Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme Simonal


Entrando na onda americana de adaptar a vida de grandes ídolos da música para o cinema, chega a vez de Wilson Simonal (Fabrício Boliveira) ganhar sua historia imortalizada nas telonas. Diferente de outras cinebiografias de grandes nomes da música brasileira, como Tim Maia, Elis Regina, Renato Russo e Erasmo Carlos (todos já ganharam um filme relatando suas vidas), Simonal é o filme que mais se parece com o estilo americano, em comparação com filmes como Bohemian Rhapsody e Rocketman em termos técnicos, como a fotografia bem saturada, a montagem direta e equilibrada ao mostrar sua vida pessoal e a profissional, sem fazer com que uma tome o espaço da outra, planos sequências acompanhando os personagens e apresentando o ambiente por completo, e a opção de colocar a voz do verdadeiro Simonal nas cenas musicais, porém, mesmo que o trabalho de dublagem do ator esteja bom, a mixagem de som é bem visível, notando-se que a voz que o público ouve não esta saindo de quem está cantando.

Resultado de imagem para simonal 2019

O diretor Leonardo Domingues consegue dar um destaque preferencial a partes da história de Wilson nos momentos mais relevantes, o que consegue despertar e prender a atenção do público, mas ele também consegue fazer pequenas referências a alguns atos e a algumas atitudes clichês que muitos cantores cometem quando estão no auge da fama, sem deixar que isso tome conta demais do filme, como a infidelidade de Wilson para com sua esposa, Tereza (Ísis Valverde). Quando o roteiro começa a abordar o lado mais polêmico do cantor durante o período da ditadura militar, a narrativa deixa muitas informações em aberto sobre algumas atitudes de Simonal, se ele fez ou não o que as pessoas o acusaram de fazer, principalmente depois do escândalo do ataque de um de seus ex-funcionários, ordenado pelo próprio artista, o que mostra que ele não era muito diferente dos militares ao usar métodos similares aos deles para conseguir informação.

Resultado de imagem para simonal 2019

O roteiro perde algumas oportunidades de abordar outros temas apresentados, como o de Wilson ser um dos poucos cantores negros ao alcançar um nível de fama de outros grandes nomes da época, mas que, para compensar, foca no tema de como o cantor pensava e agia em relação à ditadura do país, o que chega a ser revoltante, principalmente com vários colegas seus do ramo sofrendo nas mãos dos militares.

Resultado de imagem para simonal 2019

Fabrício Boliveira tem uma boa performance ao mostrar Wilson Simonal como com homem ousado, que sempre agarra a oportunidade de crescer no ramo musical sem pensar duas vezes, mas que também coloca sua família em primeiro lugar, e que, ao longo de sua carreira, vai crescendo, asm que vai se tornando mais arrogante e prepotente, achando sempre que tem razão sobre tudo relacionado a ele, e que aos poucos sua arrogância vai destruindo sua carreira.

Resultado de imagem para simonal 2019

Ísis Valverde consegue se destacar ao interpretar a esposa de Wilson, Tereza, que mesmo com as inúmeras traições do marido, sempre o apoiava em sua carreira, ajudando-o a se destacar nesse ramo, mas que também não abaixava a cabeça para ele, principalmente depois que ela descobria um novo caso dele, sempre dando o troco, o que é mostrado de forma criativa e bem elaborada pelo diretor. Por outro lado, também vemos como a convivência com Wilson a afetava de forma negativa, a ponto de ela se destruir aos poucos.

Simonal consegue mostrar bem como Wilson Simonal foi uma das grandes vozes do Brasil, e como seu ego e egoísmo ajudaram a acabar com sua grande carreira no meio musical, depois de várias polemicas e injustiças envolvendo seu nome.

NOTA: 7 mamães que passaram açúcar em mim e meia. (7,5/10)

Trailer:




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Midsommar - O mal não espera a noite tem um quê de dèjá vu com pontas de originalidade, mas peca por ser longo

Com influências de Corra!, da série Hannibal (principalmente perto do final do longa), com um quê de clima de Anticristo, sem deixar de lado A chave mestra, Colheita Maldita (filme inspirado na obra homônima de Stephen King), O homem de palha, e, como me disse a Ana, que é megafã de Supernatural, inclusive um episódio da série que sacrificava “estrangeiros”  em prol do “bem” da cidade de Burkitsville, no décimo-primeiro episódio da primeira temporada da série, tudo isso também é bem sentido em Midsommar – O mal não espera a noite. Com todas essas referências, senão inspirações, dá para imaginar o desconforto que o filme passa.


Com 147 minutos (171 na versão do diretor), ser longo é um problema no filme. As partes boas são realmente boas e chocantes, o culto e o que parece haver de muito sinistro por trás deles é bem estabelecido, mas os personagens, especialmente os secundários, não são muito aprofundados e, quando começam a “desaparecer”, a tendência é que o telespectador não ligue m…

O Exterminador do Futuro - Destino Sombrio, uma bela repaginada em uma franquia querida

Neste ano vimos o retorno de várias franquias queridas (bem, ao menos queridas para os fãs delas, claro) muitos anos depois do último filme delas, como Rambo, Zumbilândia e Os 3 Infernais, mesmo depois daquele final épico. Então temos agora O Exterminador do Futuro - Destino Sombrio. Porém, enquanto  os outros são continuações diretas, mesmo que muitos anos depois, do último filme lançado, este novo longa  de O Exterminador do Futuro é uma sequência direta de O Exterminador do Futuro 2 - O julgamento final, e veio para provar um de vários fatos que fazem dessa franquia um sucesso: a presença de Linda Hamilton. 
Repaginando a história, o filme já começa com cenas digitalmente refeitas para conectar o segundo da franquia a este. E é simplesmente incrível nessa reconstrução, pois a gente fica se perguntando se eram cenas que não foram para o filme de 1991 afinal, mas com o avanço da tecnologia (ai, ai, ai, rs), não notamos isso até que alguém nos conte a real. 

E temos um trio girl powe…

Mario Kart Tour: o que esperar do clássico para mobile?

Com certeza os amantes de Nintendo já souberam da novidade para celular! A Nintendo, diferente de outras desenvolvedoras, muito dificilmente libera um de seus jogos para outra plataforma. Mas como uma boa mãe sempre olha por seus filhos, ela nos deu esse pequeno presente que é o Mario Kart tour!
Em Mario Kart, Mario e seus amigos disputam emocionantes corridas de Kart em paisagens inspiradas em cenários clássicos da franquia. A versão original possuía apenas karts, mas agora temos também motocicletas e algumas telas necessitam de paraquedas para maior interação. Não é apenas um jogo de corrida, mas intensamente competitivo, com caixas surpresa espalhadas pela tela que te dão itens exclusivos para ganhar vantagem, derrubar os inimigos e destruir amizades. Cada circuito possui quatro telas e a pontuação é somada ao longo delas.


Essa versão desse clássico da Nintendo é um tour pelas telas mais queridas e famosas das outras versões (principalmente os clássicos, como Mario Kart 64 e o novo M…