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#Oscar2019 - Green Book - O Guia merece todas as indicações ao Oscar e mais!


O diretor Peter Farrelly, que está acostumado a dirigir comédia (“Debi & Loide”, “Eu, Eu mesmo e Irene”), mostra que ele consegue trabalhar com uma temática mais séria e fazer um grande filme muito bem equilibrado e divertido.

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O diretor consegue equilibrar-se bem entre a sutileza e o expositivo, deixando claro o caráter e a personalidade do protagonista, sem pender muito para o óbvio ou clichê. O tema do racismo nos anos de 1960 também é colocado no contexto da história, mostrando que mesmo sendo da alta sociedade, as pessoas negras ainda não eram totalmente respeitadas. O humor do filme é muito bem dosado: quando o diretor quer inserir uma cena mais cômica, ele consegue inseri-la na história sem que fique forçada ou desnecessária, com mérito para a cena do frango frito, que é uma das melhores do filme (se não for a melhor).

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O roteiro tem ótimos diálogos, principalmente as conversas entre Don Shirley (Mahershala Ali) e Tony Lip (Viggo Mortensen), em como cada um pensa em relação ao outro, e de que forma isso afeta a relação entre eles, tanto de forma positiva quanto negativa, tendo também um excelente trabalho de construção de personagens, mostrando como, ao longo da história, como eles vão se transformando e mudando por meio da convivência um do outro. 

O roteiro também consegue mostrar como o racismo não está somente nos insultos de pessoas racistas, mas também em vários estereótipos apresentados durante as conversas entre Don e Tony, mesmo não tendo intensão de insultar [as chamadas microagressões], e o público consegue sentir o desconforto de Don, mesmo que ele não tenha manifestado seu desgosto pelo jeito de pensar de Tony. Em alguns momentos, o filme fica previsível no que toca às atitudes dos personagens e no que disso resultará para eles, mas, quando o resultado acontece, o roteiro consegue surpreender.

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No início, Viggo Mortensen parece meio caricato interpretando seu personagem, porém, ao longo do filme, ele tem um bom desenvolvimento, mostrando que é um pequeno golpista que faz de tudo para sobreviver, e que também é um homem de família, mesmo com seus defeitos e com seus preconceitos, mostrando no início o seu lado racista e como ele se recusava a trabalhar para um homem negro, além de  como ele começa a mudar gradualmente, ao enxergar um pouco da realidade dos negros no país através de Don e no que ele sofre, mesmo vivendo com o luxo que ele tem.

Mahershala Ali equilibra bem seu personagem, mesmo com o preconceito que sofre em toda a trama, ele nunca perde a compostura ou a calma. Mesmo sendo um músico brilhante, tocando para a mais alta sociedade branca, ele ainda é discriminado pelas mesmas pessoas que o aplaudem, e quando o roteiro finalmente mostra como o personagem consegue aturar tudo isso, Ali faz um grande show de interpretação, junto com um dos melhores diálogos do filme, mostrando que ele não se sente bem nem com os brancos nem com os negros.

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O filme "Green Book" que recebeu o subtítulo "Um Guia", por haver um filme homônimo em português sobre como motoristas deveriam conduzir um passageiro negro, é um guia sobre como as pessoas racistas deveriam acabar com o preconceito que elas têm, além de ser um filme que consegue abordar muito bem o tema em questão, ele é divertido, cativante, emocionante, com excelentes atuações.

NOTA: 10 pedaços de frango do Kentucky Fried Chicken. (10/10)

Trailer:




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