Pular para o conteúdo principal

A última loucura de Claire Darling é um retrato onírico e poético que parece uma bela pintura impressionista


A última loucura de Claire Darling é um filme belo, poético, onírico, com uma fotografia maravilhosa e ninguém mais ninguém menos do que a diva do cinema francês, Catherine Deneuve. É um filme em que recortes do passado de Claire, a personagem que sabe que vai morrer naquele dia, mesclam-se ao presente, por vezes ficando claro que se tratam de lembranças, às vezes se misturando às cenas atuais, o que condiz com a própria situação de Claire. No filme, é como se cada objeto trouxesse consigo as lembranças de eventos a eles conectados. Memórias, esperanças frustradas, alegrias e tristezas são contados e recontados em um filme cheio de poesia, cheio de uma imageria poética, onírica, bela e encantadora, mesmo em seus momentos mais tristes, pincelando-os com esmero e arte. 


A venda de garagem que Claire decide fazer, vendendo itens, pertences e até mesmo obras de arte a preços irrisórios acaba chamando a atenção de sua filha, que estivera afastada da mãe. E somos levados a visitar o passado e o presente dessas mulheres, dos eventos e dos homens que pontilham suas vidas. À beira da demência, o desfecho da vida de Claire acaba causando reflexão por parte do público em relação a suas próprias vidas. 


Sim, é um filme que tem seus momentos divertidos, mesmo em meio à tristeza que paira sobre ele e os personagens de modo geral. É um filme para ver e refletir, e pensar e sentir. Catherine Deneuve e sua filha, Chiara Mastroiani arrasam nas atuações, mas é Deneuve que arrebata os corações do público - e dos críticos, o filme está com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes - nesse filme belíssimo e emocionalmente impactante. Como uma pintura impressionista, o filme abarca muitas emoções com uma graça, sutileza e um encanto que o tornam único. Com seu encanto da mescla do onírico, realidade e alucinações, A última loucura de Claire Darling já conquistou um lugar com carinho ali no meu coração em cinema de arte esse ano, ali do ladinho de Dor e Glória, de Pedro Almodóvar. 

Nota: 5 nenúfares (5/5)

Trailer:


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

O Exterminador do Futuro - Destino Sombrio, uma bela repaginada em uma franquia querida

Neste ano vimos o retorno de várias franquias queridas (bem, ao menos queridas para os fãs delas, claro) muitos anos depois do último filme delas, como Rambo, Zumbilândia e Os 3 Infernais, mesmo depois daquele final épico. Então temos agora O Exterminador do Futuro - Destino Sombrio. Porém, enquanto  os outros são continuações diretas, mesmo que muitos anos depois, do último filme lançado, este novo longa  de O Exterminador do Futuro é uma sequência direta de O Exterminador do Futuro 2 - O julgamento final, e veio para provar um de vários fatos que fazem dessa franquia um sucesso: a presença de Linda Hamilton. 
Repaginando a história, o filme já começa com cenas digitalmente refeitas para conectar o segundo da franquia a este. E é simplesmente incrível nessa reconstrução, pois a gente fica se perguntando se eram cenas que não foram para o filme de 1991 afinal, mas com o avanço da tecnologia (ai, ai, ai, rs), não notamos isso até que alguém nos conte a real. 

E temos um trio girl powe…

Mario Kart Tour: o que esperar do clássico para mobile?

Com certeza os amantes de Nintendo já souberam da novidade para celular! A Nintendo, diferente de outras desenvolvedoras, muito dificilmente libera um de seus jogos para outra plataforma. Mas como uma boa mãe sempre olha por seus filhos, ela nos deu esse pequeno presente que é o Mario Kart tour!
Em Mario Kart, Mario e seus amigos disputam emocionantes corridas de Kart em paisagens inspiradas em cenários clássicos da franquia. A versão original possuía apenas karts, mas agora temos também motocicletas e algumas telas necessitam de paraquedas para maior interação. Não é apenas um jogo de corrida, mas intensamente competitivo, com caixas surpresa espalhadas pela tela que te dão itens exclusivos para ganhar vantagem, derrubar os inimigos e destruir amizades. Cada circuito possui quatro telas e a pontuação é somada ao longo delas.


Essa versão desse clássico da Nintendo é um tour pelas telas mais queridas e famosas das outras versões (principalmente os clássicos, como Mario Kart 64 e o novo M…