Pular para o conteúdo principal

A menina e o leão: o filme é uma obra de ficção, mas a amizade entre a menina e o leão é bem real



A menina e o leão começa como um filme estilo sessão da tarde, o que acho ótimo, por sinal, mas acaba se desdobrando e seguindo uma linha que tenta conscientizar as pessoas quanto à prática desumana de “caça” “legalizada” de animais selvagens, uma prática comum em alguns países, como a África do Sul, por exemplo. Existem empresas que oferecem pacotes, dependendo do tipo de “troféu” o “caçador” deseja levar para casa. A menina e o leão expõe essa prática em um filme que une a mensagem social-ambiental a uma história de traumas em família, confiança e a falta dela e a ganância por dinheiro “sem saber” de onde ele vem. 

Neste link, vocês podem ler mais sobre o assunto. que é triste, desumano, cruel… e bem comum e acessível para quem tem muito dinheiro. 


Uma família que está de volta à África do Sul tem uma fazenda, e eles criam leões. A princípio, não parece haver nada de errado com isso, mas, enquanto Charlie, o leão branco do título original (Mia and the White Lion, Mia et le lion blanc) vai conquistando Mia, a menina que a princípio nem gostava de ter de viver ali, ele vai conquistando o coração dela, o público, assim como a amizade dos dois encanta, e a confiança desenvolvida entre ambos, mas é claro que há algo de podre neste “reino de felicidade”. Somos então apresentados aos bastidores de uma coisa horrenda, essa caça que mencionei e sobre a qual se pode ler no link acima. E o que poderia ser um belo conto de fadas ganha um toque mais realista, mostrando não apenas essa caça, como as consequências dela para a família do filme. Traduzindo, é um extermínio legalizado de animais, especificamente o leão, e, se essa prática continuar, eles podem desaparecer da natureza em 20 anos, como o filme nos informa no final, na mensagem clara que passa sobre a realidade por trás da ficção desta obra cinematográfica. 

Quando fui ver A menina e o leão, fui vê-lo esperando um filme bonitinho e fofo e tive isso e mais: essa mensagem importantíssima de conscientização. É nojento saber que existem seres “humanos” desgostosos o bastante para “caçar” animais selvagens que são dopados para que sejam mortos por eles, e assim, estes seres “humanos” inflam ridiculamente seus egos, com a morte de um animal inocente de forma covarde. 



Vamos falar da parte bonita agora: Gente! Ela abraça o leão, dorme com o leão na cama, o leão já adulto interage com Mia e, não, em momento algum ele a ataca. Será que isso é possível? Fiz minhas pesquisas e, sim, é! Um leão adulto pode totalmente interagir de boa com um ser humano se tiver crescido com ele/ela. 

Ah, sim, preciso deixar registrado que eu queria ter um tigre desde criança. Sabe, aqueles documentários da Discovery me deixaram querendo um e frustrada por não ter um por um bom tempo… Aí vem A menina e o leão para me cativar e me lembrar disso *suspira*

A hipocrisia é exposta no filme, sim, temos vários clichês, mas isso não é um problema, e a falta de representatividade racial em uma história que, bem, se passa na África, é um problema, sim, mas em se tratando de um filme feito pelos colonizadores europeus, era de se esperar… Isso diminuiu a qualidade do filme? Não, quis apenas registrar os fatos. Pelo menos temos uma figura importantíssima feminina em ação, Mia, uma heroína que ainda escancara a hipocrisia do “homem de família”, seu pai. Isso é o máximo!

A lenda do leão branco do filme é real e existem apenas 12 em liberdade na África do Sul… Triste, né?  


Segundo essa lenda ainda, além de todas as metáforas judaico-cristãs que temos para o leão, ainda pode render mais uma ótima mensagem: ao matar o animal, estão matando a alma africana, o que não se refere apenas literalmente, como também em outros níveis, em que o colonizador busca e/ou já conseguiu acabar com as raízes dos povos colonizados. 

O filme parece simples, mas tendo suas camadas descascadas, podemos ver o quanto cutuca a fundo a hipocrisia dos ricos, dos brancos, dos adultos, dos pseudo donos da razão. 

Trecho abaixo traduzido do IMDB

A menina e o leão conta a história da amizade entre uma criança e um animal selvagem […] a produção escalou mais de 300 crianças na África do Sul antes de encontrar Daniah De Villiers, que faz o papel de Mia. Daniah De Villiers passava três dias com Thor, o leão, durante três anos, enquanto eram feitos as filmagens […] Ela volta sempre que possível para visitar Thor regularmente. […]

Ou seja, apesar de o filme der uma obra de ficção, e não um documentário, nem uma obra híbrida, é lindo saber da amizade real entre o animal e a humana, não?

A menina e o leão segue super-recomendado por mim: 9 mamadeiras de leão cheias de amor <3 [9/10]

Trailer:



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

La Boya, um filme de Fernando Spiner

Maria do Caritó, do tablado para o cinema, diverte ao mesmo tempo em que faz críticas muito necessárias

No dicionário popular, Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. Vitalina, conforme a popularizou a cantiga, é a solteirona, a moça-velha que se enfeita - bota pó e tira pó -, mas não encontra marido. E assim, a vitalina que ficou no caritó é como quem diz que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta.
No gênero comédia romântica e baseado na peça teatral homônima, Maria do Caritó, escrita por Newton Moreno e ambientado no nordeste, e gravado na cidade de Peacatuba, em Minas Gerais, onde a fotografia remete às pequenas cidades do interior, trazendo a poesia e o azul como motes no começo do  longa.



Nessa máxima que segue o enredo de Maria de Caritó, longa protagonizado por Lilian Cabral (Maria), a moça que chega aos seus 50 anos  e ainda virgem, vítima da promessa que seu pai diz ter feito ao santo desconhecido quando ela …