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O retrocesso distópico na vida real no Brasil em 2019 - Parte 1 - Seria o começo da censura?


Olá, galera que acompanha essa nave USS Sinistra. Infelizmente, sinistra mesmo está a situação de nosso país. Eu estava editando as fotos para postar um artigo sobre Jornada nas Estrelas, a série clássica (Star Trek), mas fui brusca e longamente interrompida por mais uma notícia do circo de horrores que assola nosso país.

O primeiro artigo aqui sobre Star Trek TOS - que "ousou" em vários sentidos (haverá mais posts sobre a franquia), inclusive o primeiríssimo beijo interracial da TV, há 50 anos (inclusive por ideia e insistência de William Shatner, "desafiando" os executivos da época) será postado ainda. Mas não deu. Precisei interromper a programação paa esse "comunicado".

Este blog tem pouco mais de um aninho, mas eu sou tradutora, revisora, crítica de cinema, resenhista literária, enfim, trabalho com imprensa há séculos... Sou quase um Bom Bril. Embora não seja formada em faculdade de jornalismo, eu assistia a aulas como aluna ouvinte. E nunca falei às aulas de ética, especificamente. Eu não posso me calar. nem como imprensa, nem como um ser humano decente. E, nesse caso específico, nem como mulher. 

Se você acha que tudo isso é "mimimi", pode parar de ler por aqui. Comentários de trolls e fascistas serão ignorados e deletados. 

Esse gif de abertura do post foi usado em um projeto que eu dei início lá pelos idos de 2012. Não vou entrar em detalhes das agruras e do estresse que passei por certa falta de respeito, para pegar leve no meu comentário, em relação às minhas ideias. Afinal, pelo menos até um tempo, havia o direito de expormos nossas ideias, não? Sem ofender ninguém, maiorias ou minorias, claro, dentro da ética e respeito ao próximo. 

Mas o pior foi que, lá pelos idos de 2012, literalmente zombaram da minha cara quando falei que a DISTOPIA poderia ser, infelizmente algo real. E, o que estamos vivendo aqui no Brasil com esse novo governo deve parecer um pesadelo de qualquer escritor de livros distópicos, que, a não ser que seja/fosse um sádico, teria pavor... bem, eles não pretendem/pretendiam que esses horrores fossem "copiados" na vida real, imagino. 

Sabe o que é mais irônico e hipócrita? Agora muitos dizem que parece que estamos vivemos em O conto da Aia (livro e série de TV). Quando eu disse algo do gênero, há 6 anos, diziam que eu estava viajando... Claro que estava... só que não. Olha a realidade imitando a ficção. Ainda não li este livro nem vi essa série, mas vou pegar pra ler... Mas tenho uma boa bagagem de leitura, não só distópica, mas muita distopia no meu rol de leitura, e, sim, dá para afirmar que estamos vivendo uma distopia na vida real, também pela reação "conformista" de muitos da população, isso sem tirar o fanatismo de outros tantos. 




Não vou citar coisas que "ouvi dizer" sem checar fontes confiáveis antes (e ouvi horrores que pretendo checar como a "obrigação da catequização dos índios, oi?), mas tenho o dever moral e cívico de comentar não só esse, como vários outros tópicos problemas que já surgiram e sei que ainda vão surgir. Mas preciso comentar, pelo menos nesse post, especificamente sobre esse horror: a não obrigação, por parte do MEC, com o compromisso com a agenda de não-violência contra a mulher em livros didáticos. Ou a suposta, agora, atitude, pois recebemos uma errata que reproduzo a seguir. Por motivos também éticos, retirarei as citações do texto anterior publicado pelo Publish News. Mas só só eu que acho isso estranho? 
Assim que eu tiver mais alguma informação não desmentida, posso vir a editar aqui. E, bem, de qualquer forma, não ter esse compromisso de não-violência contra a mulher em livros-didáticos, seja feito pelo novo governo ou não, ainda é um horror. Assim como membros do governo propagarem séculos de machismo, misoginia, racismo etc. 
Clique na imagem e leia sobre os 10 países mais perigosos para os gays

Do latim: Não permita que os bastardos reduzam você a cinzas.
Sim, eu fui a uma passeata pelas Diretas Já quando ainda estava na escola! Eu tenho consciência política. E ser contra o governo atual não é ser petista, comunista, é ser anti-fascista. Anos e anos lutando por nossos direitos para ver tudo virando uma cópia de mau gosto de obras de ficção que têm como objetivo mostrar horrores que já aconteceram e que poderia acontecer para que não se repita, por exemplo, coisas como a eleição de Hitler. 






Se você acha que feminismo é frescura, que lugar de mulher é na cozinha, que tem que servir aos homens, seja você homem ou mulher, porque mulher machista ainda acho mais terrível... Nem vou tentar convencê-lo(a) da importância sim do feminismo, da luta contra o racismo, dos direitos dos LGBTs, mas posso dizer que vocês podem estudar história em fontes confiáveis, e não em propagadores de fake news. 



Ainda escreverei mais sobre esse assunto específico, mas, para finalizar pelo momento, é estruturalmente nocivo dizer que isso ou aquilo é coisa de menino ou de menina - meninos e meninas usam as cores que eles e elas quiserem. Ou vão criar uniformes cor de cinza agora? Vocês acham mesmo que é impossível que no Brasil se torne crime não fazer parte da "maioria" heteronormativa? 





Ainda há 13 países no mundo nos quais você pode ser condenado à morte apenas pela sua orientação sexual.


Hoje, dia 17 de maio, é Dia internacional Contra a Homofobia. Um dia muito importante para a comunidade LGBT, para lembrar todos os avanços conquistados e, também, refletir sobre o quanto ainda há para lutar. (Fonte: Athos GLS - Laia mais aqui.)

Para "finalizar por ora: Insistir em furar a orelha de sua recém-nascida por ser menina e depois criar um circo de horrores se ela quiser colocar piercing e/ou tatuagem é muita hipocrisia. Afinal, a bebê não tem escolha. A garota adulta, tem. Mas pais e mães automaticamente reproduzem a "tradição" de furar a orelha da criança sendo que ela não tem nem como consentir! Mas como eu disse, isso rende assunto para outro post. 





Vou me apropriar do ACORDE usado pelo movimento negro aqui por uma boa causa, pois é totalmente relevante: ACORDE! Antes que seja tarde demais...


Editado: Essa notícia que foi "apagada" não foi APENAS publicada no Publish News, um colega jornalista acabou de me informar que saiu no Estadão, a Veja, entre outros. Para toda a imprensa estar com essa notícia e depois dizerem que foi errata... isso tem cara sim de censura. 

Editado em 10/02/2019: Amei a atitude do Publish News, que havia publicado a matéria em primeira mão. Constava sim esses absurdos, tantos que eles colocaram de volta a matéria no ar! Jornalismo sério, né gente? Agora me digam, pareceu censura mesmo? Já que não era fake news? ...


Nossa equipe releu a última versão do edital antes da retificação, datada de 1º de outubro (que pode ser lida aqui), e a comparou com a atual versão (aqui) e realmente a parte referente aos quilombolas e às obrigações de tratar do compromisso educacional com a agenda de não-violência contra a mulher foram suprimidas da atual versão do edital [grifo nosso]. Tão logo detectou tal alteração, reativou a matéria e a republicou nas redes sociais. [grifo nosso] - Fonte: Publish News

E tem mais...




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