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#homevideo - NÓS, um quebra-cabeças para enxergar a paranoia

O filme Nós, do vencedor do Oscar, Jordan Peele, nos faz enxergar delírios obsessivos por meio de uma busca macabra pelo esclarecimento.



Mais uma vez, o diretor Jordan Peele nos envolve numa trama que encena o imaginário de conspirações que rodeiam há muito tempo a paranóia norte-americana. Como em “CORRA!” (2017), seu sucesso anterior muito aclamado e premiado, o diretor nova-iorquino aborda, em “Nós”, que já está disponível em DVD (lançado hoje - e lotado de extras!!), as questões que cercam a sociedade, mergulhadas em uma atmosfera macabra e que esbanja  metáforas. 




Antes de me alongar sobre o enredo, vale dizer que, embora o racismo apareça como um assunto social explorado na história, ele não é colocado de forma escrachada, nem mesmo pelo fato de os protagonistas serem uma família negra. Esses personagens foram inseridos organicamente, ou seja, sem nenhum tipo de apelo à raça, o que é brilhante.

Mas vamos à conspiração, que se inicia com o surgimento dos antagonistas, os doppelgängers, que de maneira indecifrável vão aparecendo no desenrolar da trama, causando estranhamento e até medo, confesso. Essa cópias dão margem a muitas interpretações: Seriam elas o alter ego dos personagens? Talvez um complemento de suas personalidades? Podem até ser clones com o reflexo de seus comportamentos? O que será que acontece nos subterrâneos do território ianque?

  É justamente essa busca de respostas para perguntas alienadas que alimenta a paranoia americana que afunda cada vez mais o país em suas conspirações obscuras. Talvez devêssemos achar que o serviço de saúde do novo mundo conspira ao oferecer vacinas para a população, não é mesmo? Ou, que a Nasa, aquela agência cheia de pesquisadores loucos, falsifica fotos de nosso planeta, só para nos convencer de que ele é redondo. Que absurdo! 

Peele explora esse mal que já extrapolou qualquer fronteira. Teria ele pulado o muro e chegando nas terras tupiniquins?  É tendo essa pergunta, não conspiratória (ou talvez sim), em mente que recomendo muito o longa do premiado diretor. Ele consegue de maneira sutil e progressiva nos submergir num enredo que de fato pode ser classificado como terror. 




Os males da sociedade americana como violência, ganância, mesquinhez etc., vão aparecendo na trama como uma verdadeira praga bíblica. Algo que talvez faça parte de ser americano.  Os personagens comuns, e muitas vezes cômicos, evoluem de maneira calma e com interpretações espetaculares - vale ressaltar que os atores faziam dois personagens com comportamentos e expressividades completamente diferentes -, conseguindo deixar o espectador cheio de perguntas, ou melhor, conspirações. Jordan Peele me convenceu, um pouco mais, de que ele é um dos grandes cineastas contemporâneos, deixando sua marca no cinema de terror, mas sem perder seu humor comedido e propício.

Nota 4,8 tesouras de 5
Trailer:

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