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Alita: Anjo de combate, o filme - Além do humano


O novo filme da dupla James Cameron e Robert Rodriguez chega agora nos cinemas do Brasil, depois de estrear em segundo lugar nas bilheterias mundiais. Inspirado nos mangás que foram/estão sendo lançados aqui no Brasil pela JBC, e com um livro adaptado do filme, que ainda vou ler, Alita é um novo filme que promete uma nova e épica franquia do trio responsável por Sin City, Solaris e Avatar (o terceiro nome que completa o trio por trás de Alita é Jon Landau). 

Eu tive a oportunidade de ver já em dezembro, depois da exibição de Dragon Ball Z Super Broly na cabine de imprensa, uma série de teasers para a imprensa do filme Alita: Anjo de Combate,  e me lembro bem que meu lado que ama novidades ficou bem empolgado, e meu lado que detesta spoilers ficou se perguntando: mas, gene! Se estão mostrando tudo isso (foram várias cenas…), como será que o filme se mantém? Sim, eu achei que foi mostrado muito para a imprensa naqueles teasers. 

E me surpreendi ainda mais quando fui assistir ao filme e foi simplesmente uma imersão incrível, não só no IMAX 3D, como na história em si, que conseguiu ir muito além de todos aqueles teasers, me surpreendendo e fazendo com que eu me apaixonasse por aquele mundo distópico e cruel, ainda que cheio de esperanças - que é meio que uma marca de James Cameron, certo? Vários momentos evocavam Titanic, Avatar e até mesmo Matrix, não pela semelhança em termos de história em si, mas pelos climas evocados e a sensação de que temos de prevalecer como ser humanos quando a humanidade em si está corrompida - e, embora seja clichê, é um clichê ótimo: muitas vezes os ciborgues e androides da vida são mais humanos que muitos seres ditos “humanos” -  e isso não fica de fora de Alita. 

Um dos momentos mais tocantes do filme para mim foi aquele sobre o qual não entrarei em detalhes para não soltar spoilers, mas é o que leva Alita a ter as faixas vermelhas no rosto (sim, é sangue…)



Eu não li os mangás, embora tenha agora ficado bem interessada neles, e vou ler o livro lançado pela Editora Record em breve, então não tenho como fazer a comparação com os mangás nem com o anime. Mas posso dizer, pelo que (bem) conheço de animes, que Alita nos remete, por vários dos temas abordados e algumas situações específicas, a muitos dos melhores animes que já vi na vida, não apenas pela ficção científica, como também pelos momentos altamente reflexivos sobre o que é ser humano, se vale a pena fazer qualquer coisa para realizar os sonhos, se há volta depois de o ser humano ser corrompido, etc. 

[O livro está em pré-venda, com lançamento previsto para 18/02/2019.]



Alita conseguiu me fazer realmente gostar daquela menina deslumbrada que era uma ciborgue “descartada” e que, mesmo depois de saber quem ela é, acaba moldando seu eu com base em sua situação atual, e não em sua origem, dando a entender que não precisamos nos ater tão ferrenhamente ao passado quando podemos simplesmente nos tornar seres humanos melhores e sermos quem realmente queremos e podemos ser sem medo, ou melhor, com medo, sim, pois o medo é útil, mas com coragem também. 



Ah, façam um favor a si mesmos e, para mergulharem nessa belíssima e épica fantasia futurista de Alita - Anjo de combate e assistam ao filme preferencialmente em 3D e IMAX ou XD, para saborearem ainda mais essa maravilha visual que é o filme, que é um ultra deleite visual e não decepciona nem um pouco em termos de imagens e CGI, ainda mais sendo criado e produzido por aquele que praticamente "criou" o 3D com Avatar. 

5 pedaços de chocolate, o melhor “alimento” do mundo ;) 

[Porque se waffle sempre vai me fazer me lembrar da Eleven, agora chocolate sempre me remeterá a Alita.]

Trailer:


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