Meu amigo Enzo derrapa bastante na pista molhada, mas não é de todo ruim



Meu amigo Enzo é totalmente voltado para quem ama filmes de cachorro, isso é fato, porém, depois de algum tempo, notamos que ele não tem o mesmo impacto - apesar de fofíssimo, sim, e de arrancar lágrimas - de outros filmes desse meio que “subgênero”, como Marley & Eu, por exemplo, dos mesmos produtores. 

Inspirado no livro A arte de correr na chuva, o filme Meu amigo Enzo emociona apelando aos nossos corações do começo ao fim, já iniciando com o final da vida do cão, quando o animalzinho está à beira da morte. 


Confesso que as partes mais emocionantes e tocantes são justamente as do Enzo. E claro que o cãozinho é uma fofura. São os personagens humanos em si que deixam demais a desejar. A metáfora da Arte de correr na chuva, embora explicada no filme, acaba não colando muito bem na trama e, além disso, a carreira de Denny, a doença da esposa e o absurdo da luta na justiça pela custódia da criança, típicos de dramalhões mexicanos, acabam fazendo com que, com tudo o que acontece em volta de Enzo, incluindo um terrível caso de negligência com o bichinho, nem dá para entender por que o catioríneo tão fofíneo ia querer ser humano, na verdade… Vemos atitudes mesquinhas por parte dos humanos de um jeito ou de outro com tanta frequência do começo ao fim deste filme, de modo que acaba sendo ainda mais triste ver aquele cão tão devotado a seus humanos daquele jeito.


A atuação de Milo Ventimiglia está ótima, e ele parece o personagem mais denso do filme depois do próprio Enzo, mas, ainda assim, há um quê sempre ali pairando sobre como até mesmo seu personagem poderia ter sido mais aprofundado.

Claro que eu chorei, pois sim, arrancar lágrimas é um dos objetivos do filme, mas uma análise mais densa só remove as nuvens que se formaram com a chuva e acabamos vendo que é só isso, um filme de cachorro que apela para o melodrama e que acaba passando muitos panos quentes no caso e negligência com o animal - o que, de fato, me incomodou, e muito. 


O final acaba sendo totalmente esperado, clichê e cafona, e nessa parte foi que mesmo meu lado mais sensível acabou ficando com um pouco de vergonha alheia. Está mais para um filme a ser visto na sessão da tarde, caso esteja passando na TV, mas não a ponto de fazer questão de se ver no cinema. 

Nota; Dois latidos e meio - pelo que acabou sendo e poderia ter sido muito mais do que “apenas um filme sobre cachorros”

Trailer:



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