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Não ouça o que a raposa diz: A eterna demonização das ruivas no fantástico



Desde os primórdios até hoje sempre existiram medo e repulsa dos que são “normais” aos que são "diferentes". Canhotos eram queimados porque usar o lado esquerdo simbolizava um pacto com o demônio (sendo o lado direito o lado do bem, segundo os cristãos). Gatos foram queimados por serem associados às bruxas (o que, em grande parte, causou a propagação da peste negra). Curandeiras eram mortas na fogueira como bruxas. Com os ruivos ,certamente não foi diferente. Afinal, como seria normal uma mutação que pinte os cabelos de vermelho fogo e zombe de tudo o que é bom e certo?

Desde o Antigo Egito, houve perseguição com os ruivos, que eram associados a Seth, um deus que com o tempo se tornou maligno para eles. Na Grécia Antiga, os loiros eram associados aos leões, animais destemidos e fortes, enquanto os ruivos eram associados às raposas, traiçoeiras.


Garota ruiva e raposa vermelha protagonizam belíssima sessão de fotos - Slide Show/Vídeo no fim do artigo ;)

A Ana escreveu um texto ótimo sobre a escolha do vermelho para o cabelo da Ariel, a pequena sereia da Disney. Na estória original, Ariel possivelmente seria loira, pois era uma cor de cabelo comum e atraente na época, e, por isso, foi revolucionário a Disney escolher o vermelho, símbolo de mulheres autossuficientes e independentes, para o cabelo da sereia, que basicamente entrega sua vida e independência para viver ao lado do homem que ama.

Pensando nessas mulheres independentes e em como a história as representou mal, fiz uma lista das melhores vilãs ruivas de séries e do cinema! Preparados para esse choque étnico e diabólico?


1.                                        RAINHA MÁ. ESPELHO, ESPELHO MEU



Nessa versão moderna e com efeitos incríveis do clássico “Branca de Neve”, vemos a primeira versão cinematográfica de uma rainha má ruiva. Interpretada por Julia Roberts, a rainha má não precisa de introdução. Quem nunca ouviu a frase “espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?” e imediatamente se lembrou das maldades dessa rainha vaidosa, que envenenou uma maçã para que Branca de Neve a mordesse e jamais acordasse novamente?

A rainha má é, na verdade, apenas uma personificação dos valores de sua época. Uma mulher devia ser bonita, sofisticada e inteligente. Esses atributos eram os principais e, por muito tempo, a beleza da rainha foi o que a diferenciou de todas as outras mulheres. Havendo uma mais bonita do que ela, esta tomaria toda a atenção e os valores que a rainha levou tanto tempo para construir e conquistar.

Somos ensinados desde cedo que a bondade é algo primordial e que devemos ser bons. Mas também é preciso entender os diferentes pontos de vista e que, em uma sociedade patriarcal e cristã como a da época (representada pelo estilo medieval gótico do conto), mulheres eram criadas para serem inimigas, para se sobressaírem e conseguirem ascender sobre as outras mulheres com seus maiores atributos. Por isso achei muito interessante a “demonização” dessa rainha clássica de cabelos vermelhos, mostrando luxúria e sua inerente busca pela vitória sobre as outras mulheres.
                              
 ANA BOLENA. A OUTRA




No filme A outra, Natalie Portman interpreta Ana Bolena, a rainha britânica não-oficial com belos cabelos vermelho-escuros.

Ana Bolena foi a segunda rainha consorte da Inglaterra e a mulher por quem o rei Henrique VIII adotou uma nova religião, que o permitia anular seus casamentos a fim de se casar de novo. O rei anulou seu casamento com Catarina de Aragão para casar-se com Ana e, dois dias antes da execução de Ana, anulou novamente seu casamento.

Esta é mais uma história cheia de traição e busca pelo poder. Ana Bolena traiu sua família, seu rei e seus ideais a fim de se tornar uma mulher nobre e histórica. Seu legado foi desrespeitado por muitos e sua trajetória é mais um reflexo do que significava ser mulher em uma época em que casamentos e herdeiros estavam acima de tudo. Por isso e por sua fama, ela é uma das ruivas mais importantes da história!




   A VIÚVA. INTO THE BADLANDS





Toda história que se preze precisa de um bom vilão para manter as coisas interessantes e é assim que A viúva surgiu em “Into the Badlands”. 

Ela é a primeira baronesa na história de Badlands e ascendeu ao poder quando seu marido morreu sob circunstâncias misteriosas. Há um rumor (bem correto) de que ela matou o marido, mas poucos conhecem a história por trás de sua fachada.

O símbolo da baronesa é uma borboleta, representando a transformação da insignificância para a beleza e poder e ela controla as reservas de óleo de Badlands.


 MELISANDRE DE ASSHAI. GAME OF THRONES




Todos os que assistiram a essa série que tem sido uma febre há muito tempo estão familiarizados com a frase “pois a noite é escura e cheia de terrores”. Melisandre de Asshai é uma sacerdotisa do deus vermelho R’hllor, o senhor da luz, e conselheira intima de Stannis Baratheon em sua busca pelo trono de ferro.

