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Cemitério Maldito: afinal, qual é o melhor, o remake ou o original?




O clássico filme do gênero de terror baseado na obra de Stephen King, Cemitério Maldito, completa 30 anos em 2019, e, junto a isso, temos o lançamento do remake que reconta essa mesma história com uma nova visão que consegue deixá-la bem diferenciada da obra lançada em 1989, mas que mantém sua essência, junto com a estrutura do enredo.

O roteiro do original (que também foi escrito por King) apresenta bem os personagens e os elementos que serão cruciais para o desenvolvimento da trama. Um dos problemas reside nos diálogos expostos de alguns dos personagens, que falam sozinhos, o que acaba conferindo um tom novelesco no filme. O roteiro também apresenta personagens que são descartáveis, como é o caso da personagem Miss (Susan Blommaert) que é apresentada logo no início do filme, mas não tem nenhuma função que ajude a movimentar a história, além de dar origem a uma conversa sobre vida após a morte que poderia ter sido introduzida no primeiro ato junto a outro diálogo que também abordava a questão. Enquanto o original erra nessa abordagem, o remake consegue realizar esse feito de forma coerente com a narrativa proposta, mas enquanto ele acerta na introdução do tema no filme, o impacto nos personagens e no público não teve o efeito esperado devido ao modo como foi abordado, enquanto na versão de 1989 teve mais impacto devido ao choque de realidade sobre o destino eminente de todos, que de um jeito ou de outro vamos, mais cedo ou mais tarde, morrer.


A versão de 2019 infelizmente fica um pouco expositiva quando o roteiro faz questão de explicar a origem do poder do cemitério, já que no original não fica claro o que fez o cemitério trazer os mortos de volta.


A direção do remake tem um grande mérito na construção do clima do horror, fazendo bom uso do jump scare, introduzindo aos poucos o tom de sobrenatural no ritmo e no visual do filme, como na fotografia escura utilizando cores frias. Nesse quesito, o remake consegue superar o original, já que na versão antiga, embora o horror também tenha momentos assustadores, o clima acaba se quebrando devido ao personagem Pascow (interpretado por Brad Greenquist na versão de 1989), que é apresentado como um aliado para os protagonistas ao tentar avisar sobre o perigo de quebrar a barreira entre a vida e a morte, e o modo como ele é introduzido nas cenas acaba sendo algo cômico, quebrando o clima tenso estabelecido.


O terror físico proposto pela criança ressuscitada também é de causar desconforto e arrepios, principalmente na versão de 2019, enquanto na versão de 1989, Gage (Miko Hughes) se resumia a uma criança possuída por algo maligno com um olhar demoníaco cheio de ódio, Ellie (interpretada por Naomi Frenette na versão de 2019) faz um ótimo trabalho de atuação, modificando sua postura, sua personalidade serena que assusta, junto com seu olhar torto sem emoção nem sentimentos naturais.


Embora a cena do atropelamento tenha o mesmo peso visual devido à gravidade do acidente, o remake consegue superar o original devido ao ótimo trabalho da construção do relacionamento de Ellie com sua família e a amizade de Jud (John Lithgow), em que vemos o carinho e o afeto que foi pouco abordado com Gage na versão antiga, o que fez o peso da morte dela ser mais impactante, já que o público já tinha adquirido empatia por ela.


As atuações do original são superiores em alguns aspectos, principalmente por parte dos atores que se entregaram profundamente na interpretação de seus personagens, com destaque para a atriz Denise Crosby, quando vemos como ela se sente totalmente desconfortável ao tocar no assunto sobre morte devido a sua experiência com sua irmã Zelda. Dale Midkiff também se destaca principalmente depois da morte do filho, vemos seu personagem inconformado e desesperado, a ponto de fazer qualquer coisa para trazê-lo de volta, sem pensar nas graves consequências de seu ato que desafia os limites da vida, enquanto no remake, as atuações não estão ruins, mas estão bem fracas, dando a impressão de que eles estão apenas seguindo a condução dos diretores, mostrando poucas atuações convincentes.


O gato Church consegue ser fisicamente mais assustador na versão antiga devido a sua postura arisca, mas o da nova versão consegue provocar medo devido ao olhar fixo e sem vida do felino. 


A cena final dessa nova versão é uma das que mais surpreende e que agrada ao público, principalmente aos fãs do original.


A versão de 1989, embora tenha seu charme, é inferior à versão de 2019 devido à renovação da história de Stephen King, que consegue abordar o mesmo tema de forma revigorada e que também pode despertar na nova geração de conhecer a primeira adaptação dessa história e/ou o livro que deu origem a elas.

NOTAS:

Versão de 1989: 6
Versão de 2019: 7

Trailer Cemitério Maldito (2019):

Trailer Cemitério Maldito (1989):

Sim, o padre aê do filme é o Stephen King!

Música Tema: Pet Sematary - Ramones (1989)


Música Tema: Pet Sematary - Starcrawler (2019)



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