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Clímax, provocativo e perturbador, em cartaz, o novo filme de Gaspar Noé


Depois do  filme Love (2015), o diretor Gaspar Noé volta aos cinemas com o seu mais recente trabalho, provocativo e perturbador: Clímax. 

Inicialmente, o filme não deixa claro o estilo que seguirá. Logo no início são mostrados todos os personagens sendo entrevistados em relação ao que a dança significa para cada um, sobre seus pesadelos e suas ambições, e essa cena continua por um longo tempo, dando ao espectador a ideia de que esse é o estilo do filme, o que não agrada muito, já que a cena se estende demais e deixa o público exausto.

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O diretor abusa dos planos longos, mas que, ao contrário das cenas da entrevista, são muito impressionantes, com destaque para o longo plano sequência que mostra os personagens interagindo todos juntos em um numero de dança muito bem ensaiada e sincronizada.

O roteiro, embora confuso, consegue construir bem a relação entre os personagens durante os ensaios de dança, onde todos apoiam e incentivam um ao outro, mas, quando eles não estão praticando, a situação é totalmente o contrário, mostrando os personagens em duplas ou em trio falando de outro pelas costas, utilizando planos com cortes bem expositivos, dando a sensação de que o espectador deu uma rápida piscada nas trocas de cenas.

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O diretor também utiliza métodos experimentais em vários momentos, como pequenas frases poéticas introduzidas no meio do filme, remetendo ao que a cena a seguir quer dizer.

A partir do segundo ato, o clima começa a ficar mais pesado, provocando desconforto quando os personagens começam a desconfiar uns dos outros, o que gera uma série de eventos impulsivos em que a natureza de cada um é revelada, revelando a pior parte do ser humano. 

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Devido ao excesso de personagens, o filme fica um pouco exaustivo, sempre mostrando a alteração e o descontrole de cada um, sendo que às vezes o diretor se prende demais em mostrar um personagem, quando a situação de outro personagem é mais interessante, e alguns deles são esquecidos até o final do filme.

A fotografia psicodélica passa ao espectador a sensação de bebedeira vista de fora, utilizando planos holandeses e com a câmera sempre em movimento, que fica bem próxima ao que está acontecendo, junto com a mistura de cores para causar uma impressão de surrealismo em quem está vendo o filme, transitando de uma cor para outra toda vez que o personagem troca de ambiente para mostrar a variação de loucura e descontrole de cada cenário. Durante o terceiro ato, o diretor opta por filmar de ponta cabeça com uma luz vermelha forte que ilumina todo o espaço, para mostrar o inferno que o lugar se tornou.

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O desfecho é perturbador, mostrando as consequências dos atos de cada um, mas o que já era esperado pelo publico.

Clímax é um filme que, por meio da arte da dança, consegue mostrar o lado mais cruel e desumano da humanidade.

NOTA: 7 passos de dança expressionistas. 

Trailer:


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