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Câmeras, rituais e muitos fantasmas - Fatal Frame é uma obra-prima dos jogos de terror!


Quando a gente cresce jogando Resident Evil e Silent Hill, já temos uma boa noção de como lidar com sustos e falta de recursos. Afinal, jogos de sobrevivência servem para sentirmos a escassez do cenário real que os personagens enfrentam. Após essa introdução ao terror, fomos apresentados aos jogos do PlayStation 2, com as continuações de Silent Hill, Siren, a mudança de cenário de Resident Evil (onde fomos apresentados a “Plaga”), Haunting Ground e, em especial, o jogo sobre o qual falarei nesse post, Fatal Frame.





No Japão, existe uma lenda sobre a mansão Himuro. Dizem que ela guarda um portal para o mundo dos mortos e a família é encarregada de realizar um ritual muito específico, onde uma jovem, criada em isolamento do mundo e de seus sentimentos, interpreta a donzela no “ritual do estrangulamento”, para purificar o solo e manter o portal fechado. Essa donzela, na primeira fase do ritual, tem seu rosto forçado contra uma máscara de madeira com pregos nos olhos, tornando-se, assim, o demônio cego do ritual. Após essa etapa, a donzela escolhe a criança que assumirá seu papel no próximo ritual e se prepara para o ritual do estrangulamento, onde tem seus pés, pulsos e pescoço amarrados em cordas que a desmembrarão. Acredita-se que, com isso, o sangue da donzela purificará o solo, mantendo o mundo livre das forças do mal.

A lenda conta que a última donzela a performar esse ritual avistou um homem enquanto era mantida sozinha e acabou se apaixonando. Esses sentimentos a tornaram impura para o ritual, mas ninguém sabia do ocorrido até o momento do ritual. A falha deixou o mestre Himura aterrorizado e, em um momento de loucura, ele matou todos os que estavam na mansão, tirando a própria vida ao final.

Não se sabe se a lenda deu origem à franquia ou vice-versa, mas a mansão Himuro deu origem a um dos maiores jogos de fantasmas e terror psicológico. Usando apenas uma câmera, os personagens de cada Fatal Frame precisam passar pelas maldições de seus cenários e enfrentar espíritos perturbados, presos ao mundo onde morreram, a fim de salvar seus entes queridos e voltar para casa.



Mayu apenas queria se desculpar com sua irmã gêmea, Mio, pelo acidente que custara os movimentos de uma de suas pernas. Mas, ao virar-se, sua irmã não estava mais lá. Uma atípica borboleta vermelha a guiava para dentro da floresta e, ao segui-la, Mayu se viu em um lugar amaldiçoado e esquecido, com o único objetivo de salvar sua irmã, que era usada pelos fantasmas do local para realizar o último ritual e conseguir a tão almejada liberdade.

A Vila Perdida era um lugar muito peculiar, especialmente por seu grande número de gêmeos. Mesmo assim, apenas um de cada gêmeo sobrevivia ao ritual pouco conhecido pelos mais jovens, em que um irmão deveria matar o outro para assegurar a sobrevivência de todos. Porém, após um ritual entre gêmeas falhar, a vila foi destruída por uma maldição e todas as almas foram aprisionadas no local, tanto as boas quanto as ruins.



Usando uma câmera especial com o poder de aprisionar os espíritos fotografados, Mayu terá que enfrentar cenários aterrorizantes e espíritos sanguinários (e alguns que apenas precisam de ajuda... ou querem se divertir) para encontrar sua irmã antes que o próximo ritual se aproxime e seja tarde demais...



Por muitos anos, Fatal Frame 2 – The crimson butterfly foi meu jogo de terror favorito. O ambiente te deixa tenso o tempo todo, a trilha sonora mantém o típico clima de lugares abandonados e assombrados e os fantasmas podem aparecer nos lugares mais inusitados para contar suas histórias e pregar peças. O jogo é rico em detalhes e história, contendo arquivos e diários dos moradores de cada casa da vila e, aos poucos, você entende o terror pelo qual passaram até chegar àquele ponto. Mas ajuda-los pode custar mais do que Mayu está disposta a oferecer.



A todos os amantes de terror, recomendo muito as histórias da franquia Fatal Frame, tanto a gameplay quanto a leitura trazem a atmosfera perfeita para te manter acordado várias noites.

Aproveitando o tema, é sempre bom falar dos eventos que temos pertinho de casa! Em outubro a feira HORROR EXPO trará toda a vivência do terror e maquiagem artística para os paulistanos! Além da possibilidade de ser monstro por um dia, a feira também traz literatura, filmes, séries e jogos de terror e muito mais! A Ana escreveu um texto ótimo sobre a feira! Confiram aqui.

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