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Cemitério Maldito (2019): quando o trailer conta demais, e o gato zumbi rouba a cena (e os corações da plateia)



O Bruno Martuci já fez aqui sua comparação do remake de Cemitério Maldito com a adaptação original. 

Mas afinal, sem termos comparativos, Cemitério maldito, versão 2019, vale a pena?

Bem, eu também vi os dois filmes. E (ainda) não li o livro. Eu gostei bastante do filme novo, e eu concordo com o Bruno nisso de que Church, o gato “zumbi”, ficou mais realista no remake, mas ele ficou tão fofinho <3 Creio que, para quem ama esses felinos, essa coisa mais realista dele tenha ficado, ainda assim, fofinha <3 (mais comentários sobre os gatos, com spoilers, no final desse texto.)



Para mim, um dos pontos fortes do terror do filme foi o lance com a irmã de Rachel. Além disso, tudo na volta de Ellie ficou mais realisticamente assustador, já que… eita, estou entrando nas comparações, mas é isso aí: remakes e adaptações sempre serão comparados com a obra original. Mas meu ponto aqui está mais para: por que esse ódio antecipado quanto aos remakes? Cemitério Maldito (2019) é um bom filme. Ainda que para mim não tenha sido tão bom quanto It, A coisa, é bom, e a cena final o torna ainda melhor. Aquele twist…. Na verdade, minha crítica maior aqui deve ser a mesma de muitos fãs: eles praticamente contaram um dos maiores twists nos trailers. Eu cheguei a achar que não estragaria a experiência que, apesar de muito boa, repito, o filme é bom, é ótimo, na verdade, nada como as decepções do ano passado (ao menos para mim) de A Freira e Hereditário (que começou bem, mas aquele final…), mas, infelizmente, estraga sim. Já sabendo que é a Ellie quem vai voltar, ficamos esperando por isso, o que quebra sim uma grande parte do impacto do filme. Era um spoiler do qual quem viu o trailer, mesmo que sem querer, quando estava no cinema assistindo a outro filme, poderia ter sido poupado. 



O filme cumpre seu papel como obra cinematográfica de horror sobrenatural ao mesmo tempo em que mostra os horrores das loucuras que os seres humanos podem chegar a fazer em vez de aceitarem que perderam algo. E o filme lida com culpas, é a culpa de Rachel em relação à irmã, a culpa de Louis por não conseguir salvar um paciente, a culpa de Jud por suas decisões do passado, esse lance da culpa que acaba gerando cada vez mais filmes de terror, parece algo intrínseco ao ser humano. E se…? Não! Não há como mudar o passado, mas dá para evitar erros futuros, certo? 



Enfim, se Cemitério Maldito em sua nova roupagem 30 anos depois do lançamento da primeira adaptação não é perfeito, ao menos, como filme de terror, ele cumpre bem seu papel, e talvez até mesmo possa fazer as novas gerações correrem atrás do filme original e/ou do livro, mas como entretenimento em si, este filme se sai muito bem. eu gostei demais! 



***

Spoilers abaixo, prossiga por conta própria.

Church, o gato, é o grande astro, claro. E aqui vão alguns comentários curiosos sobre os gatinhos ;)



Tanto na versão de 1989 quanto na de 2019, os gatos são gatos de verdade, e não recriações em CGI. Os olhinhos de lanterna assustadores de Church na primeira adaptação, mais a cor naturalmente escura de seus pelos, sendo um Blue Russian, já o deixavam beeeem assustador. Porém, em 2019, com a escolha de um gato maior, um Maine Coon (homenagem a Maine, estado natal de SK, além de homenagem à capa da primeira edição do livro). No filme de 2019, Church tem mais tempo em tela eeeee é mais “inteligente” ou “esperto”, especialmente naquela cena… em que ele supermanipula Louis para que ele não o mate! Parabéns, Church xD 





Trailer:


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