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John Wick, o sucesso por trás da história da franquia que está no seu terceiro capítulo


Sem dúvida, John Wick (“De Volta ao Jogo”, como foi intitulado o primeiro filme da franquia aqui no Brasil) é um dos maiores sucessos do gênero de ação da última década, agradando aos fãs desse tipo de filme.

Mas, mesmo com o sucesso do filme que deu origem a mais duas sequências (John Wick: Parabellum estreando hoje), o público mais atento pode perceber que a história do filme original que deu início a essa franquia, não é 100% original, servindo-se de duas estruturas básicas de roteiro que já foram utilizadas inúmeras vezes nos cinema.

Uma dessas estruturas, que é muito comum nesse gênero, e a do protagonista que, depois de um atentado contra algum membro de sua família, vai atrás das pessoas responsáveis para buscar vingança, sem pensar nas consequências de seus atos. 

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A outra estrutura utilizada não tem sua origem nesse gênero de ação, mas sim nos filmes de velho oeste, que é a do matador que se aposenta de seu ofício logo após encontrar o amor de sua vida e, mesmo depois da morte de sua amada, ele permanece distante de sua antiga vida, até que o passado bate à sua porta para oferecer um “ultimo serviço” que somente ele pode finalizar, o que no início ele se recusa a fazer, mas logo muda de ideia e volta à ativa, até que no final ele percebe que nasceu para isso, querendo ou não. 

Mesmo com essas duas estruturas presentes no roteiro do filme, a direção de Chad Stahelski e David Leitch consegue equilibrar bem essa mistura, a ponto de renová-las ao trazer novos elementos para a construção da trajetória do protagonista e do ritmo, como por exemplo, a motivação de John em voltar à ativa causada pela morte de um membro de sua família. Normalmente outros filmes do gênero usam membros mais próximos como a esposa, os filhos, ou os pais. 

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No caso de John Wick, o que desencadeou sua vingança foi a morte de seu cachorro, e esse recurso acaba funcionando devido a dois elementos: o primeiro é o que o cachorro representava para o personagem. Logo no início, vemos que o filhote foi o último presente de sua falecida esposa, dado a ele para que John tivesse um novo propósito de continuar sua vida sem ela, e o segundo elemento foi a opção de usar o assassinato do animal de estimação para provocar a sede de vingança em John pelo fato de o público sentir mais empatia com um filhote inocente que não tem noção do que ocorre à sua volta do que com um ser humano, e no momento em que o cachorro é brutalmente assassinado, o público sente mais a dor pela morte do animal em si, enquanto John sente algo maior, e através dele, o espectador consegue entender perfeitamente sua raiva, já que o filhote representava mais do que um bichinho de estimação, para ele era a última parte viva de sua esposa que foi tirada dele novamente, fazendo com que ele voltasse à ativa, mas, ao contrário dos filmes de velho oeste, o que leva John a voltar a matar não é necessariamente um trabalho perfeito para ele, mas sim a vingança por terem lhe tirado a última coisa que ele amava.

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Outro ponto interessante do filme é a apresentação de John logo após ele voltar de seu afastamento, quando é revelado que o homem que matou o cachorro do John é na verdade filho de seu ex-chefe. Percebe-se então a gravidade da situação que eles vão enfrentar quando é dito o tamanho do talento de John quando o assunto é matar alguém, e não demora muito até que vemos esse talento colocado em tela de forma explícita. O que também chama a atenção no filme é o fato de haver uma sociedade civilizada de matadores de aluguel que residem em um hotel de luxo, o que inicialmente parece ridículo, algo assim que foge da nossa realidade, e acaba se tornando interessante, devido ao modo como foi abordado, com os diretores estabelecendo regras rígidas dentro do hotel que devem ser seguidas para manter a ética e a compostura estabelecidas ao que foi nos apresentado, caso contrário, a punição seria bem severa (abordado no terceiro filme da franquia, John Wick: Parabellum - John Wick 3), mas que também estabelecem regras na estrutura do roteiro que fazem com que o público compre a ideia desse lugar frequentado por assassinos e matadores de alto escalão.

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John Wick pode até não ter uma estrutura totalmente original, mas a história é muito bem contada, bem dirigida, estabelecendo regras que em hipótese alguma são quebradas, permanecendo com um bom ritmo, dando função às cenas de ação pesadas e explícitas que tornam a violência gráfica coerente com a narrativa, sem que se tornem gratuitas e desnecessárias, transformando o filme em um dos filmes mais revolucionários do gênero da nossa década - e suas sequências mantêm ritmo e qualidade. 

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Aqui a Ana fala um pouco também da visão dela sobre o sucesso dessa franquia que voltou com tudo ao jogo nesse terceiro capítulo: Se queres paz, prepara-te para a guerra!

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