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O Gênio e o Louco, um filme de Farhad Safinia


Além do tema principal do filme O gênio e o louco, que é a criação do dicionário de Oxford, o roteiro nos apresenta vários arcos envolvendo os personagens, alguns necessários para a construção da história principal, como o relacionamento dos personagens de Mel e Sean, que é muito bem introduzido na trama ao mostrar a forma de como eles se conheceram e como um ajudava o outro, com o mesmo objetivo de encontrar cada significado e origem de cada palavra existente para ser adicionada ao dicionário. Outros arcos introduzidos são desnecessários, como o arco da família do personagem de Mel, a relação dos personagens de Sean e Natalie, que só está presente na história devido a uma consequência de um ato do personagem de Sean no início do filme e que, mesmo sendo bem construída, quando o diretor foca nessa relação, perde um pouco do foco principal da história, perdendo também o interesse do público, sendo que a dinâmica do filme está no desenvolvimento do progresso do dicionário.


Mesmo o diretor Farhad Safinia tendo problemas em manter o ritmo estável devido a arcos dramáticos desnecessários, ele consegue ser direto em alguns assuntos do filme, como na apresentação do personagem de Mel e seus objetivos e suas ambições de compartilhar sua inteligência para preservar a história da humanidade através das origens das palavras conhecidas. O diretor opta por colocar grandes homens de Oxford como vilões para o personagem de Mel, esperando que ele falhe de alguma forma, o que deixa o clima artificial.

Em vários momentos o roteiro dá a impressão de que o filme se transforma em um dicionário em imagens, ao mostrar os personagens falando a descrição e o significado de uma palavra ou quando dois personagens falam uma determinada série de palavras de determinada letra, de forma sequencial e dinâmica, que é apresentada de modo diegético e natural; porém, quando esse elemento ganha potencial, o diretor opta por direcionar o ritmo para outro caminho, perdendo a criatividade e a oportunidade de imprimir personalidade no estilo do filme.

Outro mérito do roteiro, junto com a direção, é em mostrar o trabalho de pesquisa de procurar a origem de cada palavra existente, e de como isso pode ser cansativo e exaustivo, a ponto de fazer qualquer um desistir a qualquer momento, principalmente quando essa frustração de pesquisa ainda está na letra A, mostrando o quanto escrever um dicionário pode ser mais difícil do que escrever um romance fictício.

Mel Gibson tem um ótimo desempenho em seu personagem, mostrando a determinação de escrever um dicionário contendo todas as palavras existentes, mesmo muitos não acreditando que isso seja possível, ele nunca perde as esperanças, principalmente depois que ele consegue ajuda do personagem de Sean.

Mesmo que Sean Penn esteja bem em seu papel, seu personagem fica quase esquecido em vários momentos, sendo que ele tem uma grande função para o desenvolvimento da história. Ao ser apresentado, é mostrado um lado de seu delírio que o leva à loucura, mas é um elemento que fica esquecido pelo roteiro em um certo ponto da história, deixando vaga a conclusão de seu maior conflito interno.


Natalie Dormer também tem uma ótima atuação, mesmo sua personagem tendo mais presença que a de Sean, sua construção é bem feita, mostrando seu ódio pelo personagem de Sean, e ao longo de sua interação, ela vai descobrindo mais sobre sua vergonha e arrependimento, sem que ele peça seu perdão em troca.

O diretor deixa o desfecho um pouco apressado e confuso, mesmo finalizando a história dos dois protagonistas, deixa a impressão que ele não teve muita criatividade para finalizar o filme.

NOTA: 6 palavras para o dicionário e meia.

Trailer:

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