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Capitã Marvel: Empoderamento feminino bem-vindo em tempos sombrios



Neste mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher (embora, infelizmente, as notícias que vemos dia após dia, especialmente relacionadas a feminicídio, acabem fazendo com que nos perguntemos o que temos a celebrar...), tivemos a estreia de Capitã Marvel que, apesar de vários arrotos de machos alfa e companhia, lacrou sim e faturou nas bilheterias sim, viram? Quem lacra, lucra sim!

É supremamente importante que filmes diversos, sejam mais “sérios”, “de arte” ou sejam “blockbusters” ou filmes mais “desprenteiosos” abordem questões importantes para a sociedade, já que o entretenimento tem historicamente não só a função como o dever de moldar as pessoas para o futuro. Não vou traçar um estudo sociológico aqui, mas há estudos e mais estudos que comprovam que as pessoas tendem a reproduzir não apenas aquilo que elas aprenderam com parentes, professores, amigos etc. na vida, como também aquilo que veem na TV, no cinema, em videogames, etc. Sim, o entretenimento molda as pessoas. Sendo assim, não precisamos de videogames como Rape Day, uma coisa bem desgostosa que me causa ânsia só de pensar que tenha sido criada, mesmo que banida da Steam. Precisamos de mais filmes como Capitã Marvel. 


Eu não gosto de nenhuma temática nem lição de moral forçada de modo algum no meu entretenimento. Eu espero que essas coisas sejam inseridas na trama de um modo não didático e chato. Isso vale para qualquer coisa. Inclusive explicar algo demais, subestimando os espectadores, como se fossem os piores alunos da quarta série do ensino fundamental. E Capitã Marvel acertou em cheio. Sim, no feminismo. Um feminismo necessário e nada chato. Repense um pouco suas atitudes e seus pontos de vista se você achou o girl power de Capitã Marvel incômodo. Porque talvez o problema não seja com o filme….

Se você quiser ver “apenas” uma crítica sobre o filme, leia aqui a do Bruno Martuci. Mas, se você quer se aprofundar nessas questões sociais e na onda de ódio dos machistas de plantão que tentam nos minar (quando não nos matam mesmo, como, infelizmente, comprovam as estatísticas), aqui é o lugar certo. 

Se vocês, “meninos”, acham mesmo que exageramos, me digam uma coisa: Vocês se ficam preocupados em chamarem um Uber tarde da noite ou de madrugada e acabarem sendo estuprados e/ou levados para algum lugar estranho ou algo do gênero? Vocês ficam com medo de ficarem fechados em um lugar com uma mulher, pois ela poderá atacá-lo a qualquer momento? Vocês ouvem o tempo todo que conseguem fazer isso ou aquilo até que bem, para um homem/apesar de ser homem? 



Embora sim, seja possível que alguns respondam sim a todas essas e outras questões similares, é óbvio que a maioria dos homens nunca passou por isso. Então, por favor, calem-se e parem com todo esse mimimi de vocês que dizem que nós fazemos mimimi, reclamando da Brie Larson, reclamando que ela disse que o filme não é para homens brancos, largue essa sua atitude de macho alfa e vire gente. 

Está tudo bem não gostar do filme. Ninguém é obrigado a gostar de nada. Aliás, você pode gostar de boneca, se for menino, de carrinho, se for menina, de azul se for menina, de rosa, se for menino, de pilotar carro de Fórmula Um se for menina, de dançar se for menino. Mesmo com todos os estigmas envolvendo essas questões, não há nada de errado nisso. Mas, se continuarem com essas ideias de macho alfa mimado e tóxico achando que tudo está aí para ofendê-lo, amigo, aí a coisa fica feia. 



No entanto, se incomodar com o feminismo do filme pode ser um indício de algo assustador. Incomodar-se com o feminismo do filme de forma tão agressiva como podemos ver pela internet toda é indício de algo assustador. E o que seria? Medo da mudança do status quo? Medo de “perderem lugares” para as mulheres?  

Ah, em tantos anos de MCU, primeiro filme solo de uma protagonista feminina. E nos quadrinhos, antes, era o Capitão Marvel, e não uma mulher, porque, por favor, gente, antes de mimimi, estudem as histórias dos quadrinhos, que sempre tiveram ligação com pautas e agendas políticas e sociais, antes de virem falar besteira. Os estereótipos negativos sempre dominaram nas HQs, de acordo com a época. E, mesmo quando tínhamos alguma mulher forte nas histórias, ela muitas vezes acabava tendo o “final” feliz na união (em casamento, geralmente) com seu par romântico. 


Se dá muito bem para fazer várias histórias com homens protagonistas sem ter que necessariamente fazer com que ele se case no final para “ficar completo”, por que com as mulheres não pode ser diferente?

E não me venham com essa de que a Viúva Negra é diferente. Arrumam par romântico, implícita ou explicitamente no MCU desde que ela apareceu. em praticamente todos os filmes em que ela apareceu. Teve a médica coreana cuja participação maior foi “babar” pelo Thor na Era de Ultron. A Pepper Potts foi ficando cada vez mais a “mina” do Homem de Ferro do que a mulher interessante que ela parecia ser desde o começo. Não, adoro os filmes do MCU, gosto das HQs e tal, mas a Marvel vem pecando e muito nessa parte. Os poderes da Wanda diminuídos e o foco aumentou no romance com o Visão. 



Então, sim, já havia passado da hora de termos um filme com uma protagonista, no MCU, que não fosse maculado por toda essa sujeira de machismo, misoginia, generalização e tal. 