Ela é lembrada e temida pelas diversas atrocidades cometidas durante a série, de adultério ao assassinato de crianças, tudo em nome do Senhor da Luz que ela parece ser a única a conhecer de verdade.

Melisandre tem aproximadamente 400 anos e mantém sua juventude graças à gargantilha que usa. Ela ressuscita Jon Snow após a morte de Stannis, sabendo que ele terá um papel fundamental na história de Westeros.

Após a batalha contra o rei da noite ser vencida, Melisandre deixa sua gargantilha e caminha pelo campo nevado, envelhecendo e se desfazendo ao pó.

5.                                              FÊNIX NEGRA. X-MEN



Jean Grey é, além de uma poderosa telepata e mutante clássica da série X-Men, a hospedeira da entidade “Fênix”.

Jean sempre foi extremamente poderosa, e desde cedo, uma aluna brilhante do Dr. Charles Xavier. Ele sabia que, se ela não aprendesse a controlar seus poderes, Jean seria a destruição de todos. Mas não é possível controlar uma entidade tão poderosa quanto a Fênix que ressurge das cinzas.

A Fênix concede um poder imenso a Jean, mas também muda sua personalidade, o que a faz buscar renovação através da destruição de tudo o que Jean ama.

Nos quadrinhos há diversos episódios em que a Fênix é parada, mas Jean só fica livre dela com sua morte. Futuramente, a Fênix busca refúgio em Hope Summers, uma mutante muito poderosa (e ruiva, aparentemente a Fênix tem uma queda por ruivas).


No filme X-Men: Fênix Negra, ela é interpretada por Sophie Turner, a Sansa de Game of Thrones. A Ana fala o que ela achou do filme aqui.

***

Todas as mulheres de cabelos vermelhos retratadas em séries, filmes, jogos e HQs são donas de personalidades fortes e uma incrível independência. As ruivas mantêm sua fama de mulheres sedutoras e fortes através dos séculos e ainda não houve uma que as parasse (a não ser a representação de Ariel). Acredito que os cabelos vermelhos nos remetem às mulheres celtas e seu culto à Deusa e a proteção matriarcal que associamos à época. Cabelos vermelhos eram mais comuns entre eles que eram vistos como um povo autossuficiente e conhecidos pelo paganismo e culto às entidades da natureza. A reconexão com a natureza e o misticismo sempre são associados às mulheres ruivas e, com certeza, todas nessa lista fazem jus à superstição!

E você, qual sua ruiva favorita nas histórias?

Bônus da Ana:


Não podia ficar de fora a divíssima Karen Gillan, ruiva natural, excelente atriz, que primeiramente conquistou meu coração com a personagem Amy Pond, em Doctor Who (e os Whovians de plantão muito sabem do supremo desejo do/a Doutor/a de ser ruivo/a em uma regeneração!) Pois bem, Amy Pond passou por situações dignas de pesadelo até ter um final relativamente feliz na série. 



Apesar de azul e careca, rs, ela também faz a Nebulosa no MCU e ela arrasa, né, gente? De vilã a anti-heroína, sua jornada é incrível! E logo mais veremos essa ruivinha divosa de volta no segundo filme da nova safra da franquia de Jumanji - já falei um pouco do primeiro filme aqui

Traduzindo o tweet dela: "Jumanji! Sim, estou usando roupas de tamanho de criança e, SIM, existe um motivo para isso! O resultado faz valer a pena, eu juro! #Jumanji"

Mas, antes do segundo "bônus", ainda preciso falar do encontro desses dois ruivos: Amy Pond e Vincent Van Gogh... simplesmente de longe o meu episódio predileto da série! é emocionante, especial, e o encontro, a interação, a história desses dois ruivos no episódio é fantástica, como diria o Doutor. 



E, aquela lá da arte de abertura do post, a Willow, de Buffy, a Caça-Vampiros. Por último, mas de modo algum menos importante! A princípio muito tímida, a jovem bruxa sofreu horrores, trilhou a senda sombria, fez algo digno de um Pinhead até finalmente ter um pouco de paz. Curiosidade: A descoberta de sua orientação sexual foi algo inserido por Joss Whedon depois que muitos fãs comentavam que Willow deveria ser lésbica e ele mesmo, o criador, percebeu que o subtexto estava lá o tempo todo, então foi algo super natural, nada forçado. E ele lamenta ter *spoiler alert* matado Tara, a amada de Willow que a levou a surtar... Enfim...



Que nossas ruivinnhas tenham uma representação melhor no cinema, na TV e nas artes em geral, né, gente? Quero ser otimista e acreditar que isso vá acontecer - e pelo trailer que vem a seguir, vejo que estamos bem no caminho ;) <3


Aproveitando o gancho, vou deixar vocês com o trailer de um filme fofíssimo que está para estrear, da Paris Filmes, A pequena travessa



Belíssimo ensaio de fotos da garota ruiva e a raposa vermelha <3


Post a 4 mãos por Cat & Ana Death ;)


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