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Crítica do filme Cyrano Mon Amour


O diretor Alexis Michalik apresenta um humor leve e equilibrado em seu primeiro longa metragem,  Cyrano Mon Amour, mostrando um certo exagero, mas condizente com o que está sendo proposto pela narrativa, sem deixar cair para o deboche. Um dos grandes problemas da direção ocorre quando o diretor apresenta uma informação e a repete incansavelmente durante a cena, em vez de mostrar outros pontos de vista sobre o assunto apresentado, ele usa diversos personagens só para falar o que já tinha deixado claro na primeira vez.

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O primeiro ato tem um ritmo mal estabelecido, embora o diretor consiga apresentar bem o protagonista e seu bloqueio criativo, o jeito como o roteiro persiste no personagem escrevendo uma nova peça, e de como ele é levado ate a sua inspiração é até plausível por parte do roteiro, mas a direção não tem um bom timing, sempre parecendo apressada ao conduzir o personagem de um ponto a outro. O ritmo melhora quando os outros personagens começam a serem apresentados, dando mais impulso à história e ao humor do filme. O diretor então consegue estabelecer um bom ritmo, conduzindo os acontecimentos de acordo com a movimentação e a atitude do personagem dominante da cena; como no caso do protagonista Edmond (Thomas Solivéres), que é um pouco travado e calmo, o ritmo se torna mais tranquilo, ou então o de Conquelin (Olivier Gourmet), que é um personagem mais ágil e impulsivo, e o ritmo se torna mais dinâmico e rápido.

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A construção dos momentos cômicos são bem equilibradas pela direção, mesmo em várias cenas que foram feitas para escrachar e acabem sendo bem previsíveis, o diretor consegue controlar o timing cômico. Outro recurso ainda brinca com os personagens super caricatos e sem muita personalidade dentro do ramo do teatro, como da grande atriz exigente que sempre quer ser tratada como uma diva, ou dos produtores intrometidos que fazem alguma exigência só porque eles financiam o espetáculo, que mesmo unidimensionais, muitos ajudam no desenrolar da trama, e principalmente no desenvolvimento do humor.

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A construção de Edmond mostra bem suas características de ser um escritor poético e que recusa a fazer peças de comédias vazias, mostrando também como ele consegue inspiração a sua volta e como ele coloca isso em sua peça, e quando ele tem de confrontar-se com um dilema que ele mesmo criou, o jeito como ele reage e assume a situação é totalmente compreensivo, e a direção também não deixa a cena pender para o genérico, permanecendo o clima criado pela tensão entre os personagens em tela.

Logo no inicio do terceiro ato é apresentado um grande obstáculo na trajetória de todos os personagens envolvidos na peça, que mesmo pré estabelecido no início do filme, o diretor trata a situação de forma bem previsível e genérica, colocando os personagens em total desânimo, até alguém fazer um discurso encorajador que levanta o moral de todos e a história retorna de onde parou, tornando esse acontecimento descartável.

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Mesmo com o ritmo variável, Cyrano Mon Amour consegue compensar no humor bem realizado pela direção de Alexis Michalik

NOTA: 8 fiascos até o sucesso.

Trailer:

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