É o melhor filme da franquia até agora? Um dos melhores, na minha opinião, tanto em termos de filme de origem de personagem como no quão bem se encaixa no MCU. É totalmente revolucionário? Não, mas acaba fugindo de vários clichês de filmes com protagonistas femininos, sejam super-heroínas ou não, como a necessidade do par romântico, que temos até no excelente Mulher Maravilha de Patty Jenkins. 

Gosto é pessoal. Eu adorei o filme. Ele fala, entre outras coisas, sobre empoderamento feminino.  E isso é realmente um problema, como estão a gritar os incomodados machos alfas na internet? Não. E, se você não é mulher, não tem como saber realmente como é ser mulher e ter que se preocupar com o que veste, come, fala, como senta etc. para viver em sociedade. Você não ouve que é incapaz de fazer isso ou aquilo por ser mulher. Aconselho a leitura desse post aqui. Sim, inferior é o car*lh#! 



Assim como, por mais que eu me esforce, eu não tenho como literalmente saber na pele como é ser uma mulher negra na sociedade atual, ou um homem negro ou árabe, o que seja que não seja uma mulher branca nascida no Brasil, em São Paulo etc. Se você não é mulher, fica bem difícil saber o que nos incomoda e afeta gravemente na pele. Mas você pode se informar, pode falar com suas amigas, mãe, namorada, enfim, com as mulheres. Afinal, se somos as vítimas, por que buscar informações a nosso respeito com os nossos agressores?  E, antes de mais nada, não me venham falar que somos vitimistas. O feminicídio é algo gritante, as estatísticas parecem piorar em vez de melhorar, e todo e qualquer grito de guerra em prol do respeito e da igualdade para nós, mulheres, é bem vindo. 

O protagonismo feminino precisa romper sim as barreiras de gênero no entretenimento, assim como fora dele. Há estudos que comprovam que, nos screenings de filmes, há relutância por parte de homens e mulheres a mudanças que consideram “radicais”. Isso por causa de uma espécie de lavagem cerebral coletiva, que reproduz (tanto homens quanto mulheres) que, por exemplo, é normal em uma comédia romântica, quando, seguindo a fórmula, o suposto casal se separa, e o homem fica com outra antes de voltar para a “mulher de sua vida”.  Mas, se a mulher fizer isso… ah, até mesmo mulheres tendem a achar isso errado! A quebra de paradigmas precisa ser feita. Tivemos isso feito de um jeito grandioso em Eu não sou um homem fácil, em que não somente o feminismo não é nada forçado, como mostra de forma chocante como o mundo é cruel e machista mesmo que, infelizmente, estejamos acostumados a isso. Mas, pensem bem, não é porque nos acostumamos com algo ruim, que isso se torna certo por tabela. 



E vocês acham mesmo que o feminismo é desnecessário? Preciso também lembrar vocês de tudo que já falei aqui, no post do Dia Internacional da Mulher? Do feminicídio, de que as mulheres não podiam, por lei, jogar futebol no Brasil até não tanto tempo assim… Em como a série F.R.I.E.N.D.S. é misógina, machista, transfóbica, gordofóbica, mas muitos dizem que está tudo bem, usando a desculpa patética de “na época as coisas eram assim”? Então tá. Vou seguir a mesma linha. Agora as coisas são assim. Não vamos mais aceitar nada disso. Vamos mostrar que lugar de mulher é pilotando avião, cruzando mares, “lacrando” em todos os postos que ela quiser. 

E, se ainda não paramos de ser julgadas, condenadas e mortas apenas por sermos mulheres, pelo menos não abaixaremos mais as nossas altivas cabeças para isso. Pelo menos as mulheres conscientes. Aquelas que, felizmente, não se tornaram mais machistas e corrompidas do que muitos anos com anos e anos de todos, o governo, a sociedade, os homens, nossas mães etc. nos dizendo que somos inferiores. que precisamos fazer isso ou aquilo para sermos dignas de algum homem que nos acolherá e aceitará e blabláblá. Inferior é o caralho! E, eu termino com outra pergunta: o feminismo nos filmes o(a) incomoda mais do que assassinato ou estupro? Se esse for o caso… deve haver algo de muito errado com você. 

Ps.: Eu disse que o entretenimento molda as pessoas... o que é bem diferente de dizer que a culpa é do videogame...



Extras: 

Nota: 10 gatinhas fofinhas de cujas boquinhas saem tentáculos!
A camiseta do NIN... Ah, amor pessoal <3
A trilha sonora: Apesar do machismo e da misoginia gritantes, as músicas da década de 1990 são incríveis! Bela escolha de canções. 
A tecnologia porca hahahahaha pager, internet discada, uma belezinha, só que não.
Aquele momento em que o Nick Fury se sente o máximo com sua técnica, mas Carol Danvers poderia ter literalmente explodido tudo hahah
O filme merece ser visto em 3D/XD/IMAX. Visual impecável nos efeitos, na forma incrível como fizeram o rejuvenescimento facial de Nick Fury e do Agente Coulson. 
Piadas no ponto, sem exageros como em Thor: Ragnarok (eu amei o filme, mas convenhamos que exageraram um pouco nas piadas). 

Rob Sheridan fez um mimimi no Twitter sobre a versão bootleg da camiseta do NIN usada pela Carol no filme. Gente, haha, ela roubou as roupas sem nem saber o que era, ela nem lembra que é terráquea, socoooorro! O.o



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