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Antes tarde do que nunca: Casal Improvável - Uma comédia romântica com cunhos sociopolíticos e o principal em uma comédia: divertidíssima!




Comecei esse post escrevendo “antes tarde do que nunca” porque já faz um tempinho que vi esse filme na cabine de imprensa e queria muitíssimo indicá-lo a vocês, mas minha vida recentemente virou um videogame turbulento em que acabei sendo nocauteada pelo big boss vírus influenza, como citei no post sobre o Big Festival, e estava bem difícil formular alguma frase que fizesse sentido.... Com 77% de vida recuperada, estou de volta. 

Charlize Theron é um arraso! Seja no (agora já antiguinho) remake do filme homônimo de 1969, Uma saída de mestre, seja em Tully, em que ela mesma engordou para mostrar como até mesmo mães lindonas, sim, como ela, ficam depois de uma gravidez, em vez de ficar propagando apenas imagens fitness que podem deixar mulheres “comuns” arrasadas e com baixa auto-estima, seja no incrível Mad Max - A estrada da fúria, em Atômica e no filme O advogado do diabo, de 1997, não há como negar que ela tenha um talento e uma versatilidade incríveis como atriz. 

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A incompatibilidade do casal no filme nada tem a ver com beleza ou falta dela, mas sim com "padrões" e "estilos" de vida - e o filme mostra muito bem como essas águas turvas podem ser bem navegadas
Infelizmente, no mundo machista em que vivemos, já cansei de ler/ouvir (inclusive de jornalistas), quando se referem a mulher: ela é linda e ainda sabe atuar/ela é linda e tem uma voz incrível, ela é feia, mas é uma boa atriz… e coisas terríveis do gênero. Também vivem fazendo perguntas a atrizes, diretoras, enfim, mulheres, que não fazem a homens, como, por exemplo: como é envelhecer para você? Sim, meus caros, chegaram a “oferecer” a essa diva, com apenas 40 anos (agora com 43), o papel de mãe da Mulher Maravilha! Oi? … e a diferença de idade entre as duas? Nove anos. É, depois tem gente que insiste que sexismo não existe. Que é mimimi. Não, não é. Acordem!



Por que essa introdução toda? Porque não somente se faz necessária como tem tudo a ver com a proposta do filme em si. Apropriando-se dignamente e revertendo tropes comuns em vários filmes misóginos como American Pie, Um casal improvável mostra o par romântico da protagonista em situações sexualmente “constrangedoras”. Bem, que só são constrangedoras porque são expostas. Afinal, a vida sexual de cada um não diz respeito a ninguém, certo? Bem, deveria ser assim, mas, infelizmente, ainda mais se tratando de celebridades ou pessoas “públicas” - a personagem de Charlize é candidata a presidente -, é prato cheio não só para fofoca, mas também para destruir as pessoas. 


O filme tem várias camadas de bem-vindas mensagens sociopolíticas e cenas memoravelmente hilárias que só de lembrar já me fazem querer voltar ao cinema para vê-lo de novo! Se Flarsky, o personagem de Seth Roger, “ajuda” Charlotte a encontrar diversão na vida, ela o “ajuda” a encontrar “direção” na vida, apenas para citar um exemplo (que rima) de como esta comédia incrível não se “serve” da tal fórmula, como vi alguns críticos dizerem, ... mas digamos que "se serve" subvertendo a fórmula cansativa e misógina típica (da maioria senão todas) das comédias românticas da década de 1990, sem cair no caricato, nem na obviedade, nem se tornar uma sátira como o (ótimo, por sinal) Megarromântico da Netflix. 


Assim como em Amigos para sempre, recente remake de Os Intocáveis, as cenas com o primeiro uso de drogas então… são hilárias! O que mostra que para ter uma visão decente sociopolítica, é desnecessário não brincar com essas tropes que, se bem usadas (ao contrário de Deadly Class, sim, me deixou com ranço e tem uma das trips de drogas mais chatas que já vi na minha vida), acabam conferindo leveza e graça a uma comédia que vai além do que se propõe, sendo divertida, adulta, infantil, uma mescla de emoções gostosas que aquece até mesmo os mais frios coraçõezinhos.

Nota: 5 menções decoradas a Game of Thrones

Trailer:


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