#streaming - Uma criança como Jake e a necessária discussão sobre gêneros e papéis sociais de gênero


O filme Uma criança como Jake, dirigido por Silas Howard, tem uma abordagem interessante dentro do movimento LGBT e no cinema queer, ao mostrar que muitas vezes a identificação de gênero de uma pessoa pode vim desde a infância, em uma fase de sua vida em que a criança nem sequer pensa ou sabe da existência desse assunto.


Embora o personagem Jake seja o grande foco da história, o diretor nos mostra o arco dele do ponto de vista de seus pais, e mesmo que Jake tenha poucas presenças em cena, as disfunções de seus pais e das pessoas que convivem com a criança nos dizem batente sobre seu jeito de ser, se comportando diferente de outros garotos e tendo gostos e interesse em assuntos (supostamente) destinados a meninas, como brincar de boneca, ou usar um tutu cor-de-rosa, mostrando a preocupação de seus pais em relação a seu comportamento, mas não pelo fato de ele se interessar por essas coisas, mas sim pelo que as outras crianças podem achar disso, e assim como uma pessoal adulta, há crianças que não se importam com a forma como Jake age, e crianças que implicam com ele, nunca mostrando essas interações, sendo somente abordadas por meio de relatos depois do ocorrido, deixando a cena convincente, já que a história não é contada do ponto de vista das crianças.

O ritmo demora bastante para encontrar um equilíbrio que desperte o interesse do público na história, o primeiro ato chega a ser bem lento, mesmo apertando os personagens fundamentais para o desenrolar da história e seu cotidiano.

O roteiro apresenta alguns subtramas que coexistem com a trama principal, mostrando a ambição dos pais de Jake em colocá-lo em uma ótima escola, mas que também têm medo dessas escolas de elite não aceitarem Jake do jeito que ele é, e o diretor consegue passar isso ao público sem deixar cair n preconceito puro e simples. Há também uma subtrama envolvendo o pai de Jake (Jim Parsons) ,mostrando seu cotidiano em seu escritório de psiquiatria que não apresenta nada para a história principal, e nem ao desenvolvimento do personagem, tornando-se totalmente descartável e inútil para o filme.


Jim Parsons faz um bom trabalho com seu personagem, ele mostra o medo que ele sente de seu filho não se encaixar com as outras crianças, mas também não tenta mudá-lo ou insistir que ele seja igual aos outros meninos, em vez disso, ele tenta entendê-lo e está disposto a procurar ajuda para que ele e sua esposa consigam aos poucos entender melhor o filho e lidar com ele.

A personagem de Claire Danes tenta ignorar que seu filho seja diferente dos outros meninos e, mesmo o amando, ela mostra que se sente culpada por incentivar seu filho a gostar de "coisas de menina", mesmo não sendo propositalmente, ou não sendo culpa dela. Sua personagem também recebe comentários sobre traços de sua personalidade vindo se sua mãe (Ann Dowd), falando de suas qualidades desperdiçadas que também não têm muito fundamento para a construção da personagem, sendo que a maior preocupação dela é colocar o filho em uma boa escola.


Octavia Spencer tem pouca participação, mas sua personagem é um pouco relevante para o desenvolvimento de outros assuntos dentro de uma das subtramas apresentadas.

Embora mostre bem a preocupação que os dois personagens têm por seu filho, a relação entre eles não fica bem estabelecida, deixando o público confuso quanto a seu relacionamento.


No terceiro ato é mostrado uma discussão entre os pais de Jake que, mesmo sendo interessante no início, alguns argumentos têm uma abordagem ruim, como, por exmeplo, ao falar que a culpa de o filho deles ser assim é dos filmes que ele assiste, que pode incomodar boa parte do público.


O desfecho é bem agridoce, sem nenhuma grande reviravolta, mas é coerente, mesmo deixando a desejar.

NOTA: 6 interpretações da Ariel.



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