Um Amor Inesperado, um filme de Juan Vera


A comédia romântica Um Amor Inesperado, dirigida pelo argentino Juan Vera, tem uma boa história que é bem explorada em muitos aspectos, e consegue surpreender mesmo nos momentos previsíveis.

O início do primeiro ato apresenta bem o casal principal do filme, mostrando sua rotina, e seu relacionamento saudável, mas tem um ritmo bem maçante, o que faz o público perder o interesse na história do casal, até que o diretor apresenta um grande dilema sobre a situação do casamento deles. A partir daí o ritmo começa a ficar mais dinâmico e engraçado.


O diretor opta por usar o recurso narrativo dos protagonistas estarem contando a história, quebrando a quarta parede em alguns momentos, com o objetivo de introduzir uma informação que apresentará a nova situação dos personagens, mas que acaba não combinando com ritmo que a história estava tomando, deixando o espectador notar que está vendo um filme, fazendo com que não sinta o que personagens sentem por um momento.

A partir do segundo ato, o diretor estabiliza o ritmo e a narrativa, apresentando a nova vida de solteiros dos protagonistas e as situações cômicas e constrangedoras em que eles se metem a cada encontro, que raramente termina bem.


O que mais se destaca no roteiro são os diálogos bem elaborados junto com a situação em que um dos personagens se encontra quando o assunto é o relacionamento deles, ao conversarem com outras pessoas, quando o assunto é sobre estar em um relacionamento, fazendo-os questionar o que os prendem a seu casamento, e ao longo do filme a dúvida permanece, ao se perguntarem por que se separam, nunca chegando ao meio termo, o que provavelmente interfere e impede que tenham novas vidas com outras pessoas.


O diretor consegue abordar outros assuntos interessantes durante o filme, como relacionamentos de pessoas da meia idade, o uso de aplicativos de namoro, manter a amizade com seu ex, que conseguem se encaixar com a trajetória dos personagens, e mesmo com esses temas sendo pouco abordados, o diretor consegue fazer uma excelente execução do roteiro, sendo curto e direto no assunto, apresentado como um conselho para o personagem, deixando o tema orgânico e plausível na história.

A química entre os dois personagens funciona bem, devido à atuação dos atores que mostra que os dois estão se empenhando bem para dar ao público a sensação que eles realmente tiveram um longo relacionamento. 


Ricardo Darín passa a primeira impressão de que seu personagem está feliz com a vida que tem com sua esposa, mas esconde um desconforto com a rotina padrão que ele adquiriu. Diferente dele, Mercedes Morán deixa claro que está enjoada e um pouco infeliz com seu casamento, embora não mostre suas reações na frente do marido de imediato, mesmo com eles tendo dilemas e divergências sobre estarem juntos ou não, fica claro que os dois sentem um carinho enorme um pelo outro.

O desfecho, embora seja bastante previsível, é bem satisfatório e convincente devido à trajetória deles no decorrer do longa. Mesmo sendo piegas, o filme é bem divertido, bem dirigido, com excelentes diálogos e consegue abordar várias facetas e tipos de um relacionamento.

NOTA: 7 encontros constrangedores e meio.

Crítica por: Ana Carolina



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