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O mundo sombrio de Sabrina: segunda parte da série da #Netflix finalmente é elevada a uma mais alta potência em sua jornada sombria



Como resumir a segunda parte de O mundo sombrio de Sabrina? Mais sombria, mais intensa, uma jornada geral em busca de libertação, contra a misoginia, o machismo, em busca do verdadeiro eu, seja em termos mais filosóficos ou sexuais, a série arrasou! 

Do que eu mais gostei nessa segunda parte de O mundo sombrio de Sabrina? Se na primeira parte muita coisa ficou jogada, os lances de gênero e poder e tal, nessa segunda parte, esses temas foram finalmente bem trabalhados. Analisando em retrocesso, parece que a primeira parte foi pensada daquele jeito para depois chegar a esse crescendo e essa conclusão. 


Impossível não querer ver um episódio atrás do outro, sem parar. Apesar de alguns clichês de sempre, como um dos mais básicos “o menino acaba de aproximando da menina a mando de alguém, mas depois se apaixona por ela de verdade”, essa segunda parte de O mundo sombrio de Sabrina não apenas ficou bem mais sombrio, como acabou elevando a série a um outro patamar. 

Infelizmente, até Sabrina de fato, digamos, “acordar”, ela continua agindo de forma impulsiva, influenciada e dependente de outros (hum, Srta. Wardwell…), mas há momentos em que realmente ela se destaca e acaba nessa temporada, apesar de tudo, crescendo como personagem. 

As irmãs estranhas, especialmente Prudence, acabam ganhando mais destaque, e vemos que nem tudo é bem preto no branco e esses tons de cinza se aplicam não só a elas como a Sabrina também: ela acha mesmo que se aproximar de Prudence e das outras pessoas só quando ela precisa é legal? É amizade? Obviamente que não, e adorei quando a Prudence jogou isso na cara dela. E, sim, Sabrina é bem falha como pessoa, mas não seria idealizado e irreal demais se ela sempre fosse certinha, se nunca errasse, se sempre estivesse no comando? Eu acho que seria. O crescimento dela e de vários outros personagens nessa segunda parte foram muito bem-vindos. 




Assuntos muito importantes foram colocados na mesa de uma forma mais incisiva, porém não tosca nessa segunda parte: enquanto Sabrina busca eliminar a misoginia, com a ajuda da senhorita Wardwell, entre outras, tanto no ambiente escolar, como na academia, como na Igreja da Noite, esse assunto vai tomando forma e mostrando como, em pleno 2019, o mundo ainda é super dividido em papéis de gênero e como ainda falta muito a trilharmos para que nós, mulheres, deixemos de ser vistas como inferiores. É o grupo de basquete só para meninos, o bar dos bruxos só para “cavalheiros”, enfim, toda essa porcaria esquematizada há anos pelo patriarcado que tem que ser derrubada, sim. E com muita luta. A transição de gênero de Susie foi meio rápida, na minha opinião, mas não foi abordada de forma tosca e, como já mencionei antes, Lachlan Watson se diz não-binário, mas já teve uma época em que se considera um homem trans, dos 3 aos 15 anos de idade. 




Sexualidade não é algo simples e, para citar Oscar Wilde, já que temos até o personagem de Dorian Gray, que amei demais, e, diga-se de passagem, o ator ficou perfeito, bem parecido com como eu sempre vi o “meu” Dorian ;)… voltando, como dizia Wilde, “definir é limitar”. E mesmo Ambrose não se limita e acaba revelando que ele não é exatamente gay, que ele não precisa ser “convertido”, pois sempre adorou “deuses” e “deusas”… Interessante, para dizer o mínimo. 

Ainda sobre o feminismo necessário, um dos momentos mais marcantes foi quando Wardwell/Lilith definiu o que o casamento é, segundo ela, e, infelizmente, é o que muito acontece na vida real, para as mulheres. Triste, mas bem verdadeiro em grande parte das vezes... 




Infelizmente, não vimos tanto do Salem quanto eu disse que queria no meu post de expectativas para essa segunda parte, e ele não falou, apenas miou. Ok, não custa sonhar. Afinal, parece que a série tem até sua quarta temporada garantida pela Netflix ;)

Se na primeira parte confesso que havia me incomodado o lance de eles usarem muito aquele estilo de “monstros” que eu amava em Buffy, a Caça-Vampiros e meio que achei meh em Sabrina, okay, nessa segunda parte ficou bem legal, não sei, encaixou. Ou talvez eu apenas tenha deixado de implicar com isso porque a série, de modo geral, ficou fantástica. 

Personagens questionadores, que questionam e lutam para derrubar necessárias muralhas do status quo e até mesmo personagens que não eram tão incríveis assim, pelo menos para mim, na primeira parte, como o próprio Harvey, acabam ganhando força e impacto e, por que não, personalidade!



Não, não estou me esquecendo de tudo que me incomodou na primeira parte. A sexualização excessiva das meninas, tanto Sabrina quanto as irmãs Estranhas, a forma inadequada de abordar a transexualidade (ou a fluidez de gênero, como se fosse algo "hereditário" e outras coisas questionáveis, como quando Sabrina não hesita em matar uma menina, mesmo que a reviva depois, e até mesmo a crueldade de sair pela escola inteira que Susie (agora Theo) tinha sido atacada pelos meninos, embora sua amiga tenha preferido o silêncio em relação a quem foi. Apesar de tudo isso, ou talvez, por causa de tudo isso que construiu um embasamento para as mudanças nessa segunda parte, O mundo sombrio de Sabrina aprendeu a andar com pés firmes. Talvez tenha sido proposital. Talvez não. Por causa de críticas severas, talvez? Enfim, intencional ou não, o resultado nessa segunda parte foi bom.



Definitivamente, essa segunda parte merece nota 10, como dez jogadas de tarô apavorantes como aquela do episódio da livraria e as leituras de horror de tarô, que episódio incrível! E, sim, sempre a assistente do mago, mulher. Sempre “atrás do marido”, esposa, ok? Não, isso não é nada okay e O mundo sombrio de Sabrina está de parabéns não apenas por ter unido tudo isso em uma trama que mexe ainda com magia, satanismo, fé, etc., sem cair no absurdamente expositivo e conseguindo realmente fazer com que eu me apaixonasse pela série e realmente me importasse com os personagens e ficasse realmente com medo de que um futuro bem sombrio poderia estar à espreita de meus queridos. E que venha a próxima parte, asap!

Hail, Lilith! <3 

Sobre Dorian Gray, bem, já falamos dele aqui e aqui





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