Pular para o conteúdo principal

Divino amor: drama sci-fi religioso assustadoramente parecido com a nossa realidade


O drama sci-fi religioso dirigido por Gabriel Mascaro, aborda questões sobre relacionamentos de vários ângulos, tanto burocráticos quanto religiosos, de forma nada ortodoxa, mas que combina com o estilo apresentado da história de um futuro distópico.

Resultado de imagem para divino amor

Em questões de construção da época, o filme consegue convencer o público de o que estamos vendo é realmente um Brasil futurista, não exagerando nos estereótipos nem no visual das cidades, como colocar grandes construções modernas ou carros mega estilosos, em vez disso, o visual dos cenários se manteve intacto comparado aos dias de hoje, deixando a parte futurista para o avanço tecnológico que é bem criativo, colocando um limite para não cair no absurdo.

Resultado de imagem para divino amor filme

A direção de arte utiliza bem o uso das cores para demonstrar o sentimento dominante do ambiente, como o rosa, que representa o amor de diversas formas, o azul, que mostra o desejo ou a espera por algo, cores desbotadas em tons pastéis representando a parte burocrática, e a mistura equilibrada entre essas cores, mostrando várias vezes o desejo desesperador de amar.

Resultado de imagem para divino amor filme

O roteiro apresenta muitos assuntos de forma poética, e em muitas cenas o diretor não consegue executar bem essas informações para o público, sempre deixando vagas as mensagens que ele quis passar; a narrativa em off presente nessas cenas, em vez de ajudar o espectador a compreender melhor o que a imagem mostrada quer dizer, só aumenta mais a incerteza sobre o ato apresentado. A forma como o roteiro mostra a religião presente no filme é bem impressionante, a direção consegue fazer com que esse tema se torne predominante na trama, sem deixar cair para o gospel; em vez disso, ele aproveita o gênero sci-fi para criar uma nova maneira de abordar certos assuntos mostrados do lado de dentro, abordando questões de fé e amor que podem ser bem provocativas, e mesmo não desrespeitando nenhum tipo de religião existente em nossa realidade, ainda sim pode incomodar pessoas mais religiosas devido às cenas bem explícitas mostradas ao longo do filme.

A montagem é bem desconexa, não chega a ser episódica, mas da à sensação de que as cenas não se entrelaçam, mesmo tendo continuidade com a cena anterior.

'Divino Amor' visualiza a fé em um futuro próximo

A construção de Joana (Dira Paes) é bem apresentada desde o início, mostrando que ela é uma pessoa que acredita firmemente em sua fé, e de como ela sempre tenta fortalecer o amor dos casais que cruzam seu local de trabalho, e de como isso pode ter consequências para ela, devido a sua função dentro do cartório, além de mostrar sua relação como o marido (Júlio Machado) e sua maior ambição e de como ela faz de tudo para alcançar isso.

O filme tem um ritmo bem difícil de acompanhar devido a varias cenas poéticas, e mesmo com o plot twist previsível apresentado no inicio do terceiro ato, o diretor consegue despistar a desconfiança do público sobre o ocorrido.

Quanto à cena final, embora tenha sido pré-estabelecida na primeira cena do filme, o diretor deixa sua última questão enigmática, que, embora deixem um pouco claro o que alguns desses elementos representam, outros ainda ficam bem vagos.

NOTA: 7 atos de amor físico. (7/10)

Trailer:



Trechos da Coletiva de Imprensa:







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

La Boya, um filme de Fernando Spiner

Projeto Gemini traz a nova tecnologia 3D+, apela ao público gamer e proporciona uma intensa imersão

Dirigido pelo Hollywoodiano vencedor do Oscar®, Ang Lee, e produzido pelos renomados produtores Jerry Bruckheimer, David Ellison, Dana Goldberg e Don Granger, o novo filme de Will Smith, “Projeto Gemini” traz a inovadora tecnologia 3D+, High Frame Rate, em que o filme é gravado em 124fps (os filmes normalmente são gravados em 24 fps), o que nos dá uma visão ultra dimensionada de detalhes e uma sensação de total imersão nas cenas do filme.

No longa de ação, Will Smith vive o papel de um misto de agente/assassino, “Henry Brogan” que, ao decidir se aposentar, é surpreendido sendo perseguido por um agente mais novo de seu próprio bureau. No elenco também estão Mary Elizabeth WinsteadClive Owen e Benedict Wong.


Com a temática científica da possibilidade da clonagem humana para fins bélicos, lembra outras abordagens tais como O Soldado Universal e O Exterminador do Futuro.

Em suas cenas de ação, claramente podemos sentir referências a Missão Impossível com algumas pegadas ao bom estilo John …