura do roteiro é bem parecida com a do primeiro filme, com algumas diferenças significativas, como a adição de um grande obstáculo e antagonistas na trajetória dos protagonistas, mesmo com a motivação fraca dos primeiros. O roteiro pega elementos importantes do filme anterior, colocando-os nessa nova historia de forma plausível e sem exagero, dando a eles uma nova função que ajuda na trajetória da família Banks. O romance introduzido na historia é bem aleatório, e poderia bem ter sido removido sem fazer nenhuma falta.

Resultado de imagem para o retorno de mary poppins

A fotografia usa bastantes tons do ambiente e dos figurinos dos personagens para remeter ao sentimento prevalecente nas cenas, utilizando tons pastel e coloridos em momentos alegres e divertidos, tons mais escuros e frios em momentos tristes e sérios, e misturando bem as cores em momentos de emoções mistas. A direção de arte também tem grande mérito, criando figurinos deslumbrantes que alegram os olhares do publico de todas as idades.

Resultado de imagem para o retorno de mary poppins

A Mary Poppins de Emily Blunt se inspira bastante na atuação de Julie Andrews, mas dando personalidade própria à personagem, sendo mais rígida, mas sem perder o bom humor e a paciência,;sendo um pouco mais cínica em relação a sua própria magia, ela também é bem direta no assunto, sem enrolação, nunca deixando nada para depois. Diferente da Mary Poppins de Andrews, ela não tem tanta discrição na hora de ajudar os outros, deixando seus atos bem claros.

Resultado de imagem para o retorno de mary poppins

O personagem de Lin-Manuel Miranda não chega a ser o novo Bert (interpretado no primeiro filme por Dick Van Dyke), mas tem carisma, mesmo não sendo um personagem muito memorável.

Outros grandes nomes como Colin Firth, Julie Walters e Meryl Streep têm suas funções na trama, mas são muito mal aproveitados, tendo pouco tempo em tela. A participação de Dick Van Dyke funciona mais como um deus ex-machina, mas mesmo com sua idade avançada, ele ainda demonstra bastante entusiasmo em estar novamente nessa nova história.

Resultado de imagem para o retorno de mary poppins

Embora seja um pouco expositivo, inferior ao primeiro filme e com alguns trechos que podem parecer repetitivos, O Retorno de Mary Poppins é nostálgico, divertido, e agradará principalmente aos amantes do clássico original de 1964.

NOTA: 8 momentos praticamente perfeitos em todos os sentidos.

Trailer:


Comentários

  1. Gostei bastante da crítica de Bruno Martuci focando o filme do passado com a atual, realizando uma análise consistente da fotografia.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

La Boya, um filme de Fernando Spiner

Projeto Gemini traz a nova tecnologia 3D+, apela ao público gamer e proporciona uma intensa imersão

Dirigido pelo Hollywoodiano vencedor do Oscar®, Ang Lee, e produzido pelos renomados produtores Jerry Bruckheimer, David Ellison, Dana Goldberg e Don Granger, o novo filme de Will Smith, “Projeto Gemini” traz a inovadora tecnologia 3D+, High Frame Rate, em que o filme é gravado em 124fps (os filmes normalmente são gravados em 24 fps), o que nos dá uma visão ultra dimensionada de detalhes e uma sensação de total imersão nas cenas do filme.

No longa de ação, Will Smith vive o papel de um misto de agente/assassino, “Henry Brogan” que, ao decidir se aposentar, é surpreendido sendo perseguido por um agente mais novo de seu próprio bureau. No elenco também estão Mary Elizabeth WinsteadClive Owen e Benedict Wong.


Com a temática científica da possibilidade da clonagem humana para fins bélicos, lembra outras abordagens tais como O Soldado Universal e O Exterminador do Futuro.

Em suas cenas de ação, claramente podemos sentir referências a Missão Impossível com algumas pegadas ao bom estilo John …