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#Streaming - Ana e Bruno, um filme que usa a loucura como porta para mostrar a toxicidade de certas pessoas


Ana e Bruno é, de fato, como digo no título desse post, um filme que usa a loucura como porta para mostrar a toxicidade de certas pessoas, mas não se limita a isso.

Ana e Bruno mostra, com uma animação belíssima e encantadora, como o ser humano consegue criar paranoias e coisas que não existem, fruto de seus medos, de suas angústias, de seus pré-conceitos, enfim: de suas neuroses. Ana é uma menina encantadora, que faz amizade com vários amigos imaginários criados por outros internos em um hospício. Bruno, um homenzinho verde, que nos lembra um duende, é um desses amigos. Não que ele ou Ana não tenham defeitos - eles têm. Os personagens principais são profundos, não são aqueles estereótipos simples, eles têm camadas, estando mais para arquétipos.



A história começa quando Ana e a mãe são levadas pelo pai a um lugar que parece ser muito bonito, mas que é, na verdade, um hospício. Em meio às aventuras de Ana para ir atrás de seu pai, somos apresentados aos conflitos que vão sendo desvelados aos poucos, como se estivessem descascado uma cebola. E Rosy, a paquiderme "criada por um controlador neurótico", como nos informa Bruno, é tão assustadoramente tóxica, extremamente controladora, birrenta e obcecada pelo próprio Bruno - que meio que se aproveita disso quando lhe é útil - que dá medo. A toxicidade dela é muito alta, e me passaram pela cabeça algumas pessoas assim que já conheci. Tenso demais.

Carlos Carrera imprime sua marca na película, além do que notamos algo bem comum em filmes mexicanos e/ou com temática mexicana, como vimos em Viva - A vida é uma festa: a memória. O esquecimento que leva à não-existência. A animação tem toques dessa temática em diversos momentos, nos deixando com os coraçõezinhos repuxados de agonia em vários momentos.



No entanto, o filme não para por aí e se aprofunda nos temas de loucura, perdas e recomeços, e consegue ser encantador, embora pesada pelos temas abordados, e foge ao lugar comum. Ana e Bruno ganhou já um lugarzinho especial no meu coração junto a Minha vida de abobrinha, e quando revi o filme (o que recomendo), eu já o vi sabendo do que estava para acontecer, então dá aquelas sensação de que tudo se encaixa e as dicas estavam ali, desde o comecinho, para juntarmos as peças do quebra-cabeças. O filme surpreende e encanta, um "conto de fadas" sombrio, por assim dizer, do que eu deveria ter desconfiado, já que veio recomendado por ninguém menos do que Guilhermo Del Toro.

5 baiacus imaginários flutuantes (5/5)

Disponível em streaming: Amazon Prime Video 

Trailer:


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