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Resenha do livro: Uma bolota molenga e feliz, de Sarah Andersen (Editora Seguinte)




Eu já tinha lido e adorado “Ninguém vira adulto de verdade”. Sarah Andersen capta com foco e traço únicos momentos das vidas de muitos de nós que já se cansaram de tentar se enquadrar em moldes previamente estabelecidos pela sociedade, o “senso comum” e o status quo. Ela fala diretamente com os leitores, ao mesmo tempo em que nos diverte e nos chama para a realidade: Seria preciso mesmo virar “adulto de verdade”?



Vendo recentemente a série da Marie Kondo na Netflix, eu notei essa “ânsia” que muitos ainda têm, seja por cobrança dos pais, de amigos, do(a) parceiro(a) ou até mesmo interna, de “virar adulto”. E me pergunto: para quê? 



Para pagar boletos, trabalhar, comer, dormir e ir trabalhar como se fosse mais apenas uma peça no sistema? Pois eu prefiro, como Sarah parece ter aceitado com suas tirinhas meio que autobiográficas, ser a porca redonda que não se encaixa em um parafuso quadrado, pois longe de mim virar uma coisa massificada e infeliz… E é aí que entra: “Uma bolota molenga e feliz”, cujo título já me define hahaha



Seja você como a autora, ou simplesmente curta tirinhas cheias de doçura mesclada com uma boa dose de sarcasmo e realidade, esse livro é para você. Porém, se você for uma bolota molenga e feliz, mas cheia de ansiedade, maneirismos, introvertida e meio antissocial, aproveitará a leitura ainda mais. 

5 bolotas molengas e felizes.




“Interações sociais podem ser bem exaustivas para alguém como eu. Sei que não estou sozinha. Essa exaustão depois de interações sociais acomete muitos introvertidos, tímidos e ansiosos. Mas também descobri que, se você se isola demais, cedo ou tarde acaba sofrendo de exaustão pelo isolamento.”

“Para diminuir minha ansiedade, estou tentando selecionar melhor as coisas com que me preocupo. É quase uma apatia forçada para combater o Pensar Demais. Imagine um super-herói cujo poder fosse dizer: ‘Não tô nem aí.’”




“Acho que a coisa mais importante que aprendi foi que o objetivo de ser sociável é se divertir. Costumo esquecer isso quando estou em posição fetal, sozinha no meu quarto, me escondendo de tudo. Tento lembrar que a razão para encontrar meus amigos é desfrutar da companhia deles, não ficar preocupada com todas as opiniões ou com cada errinho que eu cometer.
Não sei se algum dia vou me livrar completamente das minhas panes robóticas, ou do Pensar Demais, ou de tirar conclusões precipitadas. Mas estou aprendendo a me divertir apesar de tudo.”

“Eu tenho dificuldade para gostar de coisas muito populares. Não é uma característica da qual me orgulho, mas sempre fui assim. No fundo, no fundo, sei que a minha alma já nasceu cínica, pronta para odiar tudo que está na moda.”




“Eu também não entendia o que os gatos tinham de tão especial. Até onde eu sabia, eles só ficavam deitados pela casa e, de vez em quando, derrubavam alguma coisa. E as pessoas tiravam fotos dos gatos fazendo isso. Puxa vida, tiravam muitas fotos!”




E essa frase resume a vida hahaha ;) Troque “blusão” por qualquer outra coisa e … voilà!

“Encontrar o blusão ideal é mais difícil do que se imagina. O mundo está cheio de blusões ruins.”




***




Se vocês clicarem nessa imagem aí embaixo, ela as levará à página de compra do livro na Amazon Brasil e vocês estarão nos ajudando a conseguir alguma graninha para colocarmos mais combustível na nossa nave, a USS Sinistra. 
Antecipadamente agradeço, A Capitã

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